Cabe também avaliar a relevância social da produção

Podemos concluir que o copo está meio cheio ou meio vazio, dependendo do ângulo pelo qual se olha e da maneira pela qual se analisa.

Luiz Zanin Oricchio - O Estado de S.Paulo,

01 de fevereiro de 2012 | 21h00

No primeiro caso, cabe registrar que o número de ingressos aumentou muito de 2010 para 2011, e tem aumentado progressivamente de ano a ano, o que quer dizer que o negócio cinema melhorou. Boa notícia para os donos de sala, a ser atribuída, por certo, à melhoria da renda média do brasileiro, à entrada da classe C no circuito consumidor, etc. Mais gente tem grana para gastar com o lazer e parte desse dinheiro vai para o cinema.

No que toca ao cinema brasileiro, comemora-se o fato de sete filmes terem quebrado a barreira do milhão de espectadores. 2011 teria então escapado à sina de ter um ou dois blockbusters nacionais a puxar a fila e o resto da produção a vegetar em números desprezíveis. Certo.

Mas, olhando pelo lado vazio do copo, o número de ingressos caiu 30% em relação ao exercício anterior... justamente porque a produção de 2011 não dispunha desses blockbusters de 2010, o espírita Nosso Lar e, em especial, Tropa de Elite 2, só ele responsável pela venda de 11 milhões de ingressos. Comemora-se também o fato de termos chegado a 98 lançamentos em 2012, esquecendo-se de que boa parte desses filmes teve desempenho abaixo de pífio na bilheteria. Foram vistos pela família e círculo de amigos do realizador, se tanto.

Melhor então apurar a enumeração de dados pela análise de outras fontes. Olhando-se o repertório de filmes brasileiros lançados em 2011, vê-se uma quantidade razoável de títulos interessantes e dignos. Por outro lado, sobressaem na bilheteria quase só as comédias grosseiras e com elenco televisivo como Cilada.com e De Pernas pro Ar. Dá para comemorar um fato desses? Filmes valiosos como Trabalhar Cansa e Riscado atraíram menos de 8 mil espectadores cada um. Segundo dados do boletim Filme B, cerca de 20 longas-metragens tiveram menos de mil (mil!) espectadores. Os diretores se acham gênios e seus amigos estão de acordo. Só esqueceram de avisar o público. De outras 11 produções nada se sabe pois as distribuidoras nem sequer informaram seus números. Filme que ninguém vê tem relevância social, ou mesmo artística?

O lado vazio do copo é assustador.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.