Camelos choram em belo documentário

Camelos também Choram, documentário de Byambasuren Davaa e Luigi Falorni concorreu ao Oscar da categoria. É dos que você já começa a gostar no trailer. No deserto de Gobi, na Mongólia, nasce um raro camelo albino. A mãe o rejeita, recusando-se a amamentá-lo. O camelinho está condenado a morrer, mas seus donos - uma família de pastores nômades - enviam dois jovens em busca de um violinista. A idéia é criar um som, um clima, aproximando mãe e filho por meio da música. Camelos também Choram fez a ronda dos festivais (incluindo o de São Paulo). Em todos, o filme seduziu o público e os críticos. Como nas animações da Disney, o camelo é antropomorfizado para que Davaa e Falorni falem da diferença e da rejeição. É curioso fazer a ponte entre Camelos também Choram e Querido Frankie, que estreou na sexta-feira passada. O filme de Shona Auerbach mostra até onde pode ir o amor de mãe, em defesa do filho. Essa figura da mãe redentora é clássica no melodrama. Agora, temos a outra mãe, a que rejeita o filho. O tema deu origem a filmes importantes de Ingmar Bergman (Sonata de Outono) e Robert Redford (Gente como a Gente). No caso, é uma mãe "camela", mas quem disse que não se pode falar de afeto dessa maneira? O violinista chega ao acampamento com seu instrumento arcaico, feito de crina de cavalo. Ele toca, acompanhado por uma mulher do grupo. É um verdadeiro lamento. Camelos choram, sim, e são lágrimas de remissão. Essa bela história é enriquecida pelo olhar que a dupla de diretores lança sobre a cultura dos mongóis, centrada em outros valores e com um tempo diferente desse que faz com que, no Ocidente, as pessoas corram o tempo todo - em busca de quê? De tudo ou nada, que, como você sabe, podem representar a mesma coisa.

Agencia Estado,

15 de julho de 2005 | 19h16

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