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‘Caça-Fantasmas’ é restaurado para salas de cinema e Blu-Ray

Ao completar 30 anos, produção que beira o absurdo ao mostrar um trio de cientistas experimenta revival

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2014 | 09h46

Tem gente que até hoje tenta entender como e por que Os Caça-Fantasmas virou um dos filmes mais cultuados - e de maior sucesso de público - de todos os tempos. No início, era um projeto de Dan Aykroyd para ser interpretado por John Belushi e ele, mas a morte do parceiro deixou o projeto à deriva até que Aykroyd e Harold Ramis tiveram a ideia de transferir o papel de Belushi para Bill Murray. Tudo gira em torno dele, e Murray ainda teve carta branca para improvisar, a tal ponto que os personagens de Aykroyd e Ramis viram secundários no próprio filme que eles escreveram (e chamaram Ivan Reitman para dirigir).

Há um revival de Os Caça-Fantasmas. O filme não está apenas completando 30 anos. Está saindo em Blu-ray e é o filme restaurado da vez na rede Cinemark, com sessões nos dias 11, 12 e 15 de outubro. A trama beira o absurdo, mostrando trio de cientistas - são parapsicólogos - demitidos da Universidade Columbia por mau comportamento. Para sobreviver, mas também para prosseguir com suas pesquisas, o trio monta uma firma - Ghostbusters and Co. - para caçar fantasmas que assolam a cidade. O ano era 1984 e, pouco antes, Tobe Hooper fizera Poltergeist, outro êxito de bilheteria, o que indica que os fantasmas estavam à solta em Hollywood. O centro da atividade paranormal é localizado no prédio em que mora Sigourney Weaver, e vale lembrar que, na época, ela havia virado superstar - a fortona do cinemão - por sua criação como a suboficial Ripley na série Alien.

Para tentar atingir seu objetivo, Bill Murray tenta seduzir Sigourney, mas ela fica possuída e o mesmo ocorre com seu vizinho Rick Moranis. A partir daí, o filme não reconhece limites - nas piadas nem nos efeitos. Vale tudo, incluindo um gigantesco boneco de marshmallow que vai jogar um papel importante no desfecho da história. Tudo isso é extravagante demais - norte-americano demais -, mas o público de todo o mundo embarcou na viagem e Os Caça-Fantasmas virou um êxito planetário, com direito a continuação e até série animada na televisão. O mais bizarro é que o portal para a entrada dos fantasmas está no refrigerador de Sigourney Weaver e, por conta disso, o filme sempre foi considerado um feroz ataque ao consumismo da sociedade dos EUA. Só para lembrar, por volta de 1970, Michelangelo Antonioni centrara sua crítica à América na explosão do refrigerador de Zabriskie Point, e o filme chegou a ser proibido como subversivo pela censura do regime militar no Brasil.

Mesmo sendo o sucesso que é, Os Caça-Fantasmas não é (nunca foi) uma unanimidade. O personagem de Bill Murray é um dos mais boçais e chauvinistas da época, mas isso também pode ser visto como afirmação do incorreto num período em que a correção política não ditava as cartas. Uma coisa é certa - a trilha (e a canção de Ray Parker Jr.) foi um tremendo hit e contribuiu para o estouro. Vale lembrar que Bill Murray e Harold Ramis prosseguiram a parceria num belíssimo filme dirigido pelo segundo - Feitiço do Tempo, de 1993. Ramis morreu em fevereiro de 2014, aos 69 anos. Dan Aykroyd segue ativo e seu último papel destacado foi em Behind the Candelabra, de Steven Soderbergh, com Michael Douglas. E, se hoje Ivan Reitman é mais conhecido como pai do também diretor Jason Reitman (Homens, Mulheres e Filhos), Bill Murray virou cult total, em filmes de Sofia Coppola e Wes Anderson.

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