Canal Brasil transmite <i>O Prisioneiro da Grade de Ferro</i>

No premiadíssimo O Prisioneiro da Grade de Ferro (20 horas no Canal Brasil), do também premiado diretor e montador Paulo Sacramento, a câmera passa da mão do observador para a do observado. Ou seja, em vez do tradicional "diretor entrevista o personagem", O Prisioneiro se atreve a entregar na mão dos detentos do Carandiru a câmera que registra o seu próprio cotidiano. Parece fácil. Mas não é. Os meandros daquela que foi a maior casa de detenção da América Latina já foram registrados em livro por Drauzio Varella e já viraram ficção pelas lentes de Hector Babenco. Dar voz aos presos, sem que para isso o filme adquira um tom de autocomiseração ou de manifesto dos que nunca têm voz é um dos trunfos de O Prisioneiro. A visão do documentário é, de fato, um caleidoscópio, que ora mescla o ponto de vista em terceira pessoa do diretor, ora entra com os presos por rincões nunca dantes revelados. É muito em um cinema documental que, via de regra, julga e filtra a verdade que vai para as telas. Seria ingênuo esperar que sempre fosse tudo verdade. A verdade aqui é a de um tempo que anda para trás. Tanto na cena de abertura, em que vê-se recompor a cena da demolição da Casa de Detenção, em 2002, quanto no método ineficiente e cruel do sistema penitenciário brasileiro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.