'Canções de Amor' explora triângulo amoroso e tragédia

Diretor Christophe Honoré faz filme considerado uma das maiores revelações do novo cinema francês

REUTERS

08 de setembro de 2004 | 13h04

Considerado uma das maiores revelações do novo cinema francês, o diretor e roteirista Christophe Honoré é celebrado por saber como reunir em suas obras os mais diferentes estilos cinematográficos de seu país.         Veja também:    Trailer de Canções de Amor  Por referência e reverência, interpõe em suas histórias o que há de melhor em Jean-Luc Godard, Francois Truffault e Jacques Rivette para criar obras sensíveis, sem uma desagradável sensação de déjà-vu. Em Canções de Amor, tal como no belíssimo Em Paris (que pode ser visto em DVD), Honoré consegue criar personagens fortes, que equilibram honestamente romantismo e tragédia. Selecionada para o Festival de Cannes do ano passado, Canções de Amor, que estréia em São Paulo nessa sexta-feira, 5, apresenta o cotidiano do jornalista Ismael (Louis Garrel, de Em Paris). Ele namora a bela Julie (Ludivine Sagnier, de 8 Mulheres), com quem vive um romance à três com Alice (Clothilde Hesme, de Amantes Constantes). Esse triângulo é interrompido por uma tragédia e faz com que o filme se passe em três grandes atos: a partida, a ausência e o regresso. Uma referência ao processo com que o protagonista irá passar após a morte repentina de Julie. Com uma boa dúzia de canções, interpretadas pelos próprios atores, os personagens explicitam suas angústias e seus amores nas ruas de Paris, uma personagem a mais nas obras de Honoré. É preciso dizer, no entanto, que não se trata de um musical. Segundo o próprio diretor, trata-se de um "filme popular com canções", com clara influência de Jacques Demy. As músicas são um ponto forte da obra, pois transmitem sentimentos espontâneos, contam situações e, muitas vezes, servem como enredo. Escritas pelo amigo de Honoré, Alex Beaupain, que perdeu sua namorada na vida real antes de criar as canções, elas trazem mais do que o sentimento que expressam. Espelham a personalidade dos personagens que a interpretam, ligando-os ao espectador. Com o decorrer da história, Ismael conhece o jovem bretão Erwann (Grégoire Leprince-Ringuet), que se apaixona por ele. O filme, assim, ganha claro tom homossexual com a relação entre os dois. Um divisor de águas, que trará ainda mais conflitos e sensibilidade aos personagens. (Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

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