Chris Pizzello/Invision/AP
Chris Pizzello/Invision/AP

Caso de assédio a Eliza Dushku, quando tinha 12 anos, abala Hollywood

Atriz acusa o dublê Joel Kramer em caso ocorrido durante filmagens de 'True Lies'

EFE

15 Janeiro 2018 | 16h57

A agência Worldwide Production Agency informou nesta segunda-feira, 15, que deixará de representar o dublê de Hollywood Joel Kramer, após a atriz Eliza Dushku acusá-lo de assédio sexual durante a produção do filme True Lies (1994), quando ela tinha apenas 12 anos.

A agência de talentos "escolheu se separar" de Kramer com base nas acusações reveladas no fim de semana pela atriz, de acordo com um comunicado enviado à revista Deadline.

"Tal comportamento é inaceitável e totalmente em desacordo com os padrões de conduta que exigimos de nós mesmos e esperamos dos nossos clientes", disse Richard Caleel, presidente e assessor-geral da agência.

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Em uma publicação no Facebook, Eliza acusou Kramer de abusar sexualmente dela em um hotel de Miami (EUA) quando ela tinha 12 anos e ele 36, época em que ambos participaram das filmagens de True Lies, dirigido por James Cameron e protagonizado por Arnold Schwarzenegger e Jamie Lee Curtis.

A atriz descreveu que Kramer, que era o coordenador de dublês do filme, tinha ganhado "metodicamente" a confiança dos seus pais durante meses, antes de se oferecer para levá-la para nadar em um hotel com piscina e depois provar o seu primeiro sushi.

"Lembro vividamente de como metodicamente criou as sombras e apagou as luzes; como colocou ar condicionado em níveis que pareciam de congelamento; de onde me colocou exatamente em uma das duas camas do quarto do hotel, que filme colocou na televisão (Cônicos & Cômicos); como desapareceu no banheiro e saiu, nu, sem nada mais que uma pequena toalha de mão que ficava curta na metade do seu corpo", relatou a atriz.

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"Lembro de como me deitou na cama, me envolveu com o seu gigantesco corpo que se retorcia e se esfregou em mim. Ele pronunciou estas palavras: 'Não vai dormir agora, querida, pare de fingir que está dormindo', enquanto se esfregava mais forte e mais rápido contra o meu corpo catatônico. Quando tinha 'terminado', sugeriu: 'Acho que devemos ter cuidado... (sobre dizer a alguém o que tinha acontecido)'", continuou.

Eliza, que agora tem 37 anos, agradeceu a outros homens e mulheres no mundo de Hollywood por terem quebrado o tabu de narrar estes episódios, e lamentou que naquele momento seus pais, a quem contou o que aconteceu, não tenham sabido como agir.

Kramer disse que as acusações são "totalmente falsas" em declarações ao jornal The Huffington Post.

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"Estas denúncias são uma invenção bem elaborada pela Sra. Dushku. Não entendo o que motivou a Sra. Dushku a fazer esta declaração e espero que possa encontrar sua consciência para corrigir esta injustiça e devolver o meu bom nome", acrescentou o dublê.

A atriz Jamie Lee Curtis explicou em uma coluna no mesmo jornal que Eliza tinha lhe contado o incidente há alguns anos.

"Todos começamos a acordar diante do fato de que estes terríveis abusos, que agora têm se tornado comuns nas notícias diárias, aconteceram durante muito tempo", disse a atriz.

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"A história de Eliza agora nos despertou do nosso sonho de negação para uma realidade nova e horrível. O abuso a crianças", afirmou.

Por sua vez, o diretor James Cameron disse que se tivesse sabido do ocorrido "não teria tido misericórdia" de Kramer.

"Obviamente, Eliza é muito corajosa por falar e acredito que são todas as mulheres que estão falando e pedindo uma prestação de contas agora", acrescentou o cineasta.

 

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