Carlos Reichenbach apresenta 'Falsa Loura' em Fortaleza

Longa-metragem estréia na competição do Cine Ceará

Luiz Zanin Oricchio, enviado especial de O Estado de S. Paulo,

08 de abril de 2014 | 21h42

A maior surpresa da noite foi quando o diretor Carlos Reichenbach surgiu no palco do Cine São Luiz, para apresentar seu filme, com uma belíssima peruca loura na cabeça. "É que não consegui nenhuma atriz para vir ao Ceará; estão todas ocupadas com novelas e gravações", justificou-se, em meio às risadas do público. A performance foi engraçada, mas claro, todos teriam preferido ver ao vivo a estupenda Rosanne Mulholland, que faz o papel principal em 'Falsa Loura', o mais recente longa-metragem de Carlão, e que disputa os prêmios aqui em Fortaleza.  Veja também:  Acompanhe a cobertura do Cine Ceará no blog do Zanin Veja programação completa do evento O filme foi visto com interesse pela platéia, mas não se pode dizer que ela tenha exultado. Aplaudiu, mas não muito. Vamos ser justos; não houve frieza, mas pouco entusiasmo, uma diferença sutil, mas que existe. Para a produção, pode ser uma reação preocupante. Afinal, 'Falsa Loura' se quer um filme de apelo popular e, como se sabe, os tempos não andam fáceis para o cinema nacional em termos do seu relacionamento com o público.  Dito isso, deve-se acrescentar que, revisto, Falsa Loura confirma suas melhores qualidades, e alguns problemas. Se aqui e ali os diálogos e o roteiro deixam a desejar, a câmera é sempre muito inventiva, atingindo seu ápice nas seqüências finais quando Silmara (Rosanne) vai a uma fazenda onde será confrontada com aquilo que tentara evitar durante toda a história. Qual era o problema de Silmara? Exercer a sua sexualidade de maneira livre sem por isso se tornar o que no passado se chamava de "moça fácil". Essas "moças fáceis", em tempos difíceis, acabam abraçando aquela que é conhecida como a mais antiga das profissões. Mas você irá encontrar quase de tudo num filme de Carlão Reichenbach, menos o travo moralista. Afinal, o diretor é um libertário; seu compromisso de juventude com as idéias anarquistas o leva sempre para o lado daqueles que são os mais fracos na ordem social. Sem que por isso faça qualquer discurso demagógico.  Como disse o diretor, "foi a grandeza e a dignidade da interpretação de Rosanne" que acabou por conduzir o filme. E, de fato, essa moça pobre e linda, que mora na periferia, tem pai ex-presidiário, e se encanta por dois cantores populares, tinha tudo para ser um melodrama daqueles. Não fosse o fato de Silmara enfrentar o que lhe acontece de frente, e sempre com a cabeça erguida. O filme é fiel ao captar essa dignidade das classes populares, mesmo num tempo em que causas coletivas foram perdidas e arquivadas. Falsa Loura é um filme de resistência. Belo filme. O repórter viajou a convite da organização dofestival

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