Cannes: 24 mil peças de 81 países estão no páreo

Os publicitários brasileiros desembarcaram neste fim de semana na França trazendo na bagagem 2.537 peças para disputar o 53.º Festival Internacional de Publicidade de Cannes, maior e mais importante festival da propaganda mundial, que começou oficialmente neste domingo. Este ano, estão inscritos 24.862 trabalhos de 81 países, disputando os prêmios em 9 categorias, com destaque para filmes, impressos (dividido nas categorias mídia impressa e outdoor), rádio e internet. São esperadas cerca de 10 mil pessoas. O Brasil é o segundo país em número de inscrições nesta edição, perdendo apenas para os Estados Unidos e ficando à frente de Reino Unido, Alemanha e Espanha, competidores tradicionais em Cannes. São 53 trabalhos brasileiros concorrendo na categoria Promo Lions, que estréia este ano para estimular a criação na área de promoções, além de 233 comerciais, 1.055 impressos, 703 outdoors, 324 peças de internet, 68 peças de rádio, 53 trabalhos de marketing direto, 53 de marketing promocional e 42 de mídia. Há também seis trabalhos nacionais concorrendo ao troféu Titanium, criado há três anos para premiar projetos integrados de mídia, inspirado em uma série de filmes feitos para a BMW por famosos diretores de cinema, como Ridley Scott, John Frankenheimer, Ang Lee e John Woo. Como todos os filmes ultrapassaram, e muito, os 60 segundos - tempo tradicional de um comercial -, a montadora decidiu usar todos os meios de comunicação para convidar o consumidor a assistir os filmes na internet. Como a proposta não se enquadrava nas categorias tradicionais do festival, a organização de Cannes decidiu criar esse troféu.Adriana Cury, da McCann-Erickson Brasil, representante do País no júri do Titanium, diz que os projetos multimídia são o futuro da comunicação das empresas com os consumidores. ?É impossível imaginar campanhas publicitárias hoje que não sejam integradas?, diz. ?O consumidor quer detalhamento de produtos, quer interagir com eles.?O Festival Internacional de Publicidade de Cannes, representado no Brasil pelo jornal O Estado de S. Paulo, nasceu há 53 anos. No início da década de 50, alguns exibidores de cinema, temendo a concorrência da então incipiente televisão, começaram a se reunir informalmente para trocar experiências e impressões e estimular a publicidade nos cinemas. Começaram também a exibir alguns filmes em Cannes. Em 1953, decidiram criar uma competição para premiar os três melhores comerciais para cinema. A primeira edição dessa disputa ocorreu em Veneza, na Itália. Os vencedores conquistavam uma estátua em ouro que era uma réplica do leão alado do festival de cinema de Veneza. Como a maioria dos exibidores se reuniam também em Cannes, atraídos pelo festival de cinema local, decidiu-se que o evento da publicidade seria realizado em Veneza nos anos pares e em Cannes, nos ímpares. Em 1984, por causa de greves nos serviços públicos italianos, o festival teve sua última edição em Veneza e passou a ser realizado anualmente apenas em Cannes. Como homenagem a Veneza, foi mantido o troféu em forma de leão e o evento ganhou o nome de Cannes Lions. EvoluçãoHá três anos, quando chegou ao seu cinqüentenário, o Festival Internacional da Publicidade de Cannes exibiu um panorama de sua evolução e das mudanças na propaganda mundial. Da ingenuidade dos anos 50 e da rebeldia dos anos 60 ao pop dos anos 70, passando pela publicidade clean dos anos 80 e os efeitos especiais dos anos 90, a projeção chegou até a ousadia deste século. A propaganda ganhou importância neste período também pelo seu aspecto econômico: as empresas injetam, atualmente, mais de US$ 300 bilhões por ano nos meios de comunicação do todo o mundo. Os diretores que mais se destacaram e ganharam mais de um Grand Prix receberam uma estatueta especial do leão na festa do cinqüentenário: Hugh Hudson, Lee Lacy, Joe Pytka, Ridley Scott e o falecido John Perkins.Hoje, o festival se volta para a ousadia, as formas inteligentes que comerciais, especialmente americanos e ingleses, usam para driblar regras politicamente corretas que limitam a criação.

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