"Cafundó" resgata o Brasil caipira

Cafundó, de Paulo Betti, segundo filme mais premiado do Festival de Gramado, atrás apenas de Gaijin 2, de Tizuka Yamasaki narra a história de João de Camargo (Lázaro Ramos), tropeiro e ex-escravo que vivia na região de Sorocaba no final do século 19 e acabou por se tornar um líder místico. O personagem é verídico e sua imagem habita ainda o imaginário da região natal do ator e agora cineasta estreante Paulo Betti. O espectador vai encontrar muitas virtudes nessa estréia. A maior delas, é a imersão na cultura brasileira daquela região, no mundo caipira, que já produziu livros como Parceiros do Rio Bonito, ou filmes como Marvada Carne. Cafundó não tem a erudição do primeiro, nem talvez o frescor do segundo. Mas não lhe falta amor, ou mesmo paixão, por aquilo que tenta recriar na tela - um Brasil rural, cheio de autenticidade. O Brasil profundo, caipira, já tão difícil de ser apreendido pelo homem brasileiro urbano do século 21.Mas, claro, como Cafundó não é um documentário, o que ele precisava era adequar a sua dramaturgia ao entorno cultural onde ela pudesse se desenvolver. E, nesse ponto, a equação não funciona tão bem. O excesso informativo de base etnográfica de que dispunha o diretor acaba atravancando um pouco a fluidez da dramaturgia. Mas, se é preciso pecar, antes que seja por excesso que por timidez, mediocridade ou omissão. Nesse filme generoso, Paulo Betti ousou, e isso é mais importante que os eventuais erros. Porque erros se corrigem, e a mediocridade é para sempre.Luiz Zanin OricchioBreves1) O filme iraniano Trama Central terá uma sessão extra hoje , segunda, no Cine Sesc às 20h10. Motivo: o diretor Dariush Yari chegou "de surpresa" domingo de manhã. A primeira apresentação do filme aconteceu na Mostra já que o longa foi proibido no Irã.2) O diretor João Jardim levou 10 pessoas (crianças e adultos) de Itaquaquecetuba para a sessão de ontem do filme Pro Dia Nascer Feliz, no Cine Bombril. Elas nunca tinham ido a um cinema e não conheciam a Avenida Paulista.3) O produtor Rainer Teusnen (O Desconhecido) ficou tão emocionado com o Cine Favela, de Heliópolis, que deixou uma contribuição em U$ para o grupo.4) A ARTE fechou co-produção de dois longas na 29.ª Mostra. Um com a Vídeo Filmes e outro com a Gullane Filmes.

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