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Caverna.club: O cadáver de Michael Corleone

Nunca antes na história dos mortos do cinema um falecido esteve tão vivo como Michael Corleone

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2020 | 03h00

Pode não ser do gosto da turba, mas uma coisa é certa. Nunca antes na história dos mortos do cinema um falecido esteve tão vivo como Michael Corleone. Seu cadáver pulula entre telinhas e telonas, um sapeca endiabrado. Não bastasse a chegada da versão 3.0 de O Poderoso Chefão – Desfecho: A Morte de Michael Corleone, lançada agora pelo diretor Francis Coppola, fala-se em continuação da saga de Mario Puzo com um quarto filme. O que seria, de fato, o quinto, se contados os quatro lançados.

MORTOS DE MEDO

 

A versão de Coppola é a quarta, se contabilizado o triste filme aprovado pela Paramount como terceiro. Agora o balão de ensaio dá conta que poderá vir uma continuação. Ou duas, quem sabe, três – um Walking Dead do mundo bizarro. Estúdios, com sabedoria invertida e marketing obtuso, pouco conseguem entender arte e público.

 

DE NIRO X CAAN 

Melhor focar nos artistas e mergulhar nas cenas dos testes para contratar os atores principais da trama. Estão no YouTube. Daí é possível entender o que Vito Corleone e seus corleonezinhos representaram para a história escrita por Puzo – este ano comemora-se o centenário do escritor e roteirista. Comecemos por Robert De Niro. O ator, que entrou na pele do jovem Vito Corleone no filme, mostra versatilidade em uma cena de 24 segundos no YouTube, assistida mais de 3 milhões de vezes. Não como Vito jovem. Faz as vezes de Sonny Corleone, papel que ficou com James Caan. (youtu.be/HFDE7tqTx0I) Também há Al Pacino sendo dirigido por Coppola. No vídeo os Coppola e Pacino de hoje comentam detalhes das cenas do passado. Há também cenas do ensaio de Pacino com Diane Keaton, como Kay Adams. (youtu.be/BBn8fpo6Wfw

 

BRANDO, SEMPRE 

Em uma conversa com a plateia há alguns anos, no Festival de Tribeca, em Nova York, Coppola foi perguntado pelo entrevistador sobre a única estrela da saga que não estava presente, Marlon Brando, e seu teste para ser Vito Corleone. Em quatro minutos, o diretor narra os bastidores de como conseguiu convencer o estúdio a aceitar o ator no filme e, o melhor para o apetite cinéfilo, como foi o teste. Talvez assim seja possível entender a saga e o talento desses mortos de fama. Haja cadáver. (youtu.be/oalzq8lruEk)  

 

É JORNALISTA E ESCRITOR, AUTOR DO INFANTIL ‘ZIIIM’ E DE ‘ENQUANTO ELES CHORAM, EU VENDO LENÇOS’

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