Carlos Gerbase lança guia prático para atores

O cineasta gaúcho Carlos Gerbase preparava-se para ministrar um curso sobre direção de atores no cinema, em Porto Alegre, quando percebeu que reunira um material importante. "Os interessados em buscar algum apoio bibliográfico normalmente encontravam textos muito teóricos e pouco práticos", comenta. "Assim, reuni minha coleção de notas e escrevi um livro." O resultado é Cinema - Direção de Atores (Artes e Ofícios Editora, 128 páginas, R$ 26), que será lançado hoje, a partir das 19h30, no Espaço Unibanco de Cinema. Trata-se de um guia prático, em que todos os momentos de uma filmagem (desde a leitura do roteiro até a mixagem) são detalhados por Gerbase, que já dirigiu treze filmes, entre eles os longas Tolerância, Verdes Anos e Inverno. O princípio básico é definido logo na introdução - enquanto alguns cineastas, como Woody Allen, preferem não ensaiar o elenco e entregam para os atores apenas as cenas em que vão trabalhar, outros, como Gerbase, consideram os atores parte integrante - e fundamental - do núcleo criativo. "Eles podem ter boas idéias que, por mais simples, como interpretar uma cena em pé ao invés de sentado, só engrandecem o processo." Gerbase está acostumado com palestras, portanto, conhece bem o caminho didático que realmente seja produtivo. Assim, dividiu seu livro em três tópicos (antes de rodar, rodando, e depois de rodar) que mapeiam todas as possíveis situações pertinentes a uma filmagem. Eis um ponto essencial: "O diretor tem de antecipar os problemas antes de chegar ao set, caso contrário terá sérios problemas", acredita. A relação com os atores necessita ser boa. Caso algum deles não se sinta atraído pelo seu personagem, ou mesmo pela concepção da direção, isso precisa ser identificado no período de ensaios. Gerbase defende a idéia de que uma troca de ator é a melhor solução quando surgem grandes atritos. O cineasta também acredita na freqüência de tomadas de uma mesma cena. "Os atores normalmente consideram as duas primeiras rodadas como as melhores, por terem atuado mais naturalmente", comenta. "Por outro lado, há cenas que pedem um ator exausto e isso só é plenamente conquistado depois de muitas tentativas." Gerbase vê com bons olhos a chegada de diretores ao cinema depois de uma longa carreira na televisão. "Apesar das críticas ao maneirismos, muitos, como Guel Arraes, provam que são excelentes no cinema e na tevê", diz. "Prefiro alguém que tenha boa estética televisiva que um diretor com uma estética cinematográfica ruim." Cinema - Direção de Atores. De Carlos Gerbase. Artes e Ofícios Editora. 128 páginas. R$ 26,00. Hoje, a partir das 19h30. Espaço Unibanco de Cinema. Rua Augusta, 1.475, tel. 3266-5115

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