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Carolina Jabor chorou com o cão sem dono em 'Boa Sorte'

Transformar o garoto num animalzinho carente foi a grande sacada do roteiro que Jorge Furtado adaptou de seu conto

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2014 | 16h00

Carolina Jabor começou a trabalhar em Boa Sorte em 2010. Filmou em 2012. Estreia em 2014. Ainda não tem o número de salas, mas, se depender dos distribuidores e exibidores, Boa Sorte sai na próxima quinta, dia 20, com um mínimo de 120 salas. O nome de Deborah Secco é chamariz. Carolina conseguiu que Cássia Kiss, Enrique Diaz e Fernanda Montenegro fizessem papéis pequenos pelo prazer de estar no filme. Cássia lhe disse que era um filme importante, no qual queria estar, por causa da questão das drogas lícitas. São grandes atores e atrizes, mas a Deborah...

“É extraordinária.” Quando começou a pensar no elenco, o nome de Deborah logo surgiu. A atriz, que já sonhava com a personagem, ao descobrir que Carolina ia filmar, se antecipou. “Ela chegou antes de eu ir.” Fez uma leitura dramática. “Precisava ter certeza”, explica a diretora. Se dúvidas tinha, dissiparam-se ali. Filha do cineasta e cronista do Caderno 2 Arnaldo Jabor, Carolina assume que deve muito ao pai. “Publicidade e TV dão a técnica, o controle da equipe. Não dão a dramaturgia, mas isso aprendi com ele, que me ensinou a amar a beleza das coisas.”

Como diretora, tinha ideias um tanto vagas. “Queria fazer um filme de tema contemporâneo, que fosse urbano. E que tivesse adolescentes, para retratar o mundo atual.” No conto e, depois, no roteiro de Jorge Furtado – quando Frontal com Fanta virou Boa Sorte –, encontrou tudo isso. Amou, e chorou, quando Jorge e o filho Pedro, como roteiristas, transformam o protagonista masculino, João, no cachorrinho de Judite, na redação que ela faz para seu diário. Mas Carolina temia por uma coisa que também estava no roteiro. “O Jorge tinha aquela rubrica. Corta para a animação.” Animação? Salvou-a amiga ilustradora Rita Wainer, que fez os desenhos quadro a quadro. “Rita me disse que não tinha tempo. Retruquei que tinha de ser ela.” Os desenhos de Rita, feitos quando ela chorava de dor por causa de uma hérnia, foram animados artesanalmente por Paulo Muppet. “Ficaram lindos.”

A psicanalista de Carolina leu o roteiro. “Disse que conhecia um monte de jovens como o João. Me exortou a fazer o filme realista, humanista.” Uma história de amor improvável. João tem 17 anos, Judite, 30. Nada deveria aproximá-los, se não se encontrassem naquele lugar. João Pedro Zappa também é talentoso – e maravilhoso. Muita gente tem vindo dizer a Carolina – o próprio repórter – que se emociona a ponto de chorar. Ela vibra. Dirigiu grávida de seis meses. Nasceu Alice, de um ano e meio, irmã de João, de 7. Como filme de amor, Carolina poderia dedicar a eles Boa Sorte.

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