Califórnia Filmes
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'Café', 'Mamma Mia!' e filme de Anavitória entre as estreias de cinema da semana

Veja outros destaques da programação de cinema e os trailers das estreias da semana

Luiz Zanun Oricchio e Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

02 Agosto 2018 | 06h00

Café,  Mamma Mia! – Lá Vamos Nós de Novo, Hilda Hilst Pede Contato e filme sobre Anavitória são algumas das estreias de cinema da semana. Veja outros destaques da programação e os trailers dos filmes.

DRAMA

Em ‘Café’, a bebida é a linha que une tramas passadas em três países

Café: não poderia haver título mais enxuto para um filme que se propõe discutir, em três episódios e em três lugares do mundo, o mal-estar contemporâneo. São três histórias que se entrelaçam em torno da cafeína nossa de todos os dias. Na Bélgica, a loja de penhores do imigrante Hamed (Hichem Yacoubi) é destruída e roubada durante uma manifestação de rua. Ele sente, em especial, o desaparecimento de uma cafeteira de prata que está na família há gerações, e resolve tomar providências próprias. 

Na Itália, Renzo (Dario Aita) é um barista apaixonado pelo café artesanal e por sua mulher, mas decide tomar outro caminho na vida para ganhar mais dinheiro e em menos tempo. 

Por fim, na ultracapitalista China contemporânea, um gerente de corporação, Ren Fei (Fangsheng Lu), é designado pelo patrão e futuro sogro para resolver problemas em uma das indústrias do grupo. Acontece que a tal fábrica fica na terra natal de Fei, uma tradicional região cafeicultora. 

Dirigido pelo italiano Cristiano Bortone, Café é um filme de boa qualidade. As três histórias são interessantes e não caem na armadilha do bom-mocismo insosso que às vezes enfraquece esse tipo de projeto global. Enfrenta com brio algumas das contradições colocadas pela sua própria ficção. Por exemplo, não cai no clichê de que todos imigrantes são vítimas boazinhas espezinhadas pelos maus. 

Dito isso, é preciso também reconhecer que a radicalidade passa longe de suas intenções. Por mais que invista em alguns aspectos obscuros da tal “natureza humana”, Bortone mantém como alvo a redenção. Há, nesse tipo de projeto, a premissa jamais enunciada de que a convivência humana entre diferentes resume-se, no fundo, a mera questão de boa vontade. 

Café é um filme gostoso, mas tem o cuidado de evitar os sabores mais ásperos da bebida que usa como fio de costura entre suas tramas diversas. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

Café / Caffè (Bélgica-China-Itália/2016, 110 min.) Dir. Cristiano Bortone. Com Hichem Yacoubi, Dario Aita, Fangsheng Lu

DOCUMENTÁRIO

O certo e o errado num caso exemplar de racismo

O caso se tornou tão célebre que virou emblemático de um tipo de comportamento autoritário e racista da polícia militar em relação a jovens negros. Em 1987, em Porto Alegre, houve um assalto com tiroteio. Um dos assaltantes foi preso e levado para o carro da Brigada Militar – um fusca. Um monte de gente se aglomerou para ver o que ocorria, inclusive um jovem negro, que sofria de epilepsia. Ele sofreu um ataque, caiu ao solo, os policiais o jogaram dentro do carro, não sem antes o cobrirem de socos. Ele chegou morto a tiros no hospital. Foi justiciado no caminho, mas a ação foi documentada por um repórter fotográfico.

Duas jovens negras – a diretora Camila de Moraes e a produtora Mariani Ferreira – demoraram oito anos para contar essa história no documentário O Caso do Homem Errado. O motivo – nenhuma empresa queria apoiar um filme sobre racismo e violência. O título ‘homem errado’ é porque o personagem, Júlio César, era trabalhador. E se fosse assaltante? Seria certo executá-lo? O filme é forte, política e esteticamente. Um dos melhores do ano. / LUIZ CARLOS MERTEN

O Caso do Homem Errado  (Brasil/2017, 77 min.) Dir. Camila de Moraes. Com Ronaldo Bernardi, Juçara Pinto.

 

COMÉDIA MUSICAL

Anavitória, dupla que deu certo também nas telas

Como diretor e roteirista, Matheus Souza tem se especializado em pôr na tela da TV e do cinema os problemas de adolescentes. Para um jovem diretor que muitas vezes foi comparado – até com desdém – a Woody Allen, falar de si, por meio dos outros, virou norma. Em Tamo Junto, dividia-se entre dois personagens masculinos – um que busca o amor verdadeiro e outro que só quer farra.

Souza volta agora ao tema por meio de duas garotas, que, por mais que queiram parecer comuns, são estrelas da música – a dupla Anavitória estourou na internet. São típicas adolescentes. Querem fazer sucesso com sua música, uma quer se apaixonar, a outra quer se divertir. Souza conta essa história com graça, um tanto de fantasia, e as cantoras, que repetem os próprios papéis diante da câmera, são simpáticas. Nos últimos anos, o cinema brasileiro abriu espaço para blogueiros e blogueiras. Dessa vez, para Anavitória – o filme, Ana e Vitória. Uma comédia musical em que as letras das músicas colam organicamente à trama. Não chega a ser La La Land – Cantando Estações, mas tem seu encanto. / LUIZ CARLOS MERTEN

Ana e Vitória (Brasil/2018, 115 min.)Dir. Matheus Souza. Com Ana Caetano, Vitória Falcão, Victor Lamoglia.

DOCUMENTÁRIO

Uma imagem do nosso processo ‘civilizatório’

Em O Desmonte do Monte, Sinai Sganzerla faz uma espécie de arqueologia do Rio. No sentido literal quanto no figurado. A “história” que se propõe contar é o da “colina sagrada”, o local escolhido para a fundação da cidade do Rio, batizado de Morro do Castelo. Havia uma lenda urbana sobre a existência de um tesouro no subsolo do mosteiro jesuíta que lá existia. 

 

A boa sacada do doc é trabalhar em camadas (à maneira arqueológica), mesclando iconografia, depoimento de antigos moradores, música e narração off da atriz Helena Ignez, mãe da diretora. A impressão causada pelo filme vem do ritmo que nunca cansa o espectador e da sensação de vertigem causada pela percepção da maneira como o Brasil constrói a sua História. Ou melhor, de como o Brasil “destrói” a sua História. 

Por que assim é. Em nome da reforma urbana, o Morro do Castelo foi posto abaixo, deixou de existir, como se o País avançasse rumo a um futuro incerto removendo vestígios do seu passado. O Desmonte do Monte é, por certo, uma bela metáfora do que somos como nação. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

O Desmonte do Monte (Brasil/2017, 85 min.)Dir. Sinai Sganzerla. Com Helena Ignez, Negro Leo, Marcos Alvisi

COMÉDIA DRAMÁTICA

Lembranças da ditadura no Uruguai 

Em Uma Outra História do Mundo, o uruguaio Guillermo Casanova evoca os poderes da resistência pacífica no enfrentamento a um regime autoritário. O caso se passa na cidade de Mosquitos, onde um professor de História (César Troncoso) usa suas aulas para, de modo sutil, contestar o regime. / L.Z.O.

 

A Outra História do Mundo (Uruguai/2017, 105 min.)Dir. Guillermo Casanova. Com César Troncoso, Roberto Suárez.

COMÉDIA

Comédia francesa brinca com o perigo 

Nesses tempos em que todo mundo se ofende com tudo, De Carona para o Amor brinca com tema perigoso. Um empresário se apaixona por uma moça paraplégica e vai às últimas consequências para conquistá-la. Depois de um começo meio grosseiro, a sutileza entra em campo e vira o jogo. / L.Z.O.

De Carona para o Amor  (França/2018, 109 min.)Dir. Franck Dubosc. Com Franck Dubosc, Alexandra Lamy.

BIOGRAFIA

Corajoso e humano em tempos difíceis

Norival Rizzo interpreta o embaixador Luiz Souza Dantas, que, contrariando ordens do governo Vargas, concedia vistos a judeus durante a 2.ª Guerra. Em produção de dramaturgia um tanto precária, Querido Embaixador resgata um personagem fundamental da nossa diplomacia. / L.Z.O.

Querido Embaixador (Brasil/2017, 90 min.) Dir. Luiz Fernando Goulart. Com Alice Assef, Norival Rizzo, Miriam Mehler.

DRAMA

Retrato de assassino propõe questões ética

Desde o Festival do Rio, no ano passado, tem havido críticas a O Nome da Morte. Henrique Goldman conta a história real de um assassino de aluguel que se gaba de ter matado centenas de pessoas. O cara é bom pai, bom marido. É um monstro, ou não? Marco Pigossi segura a onda no papel. / L.C.M.

O Nome da Morte  (Brasil/2017, 100 min.)Dir. Henrique Goldman. Com Marco Pigossi, Fabiula Nascimento.

DOCUMENTÁRIO

Hilda Hilst em seu  diálogo com o além

Para driblar a solidão, nos anos 1970, a escritora Hilda Hilst desenvolveu um experimento curioso ao tentar entrar em contato com artistas já mortos, para os quais propunha questões. Filme resgata essa fase da celebrada autora em sua busca pelo diálogo, pelo contato com o outro e pelo conhecimento.

Hilda Hilst Pede Contato (Br./2018, 75 min.) Dir. Gabriela Greeb. Com Luciana Domschke, Hilda Hilst, Lygia Fagundes Telles

COMÉDIA MUSICAL

Saudades? ‘Mamma Mia!’ está de volta!

Após a morte de Donna, sua filha, Sophie, está grávida e vai reinaugurar o hotel da mãe. Ela convida seus três ‘pais’, além das eternas amigas da mãe. O reencontro servirá para relembrar a juventude de Donna, no fim dos anos 1970. Com músicas do ABBA, a trilha do filme está no topo das mais vendidas no Reino Unido.

Mamma Mia! – Lá Vamos Nós de Novo (EUA/2018, 114 min.)Dir. Ol Parker. Com Lily James, Amanda Seyfried.

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