Chritophe Karaba/EFE
Chritophe Karaba/EFE

Cannes traz o francês Amalric e o chinês Xiashuai

Striptease debochado pelo interior da França e drama social abrem competição no festival

13 de maio de 2010 | 19h52

CANNES (EFE) - Um filme francês com ar de documentário sobre um grupo de strippers de estilo debochado, "Tournée", e outro chinês sobre o drama de um pai que tenta entender a morte de seu filho, "Rizhao Chongqing", abriram nesta quinta a seção oficial de Cannes.

 

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Dois filmes muito diferentes, nos dois casos bem recebidos, mas sem grandes elogios, inauguraram o primeiro dia de projeções das obras candidatas à Palma de Ouro do 63º do Festival de Cannes.

 

"Tournée", a estreia do ator francês Mathieu Amalric, é uma história fracassada que conta a viagem de um grupo de artistas americanos que se dedicam a um gênero bastante peculiar, o striptease debochado, uma mistura de striptease tradicional com o de cabaré.

 

Artistas que interpretam a si mesmos em uma história na qual Amalric é o manager do grupo em sua viagem pela França e com a qual, como diretor, trata de fazer um retrato fiel de personagens atraentes, mas sem se aprofundar.

 

Apesar de que o ator/diretor ressaltou na entrevista coletiva que buscou o lado documental da história para mostrar "cada personagem com seu passado", o certo é que o resultado ficou superficial e beira o grotesco.

 

O que ficou claro na entrevista coletiva é que os atores americanos que participaram do filme são bem mais do que Amalric conseguiu mostrar na tela.

 

Mimi Le Meaux, Kitten on the Keys, Dirty Martini, Julie Atlas Muz, Evie Lovelle e Rocky Roulette - o único homem do elenco de strippers do filme - formam um interessante grupo de personagens reais que estavam hoje na sala de imprensa de Cannes como se estivessem em um teatro.

 

"Estamos nos sentindo como as cinderelas no baile", afirmou Kitten on the Keys entre os risos e os assentimentos de suas companheiras.

 

Um grupo de mulheres que defendeu o gênero artístico ao que se dedicam como expressão de sua liberdade e de sua feminilidade e como forma de destruir estereótipos, como a imagem da mulher que habitualmente projetam os homens.

 

"Somos feministas, somos mulheres, somos preocupadas com o status da mulher no mundo. Mas também adoramos o burlesco, com o que mostramos às mulheres como é possível mostrara sua sexualidade", explicou Dirty Martini.

 

Atrizes estreantes no cinema, mas que fizeram um trabalho "extraordinário", nas palavras de Amalric, que ressaltou sua espontaneidade e sua "extraordinária liberdade".

 

Drama chinês - O primeiro filme francês dos quatro que serão apresentados na competição em Cannes nada tem a ver com a obra apresentada hoje pelo cineasta chinês Wang Xiashuai.

 

"Rizhao Chongqing" narra a história de um homem (Lin) que retorna para sua cidade natal após 14 anos de ausência, deixando para trás mulher e filho.

 

Filho que morreu por disparos de um policial após ferir várias pessoas e tomar uma mulher como refém em um incidente obscuro, que ocorreu em um supermercado.

 

Um inexpressivo Wang Xueqi dá vida a este homem que tenta entender a morte do filho meses depois do ocorrido, já que é capitão de navio e passa longas temporadas no mar.

 

A busca de explicações para tentar entender o que ocorreu exatamente e por que seu filho se comportou de forma violenta que o levou à morte é a história que narra Wang Xiashuai, em um filme com uma colocação interessante, mas muito arrastada.

 

O diretor mistura as imagens do percurso do pai com a cena do que ocorreu no supermercado filmado por uma câmara de vigilância de baixa resolução.

 

Um desencontro entre pai e filho e uma fratura geracional, baseada em fatos reais, que servem ao diretor para "refletir sobre esse tipo de fatos, que aparecem a cada dia nos meios de comunicação".

 

"Através desse fato, fazemos uma investigação sobre nós mesmos (....) e, a partir disso, uma investigação sobre a sociedade chinesa", explicou Wang na apresentação do filme em Cannes.

 

Fan Bingbing, uma das protagonistas do filme, assinalou as dificuldades da sociedade chinesa, onde a relação entre pais e filhos é em alguns casos inexistente.

 

"Através deste filme espero que as pessoas parem para refletir", acrescentou a atriz.

 

São duas primeiras mostras da variedade que impera entre os 19 filmes da seção oficial de Cannes, que amanhã ficará em segundo plano para a exibição dos filmes mais esperados desta edição, a segunda parte de "Wall Street", que será exibido fora da competição.

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