Caso de HIV leva produções pornôs dos EUA a suspender filmagens

Por Alex Dobuzinskis

REUTERS

31 de agosto de 2011 | 11h50

LOS ANGELES (Reuters) -A produção de filmes pornográficos nos Estados Unidos foi em grande medida interrompida depois que uma entidade empresarial pediu uma moratória pelo fato de um ator desse segmento ter adquirido o vírus do HIV, disseram dirigentes do setor na terça-feira.

A moratória temporária, recomendada pela Coalizão para a Livre Expressão, entidade com sede em Los Angeles, foi pedida num momento em que defensores da saúde pública ampliam as reivindicações de maior aplicação das leis quanto à exigência de que os atores de filmes pornôs usem camisinhas nas gravações de cenas de sexo.

A coalizão disse ter tomado conhecimento no sábado de que um ator do setor, não identificado publicamente, testou inicialmente positivo para HIV. A entidade pediu uma ampla moratória na indústria de filmes pornográficos. O subúrbio de San Fernando Valley, em Los Angeles, na Califórnia, lidera a produção de películas desse segmento.

O ator recebeu um resultado preliminar positivo para o vírus, que causa a Aids, em uma unidade de saúde de outro estado. Segundo a entidade, será necessário um novo teste para confirmar se ele é soropositivo.

A diretora executiva da Coalizão, Diane Duke, disse acreditar que as produções pornôs tenham sido na maior parte fechadas em todo o país como resultado da moratória e afirmou não estar a par de empresas que se recusem a cumprir a determinação.

"Desde 1998 a indústria tem um sistema bem-sucedido de segurança e saúde, apesar da desinformação espalhada por nossos oponentes", afirmou a entidade em um comunicado.

Em 2010, um outro ator, Derrick Burts, testou positivo para HIV, o que também motivou o fechamento temporário das produções de filmes pornográficos.

Nos últimos anos, outros atores do cinema pornô contraíram o HIV, disse Brian Chase, assistente geral da Aids Healthcare Foundation, que estava organizando um abaixo-assinado para a realização de uma votação municipal em Los Angeles sobre a exigência de que os atores de filmes pornôs da cidade usem camisinha durante as filmagens.

Defensores da proposta dizem que as autoridades locais são as mais adequadas para garantir a aplicação dessa medida.

A lei da Califórnia e as normas federais de segurança no trabalho requerem o uso de camisinhas por atores de filmes pornôs que troquem fluidos corporais por meio do sexo, mas a indústria cinematográfica vem de modo geral ignorando essas determinações, disse Chase.

As empresas alegam que isso as forçaria a operar clandestinamente ou ter de se transferir para outros países, o que elevaria os riscos à saúde.

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