Cate Blanchett rumo ao Oscar

É uma interpretação para o Oscar. Ron Howard bate três vezes na madeira. "Deus lhe ouça", diz parao repórter. A interpretação que merece o prêmio da Academia de Hollywood é a de Cate Blanchett em Missing, o novo filme do diretor de Uma Mente Brilhante, que estréia dia 19 nos EUA (eem janeiro no Brasil, como Desaparecida). Howard não pensa apenas na publicidade que a simples menção à estatueta garante. No casode Missing, ajudaria bastante, pois se trata de um western, com elementos de thriller, e o gênero, que completa este ano o seu centenário, não dispõe mais da popularidade do passado. OOscar para Cate seria, acima de tudo, uma questão de justiça. "She´s terrific": palavra de diretor.Meia hora mais tarde, é a própria Cate quem entra nasuíte do The Regency Hotel, em Park Avenue. É mais alta e maisbela do que parece nos filmes. E brinda o repórter com aquelesorriso que faz acreditar que, sim, a vida é bela. Cate não évoluptuosa. Seus cabelos claros - castanhos dourados -,forçando-se um pouco, poderiam fazer dela uma loira. Não é umalôraburra. É inteligente, espirituosa e transpira uma qualidaderara nas estrelas - Cate passa uma idéia muito forte dehumanidade. Ela está em Nova York para apenas dois dias deentrevistas, agendadas pela Columbia, que vai distribuir o filmede Howard no Brasil. Cate acaba de fazer O Aviador, o novoMartin Scorsese, com Leonardo DiCaprio no papel de HowardHughes. Sua participação no filme é pequena, mas a personagemque ela representa é imensa. Cate Blanchett faz a jovemKatharine Hepburn. Reconhece que se trata de um desafio e tanto,interpretar alguém que é um ícone da cultura de massas. "Oproblema nem é esse e sim, o fato de ela ser um ícone no mesmomeio em que eu trabalho", explica.Ninguém diz não para Scorsese, Cate comenta. E ajudabastante o fato de a fase da vida de Katharine Hepburn retratadaem O Aviador ser uma das menos conhecidas da carreira dagrande atriz. "Katharine surgiu espetacularmente nos anos 1930,ganhando seu primeiro Oscar por Manhã de Glória. E depoisvirou veneno de bilheteria, só ressurgindo quando fez a comédiaNúpcias de Escândalo, com direção de George Cukor, em 1940",ela explica. O Aviador situa-se justamente nessa fase detransição. A Kate de Cate é humana, apenas uma mulher em buscade seu caminho, confrontada com um homem tão poderoso quantocaprichoso.E Cate termina por revelar o segredo daquele sorriso demadona. Está grávida. Ainda não aparece, porque está entrando noterceiro mês, mas você faz as contas e antecipa que, se forindicada para o Oscar, estará no sétimo mês no fim de fevereiro- o Oscar de 2004 será antecipado em um mês. Sua personagem em Missing é uma mãe que tenta resgatara filha seqüestrada por apaches, no Texas, no fim do século 19.É ajudada por seu pai, um sujeito sempre ausente na vida dafilha, porque preferia viver como índio. Ron Howard diz que oprazer de trabalhar com atores como ela é que quase dispensaminstruções. "Ele disse isso?", pergunta Cate. "Ron talvez nãotenha percebido o quanto nos dirigiu. Atores são como músicos,precisam da batuta do maestro. O diretor é quem tem o filme nacabeça. Se ele não dá o tom, ficamos perdidos."

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