Candidato ao Oscar, Coringa de Ledger deve lotar cinemas

Em 'Batman - O Cavaleiro das Trevas', interpretação do ator morto em janeiro deste ano surpreendeu a crítica

Antonio Martín Guirado, da Efe,

08 de julho de 2018 | 11h18

A intensa expectativa gerada por Batman - O Cavaleiro das Trevas chega ao seu fim nesta sexta-feira, 18, após uma estrondosa campanha de propaganda que gerou uma onda de elogios para o filme e para o Coringa de Heath Ledger, que já é considerado um potencial candidato ao Oscar. Veja também: Novo 'Batman' mergulha fundo no lado caótico da sociedade Galeria com fotos de 'Batman - O Cavaleiro das Trevas'   Trailer de 'Batman - O Cavaleiro das Trevas'  Veja especial sobre o novo filme de Batman  Foto: Divulgação A segunda parte de Batman Begins (2005), na qual voltam a participar o britânico Christopher Nolan como diretor e Christian Bale como Batman e como seu alter ego Bruce Wayne, bateu recordes três semanas antes de sua chegada aos cinemas, já que esgotou todas as entradas colocadas à venda para as sessões da meia-noite desta sexta nos Estados Unidos. Segundo o portal slashfilm.com, no dia 27 de junho - a 21 dias da estréia oficial - O Cavaleiro das Trevas vendeu oito vezes mais entradas do que Homem-Aranha 3, um dos filmes de maior arrecadação na história. Como se isso já não bastasse, a crítica especializada não se derreteu em elogios quanto a qualidade do filme e considerou Heath Ledger, que encarna o Coringa, como um dos prováveis nomes para a próxima edição do Oscar. Ledger, que interpreta um personagem anteriormente feito por Jack Nicholson em Batman (1989), morreu aos 28 anos em janeiro deste ano vítima de uma overdose acidental de remédios. "Só posso ter elogios para Ledger, que cria um louco, disparatado, incendiário e brilhante Coringa", afirmou Pete Travers, da revista Rolling Stone, enquanto dizia que deveriam dar a ele "o primeiro Oscar póstumo desde Peter Finch em 1976 (Rede de Intrigas)". Sam Rubin, da rede de televisão local KTLA, assegurou que Ledger merecia "absolutamente a nomeação ao Oscar", e indicou que até o momento, faltando sete meses para a entrega do prêmio, ele "é o favorito". Os companheiros de Ledger também não deixaram de louvar a qualidade de sua atuação. Bale, em entrevista à Agência Efe, ressaltou que ele "rouba o filme totalmente. É fantástico, sua atuação fala por si mesma, é incrível, algo nunca visto até agora. É uma enorme celebração de seu talento". "Admiro a menção do Oscar para ele porque os filmes deste gênero nunca são considerados nessas categorias", acrescentou Bale, que concorda com Gary Oldman, que dá vida ao Comissário Gordon. "A Academia nem sempre reconhece o trabalho neste tipo de gênero mas acho que ele vai conseguir a nomeação", disse durante uma coletiva de imprensa realizada em Beverly Hills o ator britânico, que percebeu desde o início a magnitude do personagem que Ledger tinha criado. "Este menino é bom", lembra Oldman. Oldman conta que a atuação de Ledger é tão "especial" como a de Jack Nicholson em Um Estranho no Ninho (1975) ou a de Al Pacino em Um dia de Cão (1975). "É como se tivesse rompido a barreira do som", ressaltou. "As pessoas querem uma história obscura (...) Ele estava obsessivo com o papel, ele estava possuído pelo Coringa, tanto que não podia dormir...", declarou Oldman. "Entre as tomadas ele se sentava, fumava um cigarro, ria e falava sobre sua filha Matilda", contou Oldman, que definiu Ledger como "um jovem precioso, maravilhoso". Nolan, o realizador do filme, não quer ouvir falar de supostos prêmios, só do trabalho de Ledger, que foi escalado porque buscava um ator "fenomenal", "sem medo de enfrentar um papel que é um ícone". "Heath o criou de forma totalmente original. É sensacional, encantador e vai impressionar as pessoas", disse Nolan, que foi além na descrição do Coriga, como foi concebido por Ledger: "Um anarquista punk tirado de Laranja Mecânica (1971)".

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