Caetano Veloso abre seu Coração Vagabundo em Roma

Documentário fez première mundial no Festival de Cinema de Roma, que presta homenagem ao cinema brasileiro

Flávia Guerra, de O Estado de S. Paulo,

08 de outubro de 2026 | 13h48

Polêmica vai, polêmica vem, mas a voz de Caetano Veloso ainda é capaz de emocionar até quando o mais óbvios dos repertórios é escolhido para dar corpo a um show do dono do Coração Vagabundo.   Foi exatamente isso que sentiu a platéia que lotava o Auditorio Conciliazine na noite de sábado em Roma, durante o Festival de Cinema que, neste ano, homenageia a cultura brasileira. Depois de uma sexta em que o palco do teatro foi ocupado pela energia sofisticada e, ao mesmo tempo, em estado bruto dos "meninos do Axé" e da cantora italiana Fiorella Mannoia, foi a vez do público romano entender melhor o coração de Caetano.   Produzido por Paula Lavigne e Raul Doria, o documentário é dirigido pelo jovem Fernando Grostein Andrade, que hoje tem 27, mas que tinha 22 quando começou a girar o filme. A propósito, Coração Vagabundo nasceu por acaso, com as filmagens de um material para a turnê Foreign Sounds, que Caetano fez em 2004. "O DVD nunca saiu, mas o Fernando foi filmando, filmando e terminou tendo a idéia de fazer um documentário sobre todos os bastidores que filmava. Ele não foi me falando tudo isso. Foi filmando, filmando e montando o filme na cabeça dele. E não é que eu acabei gostando do resultado final!", contou Caetano, pouco antes de se apresentar para uma platéia que esperava ouvir clássicos como Coração Vagabundo, Tristeza, Sampa, Love for Sale e Cu cu ru cu cu Paloma.   E foi exatamente o que Caetano fez. Um verdadeiro, belo e perfeito show para "estrangeiro ver". Em uma ocasião em que o cinema é a estrela da noite, nada mais adequado que fazer um show simples, "voz e violão" e recheado de clássicos. Palmas no final, claro.   Na tela, o resultado não foi diferente. Coração Vagabundo não reinventa a roda "do bom documentário", mas cumpre o papel de folhear para o publico (sobretudo o fã de Caetano) um pouco mais das páginas que, nas entrelinhas e nas linhas principais, contêm tanto do que permite concluir por que Caetano é , além de artista, uma figura que opina sobre quase tudo. E mais, por que é procurado por muitos para dar sua opinião.   "Às vezes conheço gente que tinha me visto no Fale com Ela e percebo que se decepciona quando me conhece. Isso porque esperavam que eu fosse aquela figura quase mitológica, uma entidade, misterioso, que quase não fala", declara o cantor, enquanto passeia pelo Japão, para onde viajou com a turnê de Foreign Sound. "Mas eu sou o contrario disso. Eu gosto de ser feliz e das coisas claras. Por isso, falo, me explico, comento. Não sou uma entidade. Sou isso aqui que vocês estão vendo."   De fato. Caetano passa longe da figura de mitos da musica e do rock como Bob Dylan (que ele mesmo cita no filme). O filme começa com o famoso show que Caetano fez no hotel Fasano, em São Paulo, e segue por Nova York, no Carnegie Hall, e Japão. Na lista de figuras ilustres, David Byrne, o inesquecível Michelangelo Antonioni (ponto alto quando o cineasta italiano aparece ), Pedro Almodóvar.    Talvez esteja exatamente na busca pelo fator humano, e simples, que resida o grande mistério da figura do cantor. Caetano se expõe. Como mesmo diz, engole muitos sapos. Mas não todos. Quem quiser, além do filme (que deve estrear em salas brasileiras em breve), também pode conferir o que anda criando e pensando Caetano em seu novo, e já tão polêmico, blog. "Se chama Obra em Progresso (www.obraemprogresso.com.br) e conta o que esta acontecendo enquanto trabalhamos no meu próximo CD", disse Caetano ao público do Conciliazione.

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