Carioca Bruno Campos assina com a Miramax

Além de se tornar marca-registrada da companhia produzir filmes de terror e com baixo orçamento, a Dimension, subselo da Miramax (estúdio que produziu O Paciente Inglês e A Vida é Bela) vem especializando-se na contratação de atores brasileiros. Depois de colocar Sônia Braga como uma vampira no filme Um Drink no Inferno 3 - A Filha do Carrasco, uma produção de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, agora é a vez do carioca Bruno Campos ser recrutado pela Dimension.Campos é um dos protagonistas do longa Hardshell, continuação do filme de terror Mutação (Mimic), estrelado por Mira Sorvino e o ator inglês Jeremy Northam e dirigido pelo mexicano Guillermo Del Toro, em 1997. A produção marca a estréia de Campos em seu primeiro filme made in Hollywood. Em 1995, o ator interpretou um imigrante italiano que se estabelece no Sul brasileiro no longa O Quatrilho, de Fábio Barreto, que conseguiu uma indicação para o Oscar de melhor filme estrangeiro.Hardshell também é o début do diretor de fotografia Jean de Segonac na direção e, além de Campos, o filme é estrelado pela atriz Alix Koromzay, que já havia tido uma participação em Mutação. O filme, cuja rodagem encerrou-se no começo de maio e ainda não tem data certa de estréia no mercado americano, conta a história de um inseto mutante que, no primeiro filme, aterrorizava os usuários do metrô de Nova York. Campos interpreta o detetive que investiga uma nova série de crimes inexplicáveis na cidade."Devo confessar que não sou muito fã do gênero de terror", explica o ator em entrevista ao Estadao.com.br, falando por telefone de sua casa no Vale de São Fernando, na Califórnia. "Mas, além de ser meu primeiro longa, trabalhar nessa produção iria estabelecer um three picture deal entre a Miramax e eu".Como diz o nome, o contrato three picture deal prevê para Campos três projetos com a Miramax. Com o primeiro já realizado, o ator agora estuda novas possibilidades por entre os roteiros desenvolvidos pela companhia, com sede no bairro de TriBeCa, em Nova York. Campos acabou de fazer testes para um dos papéis principais do filme Drácula 2000, produção de Wes Craven a ser estrelada pelo ator canadense Christopher Plummer (visto recentemente ao lado de Al Pacino e Russell Crowe, em O Informante). O filme será dirigido por Patrick Lussier, montador e pupilo de Craven, já tendo editado os filmes de terror Pânico 2 e 3 e o drama Música do Coração, com Meryl Streep.Campos também está para assinar novo contrato com a Warner Bros. Television, companhia que produziu o recém-cancelado sitcom de TV Jesse, onde o ator interpretava o don juan chileno Diego Rivera, par romântico da atriz Christina Applegate. A série Jesse abriu as portas para Campos na indústria do showbizz americano. Além de ficar duas temporadas no ar, o carioca recebeu boas críticas do New York Times (que o chamou de o novo Antonio Banderas), foi eleito um dos rostos mais bonitos da televisão americana pela revista TV Guide e chegou até a receber um prêmio de melhor ator no ano passado, o ALMA, o Oscar dos artistas latinos em atividade nos EUA. Neste ano, o carioca foi novamente indicado para o prêmio. "Participar do elenco de Jesse foi uma das melhores oportunidades que poderia ter", explica Campos. "Por ser um ator iniciante na indústria americana, o programa me deu reconhecimento e garantiu-me segurança financeira", explica.Apesar do pedigree que a indicação para o Oscar de O Quatrilho ofereceu para Campos nos EUA, além de uma passagem pela companhia teatral Goodman Theater, a entrada do ator em Hollywood não foi fácil. "Quando me mudei para Los Angeles, em 1996, nada pintava", explica. Também meu dinheiro estava acabando e meu visto expirando", continua. "Ficava sentado esperando o telefone tocar com algum resultado positivo de um teste, até que finalmente pintou um encontro com um dos chefões da WB TV".Vestindo um terno que havia comprado para um casamento oito anos antes, Campos foi encontrar-se com o executivo Tony Jonas. "Cheguei até ele e expliquei que não tinha vindo aos EUA para falhar", lembra. "E ainda falei que não iria embora sem um emprego na mão", continua. "E o executivo disse: ?você não vai embora dos EUA?!´ E retruquei: ´Não, não saio de sua sala sem um emprego hoje!´".A petulância do carioca conquistou Jonas que assinou um contrato com Campos. Seu primeiro papel foi na minissérie O Último Chefão (The Last Don), estrelada por Danny Aiello, Joe Mantegna, Darryl Hannah e a cantora k.d. lang, em 97. Bruno também fez participações nos seriados Cybill (com Cybill Shepard) e Suddenly Susan (com Brooke Shields). Mas foi com Jesse, em 98, que Campos tornou-se um ator conhecido no meio televisivo. "É uma audiência de 20 milhões", aponta o ator que interpretou o chileno Diego no sitcom. "Uma vez fui a um festival de Jazz em New Orleans com minha ex-namorada (a atriz Paula Marshall) e algumas senhoras da mesa ao lado me reconheceram", explica. "Quando levantei, uma delas deu um apertão em minha bunda, dizendo: ai, Diego!"Apesar de estar estabelecido em Los Angeles, Bruno revela que sua turma não é composta de tipos famosos de Hollywood. "Ei, isso é para o Leonardo DiCaprio", diz. "Meus amigos são os mesmos da universidade (Campos estudou na Northwestern University) e, recentemente, algumas pessoas da equipe técnica do filme Hardshell", continua. "Não vivo de freqüentar a casa de outros atores". Nas duas temporadas de Jesse, Campos, como qualquer outro ator trabalhando na TV americana, só tinha alguns meses reservados para fazer filme. "É uma luta livre durante esses três meses: todo mundo testando para os mesmos papéis", explica. Nesses intervalos, Campos fez um teste para contracenar com George Clooney no blockbuster Mar em Fúria (The Perfect Storm), que tem lançamento marcado para os EUA no final de junho, mas não conseguiu o papel..Campos também encontrou-se com a diretora venezuelana Fina Torres para interpretar o marido brasileiro de Penélope Cruz em Woman on Top. "Li o roteiro, mas nós chegamos a conclusão de que o papel não era para mim", diz o ator sobre o personagem que foi submetido então à Murilo Benício. Recentemente, Campos fez outro teste para o cineasta finlandês Renny Harlin, que procura um brasileiro com inglês perfeito para interpretar um piloto de corridas em Champs, seu filme sobre os bastidores da Fórmula Indy, a ser estrelado por Sylvester Stallone.

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