Alex Silva|Estadão
Alex Silva|Estadão

Camila Morgado conta como mudou o registro para 'Bem Casados'

Atriz de 'Olga' fala ao 'Estado' sobre seu novo filme

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2015 | 16h00

Camila Morgado usa o ‘tu’ durante a entrevista. “Tu 'tá' me zoando só porque sou gaúcho?”, pergunta o repórter. “Nãããoooo. É que sou de Petrópolis (Estado do Rio) e lá a gente é caipira, só usa o tu.” Mas ela acrescenta – “Para ser sincera, estou fazendo meu cursinho prático de gauchês”. E conta que o próximo filme, no início de 2016, será rodado em Pelotas, no Rio Grande do Sul. “É um roteiro bem bacana do Fellipe Barbosa (diretor de Casa Grande, um dos grandes filmes do ano) sobre a passagem do ano no começo do primeiro governo do Lula.”

Ela está cheia de expectativa pela nova aventura gaúcha. “Gostei de Casa Grande e o Fellipe escreve muito bem. O novo filme parece simples, mas aí você percebe que o material é rico, é complexo. Pode vir a ser outro grande filme”, espera. Mas o assunto é Bem Casados, a comédia de Aluizio Abranches estrelada por Camila e Alexandre Borges, que estreia na quinta-feira, 3. Um lançamento grande, centenas de salas. Camila volta à comédia, após a experiência de Até Que a Sorte nos Separe 2. E, na sequência, estreia outra comédia – Até Que a Sorte nos Separe 3, cujo trailer já está sendo apresentado em salas do Brasil, como aquecimento para o estouro que poderá vir a ser o novo filme do recordista de bilheteria Leandro Hassum.

O repórter comenta o trailer com Camila, que faz a mulher de Leandro na ficção, substituindo Danielle Winits, que coestrelava o primeiro filme. Na nova ficção, o personagem de Leandro, que já consumiu duas fortunas (duas!), quebra o Brasil e é chamado ao Palácio do Planalto para prestar contas à presidente Dilma. A Dilma de Sorte 3 é muito engraçada. “Você também achou? Eu morri de rir quando ela pede para o Leandro soltar a mandioca dela.” E Camila ri, uma risada sonora. É a mesma Camila que chorava e sofria como Olga Benário Prestes na ficção de Jayme Monjardim sobre a mulher do líder comunista Luiz Carlos Prestes? A personagem de Olga marcou tanto que, depois dela, ninguém seria louco de propor a Camila uma figura de comédia.

“É verdade. Olga (o filme) foi muito importante para mim, mas também me estigmatizou. Só passaram a pensar em mim para personagens densas, intensas. ‘Se sofre bastante, chama a Camila’. Criou-se essa imagem, que não fabriquei. Não acho ruim, mas, quando comecei no teatro com o Gerald (Thomas), as montagens dele tinham humor. Era um humor peculiar, não rasgado, mas depois do Olga todo mundo parece que esqueceu que eu sabia rir e fazer rir. Virei trágica meio que a contragosto. Mas não me queixo, porque fiz ótimos papéis.” Olga é de 2004 e, um ano antes, em sua primeira aventura ‘gaúcha’ (na Globo), Camila foi uma das protagonistas femininas de A Casa das Sete Mulheres.

Adaptada do livro da escritora gaúcha Letícia Wierzchowski, a minissérie escrita por Maria Adelaide Amaral e Walther Negrão teve direção-geral de Jayme Monjardim.[1] Camila integrava o elenco estelar – Thiago Lacerda, Giovanna Antonelli, Eliane Giardini, Mariana Ximenes etc – que dava vida à saga desenrolada durante a Revolução Farroupilha, quando, no século 19, impulsionadas pela presença mítica do revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi, lideranças regionais tentaram fundar a República Rio-grandense. Na casa das sete mulheres, Camila fazia Manuela, que se apaixonava justamente por Giuseppe, mas aí surgia aquela que passou à história como Anita Garibaldi e o romance não prosperava.

“Era um texto muito bom e a minha personagem viajava para Laguna atrás do Garibaldi, fazendo toda uma jornada de autodescoberta”, lembra a atriz. Seguiram-se muitos papéis na TV, em novelas e séries. No cinema, só a participação em Vinicius, recitando os textos do poeta Vinicius de Moraes. E, então, em 2013, surgiu o inesperado convite para o Sorte 2. “Parecia uma coisa louca, porque não tenho semelhança nenhuma com a Danielle (Winits), que fazia o papel, mas o diretor (Roberto Santucci) me disse que não me preocupasse. Bastou aquela fala do Leandro (Hassum) no começo, dizendo como eu havia mudado, para que o público aceitasse. Foi simples assim.”

Tendo adorado a experiência, Camila não vacilou quando Aluizio Abranches a chamou para fazer Bem Casados. “O Aluizio também era um diretor de dramas e, de cara, quando me falou do filme e da personagem, disse que estava querendo mudar. Ele já tinha feito o Copo de Cólera com o Alexandre (Borges). O entusiasmo dos dois me contagiou. Vamos nessa!” Ela destaca a grande diferença. “No Sorte 2 e 3, somos todos coadjuvantes do Leandro (Hassum). O show é dele, por mais que as personagens façam a história avançar. Bem Casados é uma comédia romântica, e a gente não tem uma tradição muito forte no Brasil. Então, todo mundo experimentava. Foi gostoso de fazer.”

Alexandre Borges fotografa (filma) casamentos. Penélope, a personagem de Camila, irrompe na vida dele para chegar ao noivo da vez, de quem foi amante. Quer se vingar. “Ela aparece como vilã, e é sempre interessante fazer a vilã. Mas a verdade é que a Penélope não é do mal. É carismática, compassiva e aí ficou melhor ainda.” Embora fosse tudo muito escrito, Abranches discutia as cenas com os atores e aceitava sugestões. “A ideia do cigarro eletrônico foi minha. E o encontro com a menina na festa, quando a chamo de gorda e ela retruca que sou bruxa foi uma inspiração de momento que deu supercerto.” Há toda uma trama de gravidez que ajuda a construir a curva da personagem. “A Penélope cresce, amadurece como a Manuela (da Casa)”, diz Camila. Um novo começo? “Estou adorando todos esses filmes, essas comédias.” Só falta voltar ao teatro para completar a felicidade. “Gosto do que faço, mas é no palco, na relação com o público, que o ator se realiza. O filme é uma arte do diretor”, Camila reflete.

 

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