"Cascalho" surpreende no Festival de Brasília

O longa-metragem Cascalho, de Tuna Espinheira, era esperado com ceticismo no Festival de Brasília, mas acabou se revelando pelo menos digno. Baseado na obra de Herberto Sales, fala da ambição no garimpo da região da Chapada Diamantina. Bons atores e uma fotografia de classe fazem com que o filme contorne alguns problemas de narrativa. Às vezes, ele se dispersa, mas no fim reencontra suas idéias centrais: o preço da cobiça e os efeitos do mandonismo no interior brasileiro. Já Peões, de Eduardo Coutinho, o mais esperado dos concorrentes, sensibilizou a platéia do Cine Brasília, mas não a levou ao delírio. Continua como um dos favoritos para vencer o festival, mas, junto ao público, não causou o mesmo efeito de Cabra-Cega, de Toni Venturi. Curtas - Enjaulados, de Luiz Montes, encena, de maneira econômica o encontro entre um policial e um possível suspeito. Viva Cassiano!, média-metragem de Bernardo Bernardes, vive do carisma do seu personagem, o poeta Cassiano Nunes, santista radicado em Brasília desde os anos 60 e queridíssimo na cidade. Jogando em casa, o filme recebeu verdadeira ovação. Messalina, de Cristiane Oliveira, traz tema difícil, as fantasias eróticas de uma moça cega, e O Último Raio de Sol, de Bruno Torres, vai por caminho complicado. Conta a história de dois filhinhos de papai brasilienses que saem para zoar e acabam se dando mal. O fim catártico e o correspondente delírio da galera mostram que a idéia de combater a violência com violência continua tentadora na sociedade brasileira. Após Terra em Transe, obra-prima de Glauber Rocha apresentada em cópia recuperada, foi a vez de País de São Saruê, de Vladimir Carvalho, ocupar a tela do Cine Brasília à tarde. O documentário de Vladimir também esteve ameaçado de extinção e volta agora, parcialmente restaurado. A mostra competitiva segue hoje com a apresentação do longa-metragem Diabo a Quatro, de Alice Andrade, e dos curtas Formigas, de Verônica Guedes, e Desequilíbrio, de Francisco Garcia.

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