Stella Carvalho
Carla Diaz e Leonardo Bittencourt interpretam Suzane Von Richthofen e Daniel Cravinhos Stella Carvalho

Caso Suzane Von Richthofen inspira dois filmes: ‘A arte vem para debater’, declara Carla Diaz

‘A Menina Que Matou os Pais’ e ‘O Menino que Matou os Meus Pais’ retratam os diferentes depoimentos de Suzane e Daniel Cravinhos sobre crime, ocorrido em 2002

Bárbara Correa*, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2021 | 15h00

Os filmes A Menina Que Matou os Pais e O Menino que Matou os Meus Pais , que estreiam nesta sexta-feira, 24, na Amazon Prime Video, mostram diferentes pontos de vista do brutal assassinato de Manfred e Marisia von Richthofen. As produções são protagonizadas por Carla Diaz, que vive Suzane Richtfhofen, e Leonardo Bittencourt, intéprete do namorado dela, Daniel Cravinhos.

Em 2002, Suzane, filha do casal, e Cravinhos chocaram o Brasil quando se declararam culpados pelo crime. Enquanto A Menina Que Matou os Pais é inspirado no depoimento de Daniel, O Menino Que Matou Meus Pais baseia-se no de Suzane.

“A preparação para viver duas personagens tão diferentes foi intensa. E, além disso, tem a versão da personagem contada no tribunal, onde achamos que é outra construção também. Isso porque, além de mostrarmos o que aconteceu antes do crime e como era o relacionamento deles, naquele momento do julgamento, ela já foi presa e está com uma diferença de idade”, explicou Carla Diaz. 

Os roteiros têm como base informações contidas nos autos do processo, que terminou com a condenação do casal e do irmão de Daniel, Cristian. Os namorados foram sentenciados a 39 anos e seis meses, enquanto Cristian recebeu sentença de 38 anos e seis meses. 

Duas versões da mesma história

A criminóloga Ilana Casoy atuou como consultora para os longas e também auxiliou o escritor Raphael Montes a construir as histórias. Em entrevista ao Estadão, o roteirista explica que, como o caso já era muito conhecido, ele e a equipe decidiram contar o que houve antes do crime e, ao se deparar com as diferentes versões dos depoimentos, perceberam que fazer dois filmes iria possibilitar uma imersão inovadora na história.

“Há alguns elementos que eu desconhecia e acho que o grande público também. A gente quis fazer duas produções que fossem além do próprio caso, que tratassem de um drama humano, de uma tragédia humana”, afirma. 

O diretor Maurício Eça reitera que os filmes se completam. “Quando decidimos fazer os dois, percebemos que cada depoimento tem uma nuância. Há histórias que aparecem em um filme, mas não em outro. Cada um resolveu contar uma narrativa que defenda a sua verdade. Então, construímos esses dois longas como um quebra-cabeça que se encontra”.

“Outra coisa que resolvemos foi não filmar diferente, é como se fosse o mesmo estilo, da mesma história, só que duas versões distintas. Eu não podia usar imagens em tons mais quentes e outras mais frias, por exemplo. Então, quem dita o ritmo de cada filmagem são os próprios depoimentos”, acrescenta. 

'O filme não vem para trazer respostas, mas sim novos questionamentos'

Sobre os desafios de interpretar dois protagonistas, Carla Diaz e Leonardo Bittencourt revelaram que muitas cenas dos dois filmes foram gravadas no mesmo dia. “Nosso maior foco na construção dos personagens foram os estados emocionais. É uma história que todo mundo sabe o fim, mas ninguém sabe como foi conduzido”, conta a atriz. “Por isso, a gente precisava criar emoções distintas da mesma cena. Isso porque no mesmo dia que a gente gravava um filme e também filmamos o outro.” 

Para Leonardo, além do formato inovador, os filmes evidenciam um tema pouco debatido na sociedade. “É importante que a gente entenda que não foi um caso isolado há quase 20 anos. Tanto que, no próprio dia, aconteceram outros quatro crimes parecidos em São Paulo, mas a mídia deu mais atenção para esse. Os filmes não vêm para trazer respostas, mas novos questionamentos", explica. 

Carla compartilha quais são esses questionamentos: “A arte vem para debater. Então, crimes de filhos contra pais são mais comuns do que se imagina e por que isso não é questionado? Por que ainda acontece? Acredito também que as produções vêm para abrir mais o gênero de true crimes no Brasil, ainda pouco produzido aqui”.

Romantização?

“Muita gente perguntou: ‘vocês não estão romantizando essa história?’, ‘glamurizando os personagens?’. Pelo contrário, estamos mostrando do ponto de vista de quem viveu e gerando indagações pertinentes. Espero que o público entenda que os filmes precisam gerar questionamentos”, explica o diretor. 

Leonardo reitera ainda que a falta do conhecimento sobre o gênero faz com que as pessoas imaginem que, “para falar de um crime, era preciso contar como se fossem dois mocinhos, mas não se trata disso. Vamos trazer veracidade e fazer com que essa história seja contada com respeito, porque os familiares das pessoas que faleceram ainda estão vivos”.  Assista ao trailer:

*Estagiária sob supervisão de Charlise Morais

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Justiça nega pedido de liberdade de Suzane von Richthofen

Para juíza, detenta condenada pela morte dos pais não reúne condições de voltar ao convívio social e cumprir pena no regime aberto

Felipe Cordeiro e José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2018 | 19h43

SÃO PAULO E SOROCABA - A Justiça negou o pedido da detenta Suzane von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais, em 2002, para que pudesse cumprir o restante da pena em liberdade. A decisão foi dada no último dia 4 pela juiza Vânia Regina Gonçalves da Cunha, da Vara de Execuções Criminais de Taubaté. A magistrada levou em conta parecer do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) de que a presa ainda não reúne condições para voltar ao convívio social. A Defensoria Pública, que atende Suzane, vai entrar com recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Suzane já cumpriu mais de 15 anos de prisão e, desde 2015, está no regime semiaberto da Penitenciária Feminina de Tremembé. Nesse regime, ela tem a possibilidade de trabalhar e estudar fora da prisão, o que ainda não acontece porque a detenta aceitou trabalho no interior da unidade.

Há cerca de um ano, a Defensoria entrou com o pedido de progressão para o regime aberto, pelo qual a detenta cumpriria o resto do tempo da prisão em casa, mas o MP exigiu que ela fosse submetido a testes psicológicos.

Os laudos dos exames mostraram que Suzane tem personalidade egocêntrica, narcisista e influenciável por condutas violentas. Com base nos testes, a promotoria criminal recomendou que a detenta fosse mantida presa, ainda que em regime prisional mais brando.

Já a defesa alegou que as características apontadas pelos testes não indicam que a ré poderia voltar a cometer crimes, mas a juíza acompanhou o parecer da promotoria. Tanto a promotoria quanto a Defensoria Pública alegaram que não podem se manifestar porque o processo está em segredo de Justiça.

No regime semiaberto, Suzane tem direito a cinco saídas anuais - ela tem passado os dias livres com o namorado, um empresário de Angatuba, no sudoeste paulista.

Os irmãos Daniel e Christian Cravinhos, condenados junto com Suzane pelo assassinato do casal Manfred e Marisia von Richthofen, já saíram da prisão para cumprir o resto da pena no regime aberto. Christian, no entanto, voltou a ser preso em abril, em Sorocaba, por porte de munição e tentativa de subornar policiais

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Suzane Von Richthofen é autorizada a sair da prisão para fazer faculdade à noite

Após conseguir nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ela vai cursar Farmácia em uma universidade particular de Taubaté

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2021 | 18h50

SOROCABA – Condenada a 39 anos de prisão pela morte dos pais, a detenta Suzane Von Richthofen foi autorizada pela Justiça a cursar faculdade. Ela cumpre pena no regime semiaberto, na Penitenciária Feminina de Tremembé, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, e se valeu da nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para conseguir acesso ao ensino superior. Conforme o pedido feito pela defesa, Suzane vai cursar Farmácia em uma universidade particular de Taubaté, na mesma região.

A autorização foi dada na sexta-feira, 10, em decisão liminar assinada pelo desembargador José Damião Pinheiro Machado Cogan, da 5.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A liminar tem efeito imediato. Suzane deve iniciar as aulas nos próximos dias, com atraso, já que o curso teve início em 16 de agosto. Ela reservou matrícula para o período noturno, podendo sair da penitenciária às 17 horas e retornar às 23h55.

O pedido de Suzane para fazer faculdade recebeu parecer contrário do Ministério Público. A promotoria alegou que não haveria como garantir a segurança da detenta. A Justiça, no entanto, entendeu que ela preenche os requisitos para estudar fora da prisão e que deve ser tratada como os demais detentos. "Se o que a lei almeja é a reintegração social, não há razão para que a mesma fique sem frequentar a faculdade onde conseguiu a matrícula e financiamento de seu curso, tendo sido aprovada no Enem", escreveu Cogan.

Na mesma unidade prisional, outras detentas foram aprovadas no Enem para concorrer a vagas em cursos superiores ou participar de programas de incentivo ao estudante do governo federal. Procurada, a promotoria informou que não se manifestaria sobre o caso.

Presa desde 2004, Suzane está em regime semiaberto desde outubro de 2015, quando passou a ter direito a saídas temporárias. Com autorização da Justiça, a pessoa presa nessa condição pode trabalhar ou estudar fora da prisão.

Suzane vem tentando fazer faculdade desde 2016, quando foi autorizada a cursar Administração em universidade privada. Com medo do assédio, ela desistiu do curso. No ano seguinte, houve nova tentativa, seguida de nova desistência. Em 2020, Suzane conseguiu vaga no curso de gestão de turismo no Instituto Federal de Campos do Jordão, que fica a 42 km, mas dessa vez a Justiça não autorizou sua saída.

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Justiça de São Paulo nega pedido de liberdade a Cristian Cravinhos

Condenado pelo caso von Richthofen, ele se envolveu em uma briga de bar em 2018 e tentou subornar policiais militares para não ser levado à delegacia

João Ker, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2020 | 08h53

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo negou o pedido de liberdade feito por Cristian Cravinhos e o condenou a quatro anos e oito meses de reclusão e ao pagamento de 23 dias-multa. Ele está detido desde 18 de abril de 2018 por corrupção ativa, após ter tentado subornar policiais militares quando se envolveu em uma briga de bar. A decisão foi expedida na quarta-feira, 12, de forma unânime pela 11ª Câmara de Direito Criminal, que também negou pedido do Ministério Público para aumentar a pena de Cravinhos. 

A briga e posterior tentativa de suborno ocorreu enquanto Cravinhos cumpria sua condenação pelo assassinato do casal Manfred e Marísia von Richthofen em regime aberto. Em depoimento, os policiais militares envolvidos no caso afirmaram que o réu tentou oferecer R$ 1 mil para não ser levado à delegacia, pois tinha medo de ter a liberdade provisória revogada. Ele também teria afirmado que o irmão, Daniel Cravinhos, poderia repassar mais R$ 2 mil aos agentes.

Em decisão proferida em outubro de 2018, quando o caso ainda tramitava em 1ª instância, o texto reforça que Cravinhos foi flagrado a cerca de 100 quilômetros de seu município, em “posse de munição de uso restrito” e “oferecimento de dinheiro para que policiais evitassem ato de ofício, caracterizando corrupção ativa”. A sentença também negou a possibilidade de Justiça Gratuita, alegando que o réu “viajou quilômetros para esta cidade, numa motocicleta de alto valor, em posse de mil e quinhentos reais em espécie e de celular de padrão de consumo elevado”. 

De acordo com a sentença inicial, Cristian está condenado “até o longínquo ano de 2032”. Clique aqui e relembre os 10 momentos do caso Richthofen.

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Relembre 10 momentos do caso Richthofen

Cronologia do assassinato dos pais e condenação de Suzane

O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2015 | 11h34

Suzane von Richthofen disse recentemente em entrevista para a TV que premeditou o crime. Ela já havia confessado o crime em 2002, e agora diz que o plano não foi resolvido de véspera. Veja a cronologia do caso:

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Livro revela trama violenta da morte dos Richthofen

Jornalista Ullisses Campbell lança obra que conta como Suzane e os irmãos Cravinhos mataram Manfred e Marísia

Pablo Pereira, O Estado de S. Paulo

17 de janeiro de 2020 | 19h29

O relato que o jornalista Ullisses Campbell faz do assassinato do casal Marísia e Manfred Albert von Richthofen no livro Suzane Assassina e Manipuladora é de arrepiar. Num crime que marcou a história recente da crônica policial paulistana pela crueldade do ataque, a filha do casal, Suzane, foi condenada a 39 anos de prisão por planejar e ajudar a executar o macabro plano de matar o pai e a mãe a pauladas em outubro de 2002. 

A obra de Campbell, que será lançada pela Matrix Editora no dia 23, em São Paulo, foi liberada para publicação por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão de 18 de dezembro. O ministro negou censura prévia ao livro, pedida pela condenada, e cassou decisão da Justiça que impedia a chegada do livro às livrarias. 

“Houve manifesta restrição à liberdade de expressão”, escreveu o ministro do Supremo, cassando a proibição determinada em novembro. “A democracia não existirá e a livre participação política não florescerá onde a liberdade de expressão for ceifada”, justificou Moraes na sentença.

O livro lembra que quando foi assassinado, o engenheiro Manfred Albert von Richthofen tinha 49 anos e a mulher dele, Marísia, 50. O casal, pais também de Andreas, à época um adolescente, foi trucidado a pauladas dentro do quarto de dormir pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, ajudados por Suzane. Interrogados, os Cravinhos confessaram a barbárie poucos dias depois. Daniel era namorado de Suzane Louise von Richthofen, à época com 18 anos, e, segundo documentos do inquérito consultados pelo autor do livro, teve participação direta na trama que levou ao convencimento dos cúmplices e ao duplo assassinato.

Em dez capítulos, o livro de Campbell dá detalhes do início do namoro, das relações familiares daqueles dias e do planejamento das mortes. Reconstrói também os momentos chocantes da noite do crime e relata com minúcias os minutos de terror, desvendados pela investigação e pelas confissões, além de mostrar como os três condenados pela brutalidade viveram os últimos anos na cadeia.

Num trabalho de apuração de pelo menos três anos, o autor pesquisou nas seis mil páginas do processo, autos que estiveram disponíveis para consulta até maio de 2016, quando passaram ao sigilo. Ele entrevistou mais de 50 pessoas em presídios nos quais Suzane viveu e 16 agentes penitenciários e fez uma dúzia de visitas à Penitenciária Masculina de Tremembé, interior de São Paulo, onde falou com apenados e amigos dos Cravinhos, colegas deles na cadeia. O próprio Cristian, encarregado de destruir a cabeça de Marísia, enquanto Daniel matava Manfred, concedeu diversas entrevistas para o livro.

Uma dezena de profissionais especializados em psicologia forense também foi consultada na busca do entendimento da agressão fatal perpetrada pela filha contra os próprios pais. Suzane aparece nas fotos da reconstituição policial do crime, registros feitos para esclarecimento da ação de cada um dos acusados. Ela cumpriu 14 anos de prisão antes de passar ao regime semiaberto. Segundo o livro, a assassina planeja casar-se e morar em Angatuba, no interior paulista. Procurada diversas vezes pelo autor, a última em abril, negou-se a dar entrevistas sobre o crime. Depois tentou impedir a publicação da obra recorrendo à Justiça, o que exigiu o recurso ao STF para garantir a publicação.

Campbell, que fez reportagens sobre o caso para a revista Veja, conta ainda na obra que Suzane já foi submetida por pelo menos três vezes – a última delas em 2018 – a uma avaliação psiquiátrica pelo Teste de Rorschach, que analisa personalidade, validado pelo Conselho Federal de Psicologia e que “já foi obrigatório na admissão de delegados da Polícia Federal”. Foi reprovada em todos os testes.

Mesmo assim, lembra o autor, Suzane ganhou na Justiça o direito de cumprir a pena em regime semiaberto e vem tentando conseguir a condição de cumprimento do restante da condenação no regime aberto. Em suas justificativas, ressalta Campbell, Suzane, hoje com 36 anos, argumenta que não se considera “uma psicopata”. 

Obra segue formato do jornalismo literário

Com diálogos reconstruídos com base nos depoimentos na polícia e na Justiça e a partir de dezenas de entrevistas de pessoas ligadas diretamente ao crime ou que conviveram com os assassinos condenados na cadeia, o livro tem o formato do jornalismo literário, um estilo usado por autores consagrados do gênero, como os escritores Truman Capote e Gay Talese, ícones desse tipo de literatura. “O Cristian, por exemplo, ajudou muito com detalhes nas entrevistas, uma delas por oito horas”, explicou Ullisses Campbell, de 44 anos.

Formado pela Universidade Federal do Pará, o jornalista tem 24 anos de profissão como repórter. Campbell já ganhou três vezes o Prêmio Esso de Reportagem. Trabalhou nos jornais A Província do Pará, O Liberal e Correio Braziliense, além de fazer carreira na Editora Abril, onde foi repórter das revistas Superinteressante e Veja

O livro sobre a história da assassina confessa começou a nascer durante o trabalho de reportagem sobre o crime para a revista Veja, em 2016. De acordo com o autor, Suzane Assassina e Manipuladora é uma obra embasada na farta documentação existente sobre o caso nos tribunais e nas instituições prisionais, em laudos do Instituto Médico Legal, além de reunir dezenas de depoimentos de gente que conviveu com os presos. Campbell conta que somente na fase do prejulgamento, quando o Judiciário prepara o tribunal, documentos mostram que a própria Suzane produziu 400 páginas de relatos detalhados dos fatos.

Na construção da obra literária, o autor apelou ainda para peritos forenses ouvidos em busca de explicações para o que poderia ter levado a moça ao parricídio. Uma das dúvidas era exatamente o que levou ao plano de mortes. De acordo com o autor, psicólogos explicam que um assassinato é resultado de uma série de fatores combinados. Ele explica que, segundo especialistas no comportamento humano, para matar não basta o desejo de matar. É preciso haver a vontade de matar, um gatilho, ou seja, um fato desencadeador da violência, e, por fim, tratar-se de alguém com um perfil cultural determinado.

De acordo com o autor, Suzane falou com ele em pelo menos quatro oportunidades, mas não quis dar entrevistas. Nas conversas, porém, tentava identificar o conteúdo apurado, pedia detalhes e terminava por esclarecer fatos da narrativa.

SUZANE ASSASSINA E MANIPULADORA

Autor: Ullisses Campbell 

Editora: Matrix (280 págs., R$ 57)

Lançamento: Dia 23/1, 18h30, Livraria Cultura (Av. Paulista, 2.073)

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