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'Catedrais da Cultura' registra importantes pontos arquitetônicos em 3D

Longa é um dos destaques da repescagem da Mostra Internacional de Cinema

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2015 | 05h00

Berlim, no ano passado, abriu uma janela para o 3D, mostrando a contribuição de grandes autores à ferramenta que Hollywood tem utilizado somente para aumentar a excitação do público em cenas de perseguições. Diretores importantes como o italiano Bernardo Bertolucci e o alemão Wim Wenders juram que o 3D dá nova espessura à intimidade (o primeiro) e descortina um novo patamar para o documentário (o segundo).

Para ilustrar essas novas e infinitas possibilidades do 3D, a Berlinale de 2014 apresentou um filme que talvez se tenha perdido entre as 312 atrações – o total de títulos – da 39.ª Mostra, mas que agora pode ser recuperado na repescagem. Você não precisa ser arquiteto, mas digamos que seja – Catedrais de Cultura é o filme que ninguém, e os arquitetos muito menos, deve perder.

Na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2010, Wim Wenders, que ainda não fizera seu filme sobre Pina Bausch, testou a terceira dimensão num curta sobre um prédio do escritório japonês Sanaa, em Lausanne. Em Catedrais, Wenders foi o artífice que reuniu artistas de todo o mundo num projeto ambicioso. O grupo eclético, que inclui o brasileiro Karim Ainouz e o ator e diretor Robert Redford, tenta responder a uma questão aparentemente bizarra: se pudessem falar, o que diriam prédios emblemáticos do mundo?

É, ao mesmo tempo, um exercício poético e de especulação. Os prédios talvez não falassem como se comunicam com a gente no filme, mas a viagem – a experiência – pode ser das mais interessantes. Desde tempos muito distantes – as pirâmides do Egito, as catedrais góticas –, os prédios, e a arquiteturas, têm participado do esforço do homem para imprimir sua marca no mundo. É uma forma de vencer a morte – o tempo. O próprio Wenders assina o segmento – o filme dura cerca de três horas e é composto de episódios – dedicado à Filarmônica de Berlim. Infelizmente, não é um dos mais inspirados da série.

O de Karim Aïnouz, dedicado ao Beaubourg – o Centro Georges Pompidou, em Paris – é mais interessante. Como um estrangeiro (na França) filma um prédio que virou emblema cultural, e a representação de catedral de cultura do título? Curiosamente, a voz do Beaubourg, segundo Aïnouz, é a do diretor de arte Deyan Sudjic, também estrangeiro (como ele) e que se expressa em inglês. Os mais belos episódios são dedicados à Prisão Halden, na Noruega, e ao Salk Institute, em La Jolle, na Califórnia.

A prisão assemelha-se a um hotel de luxo, tal como é filmada por Michael Madsen, diretor local homônimo do ator de Hollywood. Arquitetura é a psicologia do espaço, ele diz, e o filme sobre a cadeia ilustra o conceito. O Salk Institute (de Estudos Biológicos) é a obra-prima de Louis Kahn. É formado por dois blocos que abrem espaço para um diálogo com a infinidade do oceano e do espaço. Redford fez um belíssimo trabalho. “O prédio é euclidiano, muito geométrico. Pedi a meu fotógrafo (Ed Lachman) que romantizasse seus ângulos, e ele o fez.”

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