Cannes homenageia diretor chileno Alejandro Jodorowsky

O diretor chileno Alejandro Jodorowsky foi homenageado hoje no 59º Festival de Cinema de Cannes com a exibição de seus dois filmes mais populares, O Topo (1970) e A Montanha Sagrada (1973) de produção mexicana, recentemente restaurados para distribuição em DVD com base nos negativos originais. "Me sinto como um velho gladiador, cheio de cicatrizes", disse o diretor de 77 anos e que garante que não esperava esta homenagem do festival que em 1973 selecionou para o concurso seu filme "A montanha sagrada", lançando-o para a fama internacional. A restauração de seus dois filmes "os deixaram como novos, até mesmo mais novos que a cópia original", segundo o diretor. Jodorowsky lamentou que os festivais tenham se tornado muito comerciais. "Cannes começou com O Código Da Vinci e não há mais nada a dizer. Lamentavelmente o cinema é uma indústria e Cannes um sócio comercial", declarou o cineasta. O Código Da Vinci era uma das megaproduções mais esperadas do ano. Dirigido por Ron Howard e protagonizado por Tom Hanks, o filme foi baseado no polêmico livro homônimo do norte-americano Dan Brown. Jodorowsky também disse que seus filmes não envelheceram. "Hoje continuam sendo de vanguarda e conservam todo seu poder revolucionário". O diretor chileno disse que está pensando em voltar ao cinema, que abandonou desde 1990 depois do fracasso de El Ladrón de Arcoris com Omar Shariff e Peter O´Toole, com um filme western intitulado King Shot e que espera seja protagonizado por seus amigos Nick Nolte e Marilyn Manson. Jodorowsky, diretor de cinema e teatro, pintor, novelista, desenhista de histórias em quadrinhos e ator, criou nos anos 60, em Paris, o movimento Panique junto com Fernando Arrabal e Roland Topor e declarou que "a arte deve liberar as forças do inconsciente trabalhando como uma chave para abri-lo ao mundo".

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