Joel C Ryan/Invision/AP
Joel C Ryan/Invision/AP

Catherine Deneuve defende Polanski e Woody Allen

A atriz Catherine Deneuve disse que não se vê como 'ícone do cinema' e disse que as feministas têm uma 'visão limitada'

Redação, AFP

30 de agosto de 2019 | 12h15

Em cartaz com Fête de Famille, Catherine Deneuve diz que não se vê como ícone do cinema e que adora surpreender, longe da imagem sofisticada que pode transparecer, e principalmente não hesita em assumir posições controversas, especialmente para defender Roman Polanski.

"Ícone do cinema? Francamente, não penso que eu seja isso. Muitas vezes ouço isso, muito por meio de jornais, revistas, fotos, mas só isso", declarou a estrela do cinema francês, cuja carreira começou há mais de 60 anos, em entrevista à AFP.

"Também há o fato de eu estar muito ligada a Yves Saint Laurent, por isso essa imagem mais sofisticada. Mas francamente não, como atriz, eu não sou assim. É apenas uma imagem", acrescenta.

Ela também diz que gosta de surpreender "em papéis um pouco inesperados", e que "nem tudo esteja escrito com antecedência". "Quero coisas que sinto que ainda não fiz", explica Catherine Deneuve, que se prepara para filmar em outubro o próximo filme de Emmanuelle Bercot De son vivant, com Benoît Magimel.

Em Fête de Famille, de Cédric Kahn, um drama familiar misturado com comédia, ela interpreta Andréa, uma mãe que recebe seus três filhos por seu aniversário na casa da família: sua filha mais velha instável e imprevisível Claire (Emmanuelle Bercot), e seus filhos Vincent (Cédric Kahn), de vida resolvida, e Romain (Vincent Macaigne), cheio de projetos caóticos.

A chegada de Claire, a quem ela não vê há três anos, vai perturbar essa reunião de família, resultando em tempestades e acertos de contas.

"O que eu gostei foi o roteiro, que achei extraordinário, com personagens que realmente existem", contou a atriz de 75 anos, que diz "adorar filmar com escritores, com cineastas que escrevem seus roteiros".

Este ano ela estreou os filmes L'Adieu à la nuit, de André Téchiné, e La Dernière folie de Claire Darling, de Julie Bertucelli, além de ter aberto na quarta-feira o Festival de Veneza no papel de uma atriz "muito excessiva" em La Vérité, do japonês Hirokazu Kore-Eda.

O Festival de Veneza este ano está sendo marcado pela presença polêmica em competição do último filme de Roman Polanski, J'Accuse, sobre o caso Dreyfus, cuja exibição oficial será esta noite.

Como o fez em outras ocasiões, a estrela não hesita em se indignar com as críticas das feministas contra a presença em competição do cineasta franco-polonês, acusado de estupro em 1977 de uma adolescente de 13 anos.

"Acho incrivelmente violento e totalmente excessivo", reagiu.

"O tempo passou", afirmou sobre o diretor de 86 anos, com quem filmou em 1965 Repulsa ao Sexo, estimando que "a maioria das pessoas não sabe a realidade de como as coisas aconteceram".

Enquanto se prepara para presidir na próxima semana o Festival de Cinema americano de Deauville, Catherine Deneuve também defende Woody Allen, cujo último filme, Um Dia de Chuva em Nova York, que não chegou a ser lançado nos cinemas devido a antigas acusações de agressão sexual, abrirá o evento.

"É o mesmo, é incrível", disse a atriz, afirmando que aceitaria, com certeza, filmar com o cineasta em um projeto que lhe convenha.

Nos Estados Unidos, "eles rapidamente disseram 'é o fim, banido', é preciso sair do país, sair da cidade, sair do cinema", lamenta a atriz, que também se posicionou contra-corrente do movimento #Metoo no início de 2018, assinando com cem mulheres um artigo defendendo "a liberdade de importunar". Ela então pediu desculpas às "vítimas de atos hediondos".

Para ela, "é preciso fazer a diferença entre o cineasta e a pessoa". "As feministas têm uma visão limitada", considerou.

 

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