Candidatos ao Oscar têm bilheteria fraca

Pela primeira vez, desde 1997, as produções aspirantes ao Oscar de melhor filme não tiveram êxito nas bilheterias e, pela primeira vez em 15 anos, nenhum dos indicados nesta categoria superou os US$ 100 milhões de arrecadação.Calculando-se o total provável até este domingo, uma semana antes da cerimônia do Oscar, a bilheteria conjunta de O Aviador, Menina de Ouro, Ray, Sideways e Em Busca da Terra do Nunca deverá somar algo em torno de US$ 315 milhões de dólares. Há um ano, os candidatos da categoria Melhor Filme arrecadaram quase US$ 700 milhões até a semana anterior à entrega do Oscar. Este ano, os cinco filmes indicados venderam em torno de 51 milhões em ingressos, o que representa 50% menos que cada um dos cinco anos anteriores, quando os totais de ingressos vendidos oscilavam entre 100 e 118 milhões.Estes cálculos podem parecer chatos, mas têm sua razão de ser: os executivos da Academia de Artes e Ciências cinematográficas sabem por experiência própria que um filme imensamente popular na disputa pelo Oscar ajuda a atrair público para a transmissão televisiva da entrega dos prêmios, cuja audiência tem caído consideravelmente nos últimos cinco anos. "Não temos um Titanic nem um Senhor dos Anéis este ano. Creio que é certo dizer que isso nos preocupa um pouco", disse o diretor-executivo da Academia, Bruce Davis.A transmissão do Oscar teve sua maior audiência em 1997, quando Titanic obteve o prêmio de melhor filme. A produção arrecadou até agora cerca de US$ 500 milhões e a previsão é de que atinja US$ 600 milhões nas bilheterias dopaís e US$ 1,8 milhões no mundo.Entre os concorrentes deste ano, O Aviador está perto dos US$ 90 milhões, seguido por Ray, com US$ 75 milhões, e pelo trio Menina de Ouro, Sideways e Em Busca da Terra do Nunca, que oscilam entre US$ 45 e US$ 55 milhões. Nos últimos três anos sempre houve uma superprodução entre os cinco aspirantes ao Oscar de Melhor Filme, como Gladiador, O Resgate do Soldado Ryan e Forrest Gump.Os estúdios que têm filmes na competição dizem que a seleção deste ano é um triunfo da qualidade artística sobre o aspecto comercial. Este ano, os acadêmicos "votaram de acordo com sua convicção, não com o olhar posto na bilheteria", disse Dan Fellman, diretor de distribuição dos estúdios Warner Brothers, de Menina de Ouro.

Agencia Estado,

17 de fevereiro de 2005 | 10h30

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