Cannes recebe novo Indiana Jones após 20 anos de espera

Harrison Ford, Cate Blanchett e Spielberg causam alvoroço na pré-estréia mundial do quarto filme da série

Flávia Guerra, enviada especial,

08 de maio de 2018 | 15h04

Aconteceu o que já se previa no mundo do cinema. Cannes acordou em polvorosa para assistir finalmente Indiana Jones e a Caveira de Cristal, o quarto filme da série, que estréia na próxima quinta-feira, 22, no Brasil. A presença do diretor Steven Spielberg, do produtor George Lucas e dos astros Harrison Ford e Shia Labeouf (de Transformers), Cate Blanchett e John Hurt e Karen Allen congestionou completamente a Croisette, avenida à beira-mar que fica em frente ao Palais du Festival, local onde são realizadas as sessões de gala.   Veja também: Teste seus conhecimentos sobre o Festival de Cannes  Confira os filmes da competição principal em Cannes 2008   Acompanhe o evento pelo blog do Merten    Porém, o filme propriamente dito recebeu mais aplausos quando estreou no cinema do que agora que está prestes a abandoná-lo, já que este pode ser o último episódio da série. A Caveira de Cristal teve uma recepção respeitosa, mas não deslumbrou o público do 61.º Festival Internacional do Cinema de Cannes, como as versões anteriores: Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida, 1981; Indiana Jones e o Templo da Perdição, 1984; Indiana Jones e a Última Cruzada, 1989.   O novo filme, produzido pela Paramount, custou a bagatela de US$ 400 milhões, e traz Indiana para o ano de 1957, em plena Guerra Fria. A platéia brasileira vai se irritar, no mínimo, com uma coisa no filme: as cataratas do Iguaçu colocadas bem pertinho da... Amazônia. Trata-se da mais recente colaboração entre o diretor Steven Spielberg, o produtor e roteirista George Lucas e o ator Harrison Ford.   Na nova aventura, a tal Caveira de Cristal (que de fato existiu historicamente, mas cuja veracidade não ganha muita explicação, assim como tantos outros fatos, no novo filme), pertence a uma antiga civilização amazônica. E, em plena Guerra Fria, sendo perseguido pelos russos (Cate Blanchett faz o papel de vilã da vez, em um papel que a faz parecer mais um bonequinho Playmobil, com um cabelo a moda Channel e um macacão cinza de gosto altamente discutível). Depois de ver uma bomba atômica explodir, passar a ser perseguido por espiões russos e ter a paz de suas aulas ameaçadas, Indiana decide embarcar para a Amazônia peruana em busca do clássico Eldorado e, claro, da Caveira de Cristal.   Acompanhado pelo jovem rockabilly (pense em um neo-James Dean) Mutt Williams (vivido pelo neo-astro Shia Labeouf, de Transformers), ele chega a selva e encontra não só as novas aventuras, novos (nada bons) selvagens como também grandes quedas d'água. Estas seqüências das cachoeiras foram rodadas nas Cataratas do Iguaçu, com produção local de Flávio Tambellini, a propósito.   O arqueólogo mais amado do cinema acaba descobrindo que tem de tomar o caminho de um certo Rio do Sono ('sleep' em português, diz, explicando o significado do nome para a trupe). Quem toma mesmo o caminho do sono é a aventura a partir deste ponto. Em uma sucessão de cenas que enchem os olhos com incontáveis efeitos visuais, cenas de a eco, brigas, muitas brigas, o novo Indiana Jones exagera.   Vale contar que a trama 'situa' inscrições Maias (civilização que habitava historicamente o México e a América Central) no templo do Eldorado que Indiana encontra em plena America do Sul (terra muito mais famosa por abrigar a civilização Inca). Além disso, no templo há uma verdadeira 'loja de antiguidades' digna de fazer inveja à feirinha da Benedito Calixto. Relíquias egípcias, maias, astecas e budistas no coração da selva brasileira. Para a 'cereja do bolo', a tal cobiçada Caveira (que, uma vez devolvida a seu Eldorado, irá revelar a fonte de todo saber humano) se parece mais com a figura tétrica do crânio de Alien (o personagem incrível criado pelo artista H.R. Giger).   Justiça seja feita. Ainda há aventura, diversão e um pouco do charme de outrora. O clima nostálgico dá o tom ao visual do filme, que em vários momentos relembra as grandes sacadas dos três primeiros, e hoje já clássicos, filmes da trilogia. Para quem esperou 19 anos, é dever de casa assistir a esta nova aventura. E ir preparado para gostar, ou, não.

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