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Carey Mulligan e sua paixão por heroínas literárias

Indicada para o Oscar 2010, jovem atriz fala sobre sua predileção por grandes personagens da literatura

Piya Sinha-Roy, Reuters

31 de dezembro de 2013 | 10h51

A atriz Carey Mulligan desempenhou uma série extremamente variada de papéis, desde a estudante ingênua em Educação até a problemática mãe solteira do filme Drive e a coquete Daisy Buchanan no Grande Gatsby, deste ano.

Londrina de 28 anos ela se notabilizou pelo seu papel de grande sucesso em Educação, como a estudante inteligente, mas inocente, no drama que trata da passagem da adolescência para a vida madura. A interpretação lhe valeu uma indicação para o Oscar de melhor atriz em 2010.

Desde então, ela se tornou uma das jovens atrizes mais procuradas e, recentemente, foi escolhida pelos diretores Joel e Ethan Coen para o filme Inside Llewyin Davis (Balada de um Homem Só), no qual faz o papel coadjuvante Jean, ao lado do astro Oscar Isaac.

Em entrevista, Carey Mulligan fala sobre a experiência de cantar com Justin Timberlake. Diz como se sente ao interpretar grandes nomes da literatura feminina e destaca o seu papel mais desafiador até agora.

O que a atraiu no papel da rebelde Jean?

A razão dos irmãos Coen terem me chamado para um teste para o filme é que não tinham me visto interpretar um papel como este anteriormente. A personagem é uma figura exasperada e turbulenta, mas você pode ver que, por trás disso, existe uma relação íntima entre os dois (Jean e Llewyn). Uma personagem brilhantemente concebida.

Você canta com Justin Timberlake no filme. Como foi?

De início, fiquei angustiada. Tivemos uma semana de ensaios. Foi quando nos reunimos e encontrei pela primeira vez Justin e T. Bone Burnett, que orquestrou o filme. Eles foram adoráveis. Justin me incentivou muito e me fez sentir à vontade. Entramos tanto no espírito do trio, o nosso tributo a Peter, Paul & Mary, que esqueci todo o nervosismo na hora de filmar.

Você diz que não é cantora, mas já mostrou seu talento no filme Shame, de 2011. Cantar é algo que pretende fazer mais?

Não, é um pouco estranho. Cantei no coro da escola e, bem mais jovem, participei de uma peça musical. Mas esses papéis simplesmente apareceram. Shame está relativamente próximo de Inside Llewyn Davis e, por acaso, os dois filmes têm cenas de canto. A música faz parte da vida dos personagens, mas não é algo que eu faria fora do filme.

Quer dizer que não há nenhum álbum em vista?

Nenhum. Vou poupar todo mundo.

Você interpretou algumas grandes mulheres do mundo da literatura: Kitty Bennet, em Orgulho e Preconceito, de 2005, Daisy Buchanan, no Grande Gatsby este ano, e Bathsheba Everdene, na versão do filme Longe desse Insensato Mundo. Você sente alguma pressão ao viver essas personagens?

Uma pressão enorme. Adoro trabalhar em filmes que são adaptações de romances porque, neste caso, você tem muito material com o qual trabalhar e é muito interessante e divertido reviver a história. As personagens descritas nessas grandes obras de literatura são realmente extraordinárias. Bathsheba, por exemplo, é uma personagem muito louca e as coisas que viveu são fantásticas.

Como você escolhe os papéis depois de ser indicada ao Oscar de melhor atriz em 2010?

A indicação me deu a oportunidade de parar um segundo e pensar no que gostaria de fazer. Percebi que trabalhar sem parar, o que vinha fazendo, não era bom para mim nem para meu trabalho. Comecei a escolher papéis que fossem realmente únicos e excepcionais, aqueles que não poderia suportar a ideia de uma outra pessoa interpretar e é assim que as coisas são.

Qual foi o seu maior desafio até agora? 

Provavelmente foi atuar em Longe desse Insensato Mundo, que acabamos de filmar. Não interpretava um papel principal havia algum tempo. Tive grandes papéis de coadjuvante em filmes, como Inside Llewyn Davis. Portanto, esqueci como o trabalho é intenso nesses casos. Acabou, realmente, exigindo muito de mim fisicamente. A personagem é insana. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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