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Gabriela Biló
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Camila Morgado comprova versatilidade em três filmes

Em dez meses, atriz que estreou em 'A Casa das Sete Mulheres' e estourou em 'Olga', participou de 'Divórcio', 'Vergel' e 'O Animal Cordial'

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2017 | 06h00

Um, dois, três – é o número de filmes em que Camila Morgado está, neste momento. “Não foi nada planejado, simplesmente aconteceu”, ela diz para o repórter num café da manhã no início da semana, em São Paulo. Logo em seguida, o carro já está pronto para levá-la a Ribeirão Preto, onde haveria, à noite, a pré-estreia de Divórcio. O longa de Pedro Amorim estreou na quinta, 21, em salas de todo o Brasil. Coincidentemente, vejam como as coisas são curiosas, foi o último dos três filmes que Camila fez em sequência, e o primeiro a chegar aos cinemas.

Ela está orgulhosa. “Achei uma comédia inteligente, bem construída. Pedro (o diretor) mantém o pique e faz observações hilárias sobre a cultura country no interior de São Paulo. E o Murilo (Benício) e eu temos uma química boa, não?” Em agosto, Camila participou da competição de Gramado com o longa Vergel, de Kris Nicklison. Em outubro estará em O Animal Cordial, terror de Gabriela Amaral Almeida, que vai fazer sua estreia nacional na Première Brasil do Festival do Rio. Tem gente que não se conforma – o repórter – porque Vergel não ganhou nada na serra gaúcha. O Animal Cordial já desembarca no Rio coberto de elogios pela crítica estrangeira, que o viu no Fantasia Film Festival.

Dois filmes dirigidos por mulheres, e o de Gabriela ganhou o seguinte elogio de Kalyn Corrigan em Bloody Disgusting – “É um filme sobre a insensatez masculina.” Não se pode negar que essa insensatez também está em Divórcio, sobre um casal que começa sem nada, enriquece e inicia uma guerra na partilha pelos bens, na hora da separação. “Para mim, o melhor desses três filmes é que são muito diferentes entre si. Para uma atriz não tem nada mais estimulante.” Os três filmes foram feitos no período de um ano. “Não, minto, foi menos. Uns dez meses. Saía de um e já entrava no outro. Isso também foi bacana. Estimulou minha versatilidade na marra.” E a aventura continua – Camila descansa um pouco e em novembro já reinicia Domingo, de Fellipe Barbosa. “É um filme que quero muito fazer. Vai ser filmado em Pelotas, no Rio Grande do Sul. A decadência de uma grande família. Íamos fazer no começo do ano, mas atrasou.”

E novela? “Não sou contratada da Globo. Eles me chamam e me pagam por trabalho. Soube pela imprensa (e ela ri), pois é, que estou reservada para a próxima novela do João Emanuel Carneiro, mas ninguém me falou nada. Vamos ver ser vocês (a imprensa) estão bem informados.” Teatro, cinema, TV. Camila surgiu em A Casa das Sete Mulheres, minissérie em 51 capítulos de Maria Adelaide Amaral e Walther Negrão, adaptada do romance de Letícia Wierzchowski e que foi ao ar entre janeiro e abril de 2003. Jayme Monjardim era o diretor, e no ano seguinte, colocou Camila no papel-título de Olga, sobre a lendária Olga Benário Prestes, mulher do líder comunista Luiz Carlos Prestes. Olga era judia e foi entregue pelo Estado Novo (de Vargas) aos nazistas. Morreu num campo de concentração.

Olga foi o estouro. Hoje, Camila avalia melhor – “Não estava preparada para aquela loucura que virou minha vida. Foi um verdadeiro assédio, não sabia como lidar, fiquei assustada.” Camila Morgado é uma estrela – “Estrela, eu? Sou uma atriz que gosta do seu ofício e tenta fazer bem feito” –, mas não curte o culto da celebridade. “Ah, não curto mesmo. Gosto de ficar no meu canto.” Outras fazem declarações bombásticas e põem nas capas das revistas com quem estão ficando. “Minha vida privada é de foro íntimo. Em princípio, não interessa a ninguém mais.” Tão reservada que o repórter confessa que nem sabe se ela tem filhos. “Não, não tenho.” E é por opção? “É.”

Chega. De volta ao trabalho. Camila adorou a experiência de Vergel. “Nunca fiz um filme tão pequeno. Filmamos num apartamento de menos de 450 metros que pertence à diretora, em Buenos Aires. Uma equipe minúscula, mas como experiência foi intensa.” Uma mulher perde o marido e tem de esperar pelo translado do corpo. A vida segue lá fora, ela tem um envolvimento com outra mulher. Cenas fortes de sexo. “A Kris (diretora) é poderosa. Criava o clima, filmava com discrição, numa cena deixou a cena só com a gente. Não foi nada agressiva. E era necessário.” O terror de O Animal Cordial mexeu com ela. “O Brasil inteiro está nesse restaurante, invadido por ladrões num fim de noite.” E Divórcio – “Cara, Ribeirão Preto é um oásis de riqueza nesse Brasil f... E o olhar do Pedro (Amorim, diretor) é crítico sem ser agressivo. Adorei.” Para finalizar, o Brasil leva jeito, Camila? “Espero que sim, mas estou lendo O Ridículo Político, de Márcia Tiburi, um livro urgente e devastador. Márcia escreve que temos de enfrentar isso tudo sem idealizações e, ao mesmo tempo, com espírito de utopia. Só assim tem jeito.” 

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