REUTERS/Dylan Martinez
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Burt Reynolds lutava para pagar dívidas desde 2010

Em 2014, ele se viu obrigado a vender objetos pessoais em um leilão para pagar a hipoteca de uma casa na Flórida

AP

06 Setembro 2018 | 20h37

O ator norte-americano Burt Reynolds morreu nesta quinta-feira, 6, de ataque cardíaco aos 82 anos, segundo foi informado pela própria família. Reynolds convivia com problemas de saúde desde 2010.  

Burt também tinha problemas financeiros desde 2014, quando viu-se obrigado a vender seus próprios objetos pessoais em um leilão para pagar a hipoteca de uma casa na Flórida. Foi assim que o ator teve de se desfazer de dois Globos de Ouro que recebeu por atuações, um casaco usado no filme O Comboio dos Malucos, de 1980, e as botas de caubói que usou no filme Striptease, de 1996.

O Bank of America resolveu processar o ator alegando que ele não pagava os vencimentos de um empréstimo desde 2010. Além do dinheiro conseguido com o Bank of America, ele também havia contraído outros dois empréstimos. O ator chegou a reduzir o valor da casa de US$ 15 milhões para US$ 3,3 milhões. Outros negócios falidos foram uma equipe de futebol americano e uma rede de restaurantes.

Burt Reynolds iniciou seu destaque em Hollywood em filmes como Amargo Pesadelo e Agarre-me se Puderes, ambos lançados nos anos 1970. A notícia da morte foi confirmada nesta quinta pelo agente do ator, Todd Eisner, que não ofereceu mais detalhes.

Um dos maiores destaques de Reynolds ocorreu em 1997, quando atuou em Boogie Nights: Prazer Sem Limites, longa-metragem dirigido por Paul Thomas Anderson. Ele levou um Globo de Ouro pela performance e foi indicado ao Oscar na categoria de melhor ator coadjuvante. Dentre as mulheres com as quais manteve relações amorosas, estão Loni Anderson, Sally Field y Dinah Shore.

Reynolds inspirou uma amplia variedade de reações ao longo de sua extensa e errática carreira: foi aclamado pela crítica e depreciado pela mesma; colecionou êxito comercial e também fracassos de bilheteria. 

O longa Boogie Nights garantiu ao ator a indicação a um Oscar. Um Emmy chegou também, graças à série de TV Evening Shade. Seu papel em Deliverance foi muito elogiado.

Ao mesmo tempo, e ironicamente, Reynolds se tornou um candidato frequente em premiações não muito lisonjeiras, eleito como “o pior de Hollywood” em muitas ocasiões. Enquanto isso, sua vida pessoal proporcionava dramas com uma regularidade considerável, particularmente depois de seu amargo divórcio de Anderson, em 1995. Alvo de fofocas e especulações amorosas, seu casamento com Judy Carne foi considerado “acidentado” pela temperatura alta que atingia com brigas e separações esporádicas. Depois vieram um romance com Shore e a relação com Field.

Mas Burt Reynolds sempre apresentava uma personalidade genial, rindo ele mesmo de sua própria imagem conflituosa. “Minha carreira não tem nada de histórico médico regular (observado em um eletrocardiograma). Ela está mais para um ataque cardíaco”, afirmou em entrevista à The Associated Press, em 2001. “Eu fiz mais de 100 filmes e sou o único ator que foi despedido pelas três redes de TV dos Estados Unidos. Eu personifico a longevidade”.

Reynolds era franco sobre seus fracassos, seus arrependimentos e seus muitos amigos famosos. Ele mesmo qualificou o fato de posar nu para a revista Cosmopolitan como um de seus maiores erros porque minou o respeito que havia ganhado com Deliverance.

Alimentou uma veneração a nomes como Spencer Tracy como um de seus primeiros mentores e chegou a conhecer Johnny Carson, Clint Eastwood, Frank Sinatra e muitos outros.

Um certo mistério permanece com relação ao local de nascimento do ator. Em sua autobiografia, ele afirma que seus familiares viviam em Waycross e que seu pai foi recrutado para servir nas frentes do exército dos Estados Unidos. Mas outras fontes afirmam que ele nasceu em Lansing, no estado do Michigan. My Life, o livro, não ajuda muito por não fazer referência ao local exato de nascimento. O próprio artista conta de quando brincava pelas ruas de Lansing, mas não chega a mencionar Waycross. 

Sua estreia no cinema foi em 1961, atuando em Angel Baby. Um ídolo, Clint Eastwood foi quem disse que ele deveria tentar a vida à frente das câmeras de cinema. No início, depois de ganhar fama em programas e filmes de TV, migrou para assegurar papéis importantes, mas em filmes de baixo orçamento. Então, tudo começou com o bang bang Navajo Joe, de 1966. 

Atuou, ainda nesse período, em dois programas policiais. Sobre um deles, se referiu ao ator Dan August de forma sarcástica a respeito de sua interpretação plana. “Ele tem duas formas de interpretar”, disse a Johnny Carson. “Bravo e muito bravo.”

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