REUTERS/Mario Anzuoni
A cantora Britney Spears é tema de dois documentários nos serviços de streaming Netflix e GloboPlay.  REUTERS/Mario Anzuoni

'Britney vs Spears': documentário da Netflix expõe ilegalidades da tutela que controla popstar

Filme lançado um dia antes de a cantora pop ir ao tribunal lutar novamente por sua independência traz personagens e episódios até então pouco explorados 

João Ker, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2021 | 07h53

Após meses de especulação, a Netflix lançou nesta terça-feira, 28, seu próprio documentário sobre Britney Spears e a luta de 13 anos que ela trava para eliminar uma tutela que garante ao seu pai o controle de sua vida e de suas finanças. A data de estreia para Britney vs Spears não poderia ser mais oportuna, uma vez que a Princesa do Pop tem aquela que pode ser a última audiência antes de sua liberdade marcada para a tarde desta quarta-feira, 25.

Dirigido pela jornalista Jenny Eliscu e pela cineasta Erin Lee Carr, Britney vs Spears traz muito da história que o público já conhece, principalmente depois de pelo menos seis documentários lançados sobre a batalha legal da artista. Ainda no último fim de semana, a CNN dos Estados Unidos exibiu um especial de uma hora na noite de domingo (“Toxic: Britney Spears’ Battle for Freedom”), enquanto a equipe do The New York Times anunciou e lançou na mesma sexta-feira, 25, “Controlling Britney Spears”, a continuação direta do já premiado Framing, disponível no Globoplay desde março. 

Mas apesar da já quase saturação sobre o tema e a pluralidade de testemunhas que até então não haviam se manifestado publicamente, o documentário da Netflix ainda alcança seu próprio mérito por, principalmente, ouvir com exclusividade pessoas essenciais a períodos conturbados da vida de Britney. Quase metade do filme é dedicada ao biênio de 2007 a 2009, quando ela atingia o topo das paradas com os sucessos de “Blackout” e “Circus” e, ao mesmo tempo, enfrentava nos tribunais da Califórnia um processo de divórcio, de guarda dos filhos e, por fim, de tutela. 

Se Framing Britney Spears fez barulho ao lembrar a forma como a mídia e a cultura dos paparazzi deterioraram a imagem pública de uma popstar, Britney vs Spears explica o que se passava em seu círculo íntimo e suas relações pessoais durante esse período. Dois relacionamentos não tão explorados até então são relembrados através de entrevistas exclusivas com o paparazzo Adnan Ghalib, com quem a artista teria se relacionado brevemente ao final de 2007; e Sam Lutfi, o empresário que assumiu a vez de seu agente e o papel de “má influência” que acabou “justificando” a tutela em que ela se encontra hoje. 

Assista ao trailer:

Ambos eram frequentemente fotografados ao lado de Britney nas noites em que ela percorria as ruas de Los Angeles com 30 carros na sua cola, uma lata de red bull na mão e uma peruca rosa na cabeça. Enquanto Sam explica que a relação da artista com a família já era no mínimo complicada até ali, Adnan conta o momento em que o namoro com ela foi interrompido pelo pai, que a partir dali tinha o direito de restringir suas visitas e impedir que ela se encontrasse com qualquer pessoa.

Um dos episódios mais sinistros - dentre os vários relatados no documentário e que você pode ver aqui [linkar segunda matéria] - é narrado pela própria Jenny Eliscu, à época repórter da Rolling Stone. Ela foi escondida ao Beverly Hills Hotel passar um documento por baixo da porta do banheiro para que Britney assinasse sem que os seguranças, a serviço de seu pai, vissem. Orquestrada por Sam e Adnan, a tentativa que a popstar fez em 2009 de contratar seu próprio advogado para lutar contra a tutela também falhou, e foi uma das últimas vezes em que ela tentou algo parecido até 2019, quando cancelou sua segunda residência em Las Vegas, “Domination”. 

Essa e outras passagens do documentário, como a carta escrita de próprio punho na qual ela explica o que aconteceu na fatídica noite em que foi amarrada em uma maca e internada à força enquanto se recusava a devolver os filhos para o pai, transformam Britney Vs Spears em uma lupa sobre meses e anos conturbados, e até então mal explicados, na vida da Princesa do Pop. O filme consegue simultaneamente explicar o imbróglio jurídico e as armadilhas legais para o público geral, ao mesmo tempo em que presenteia os fãs com detalhes, retrospectivas e conteúdos exclusivos bem detalhados e, melhor ainda, contextualizados.

Assista ao trailer:

Para a opinião pública, o filme mostra que a mulher muitas vezes chamada de louca estava apenas tentando conciliar os fantasmas pessoais de uma mãe recém-divorciada com a persona pública da popstar mais fotografada e buscada na internet durante os anos 2000. Já para o tribunal da Califórnia, Britney Vs Spears explica de maneira estarrecedora como o sistema legal de tutela permitiu que a uma das popstars mais poderosas fosse medicada, controlada e silenciada por mais de 13 anos sem seus direitos humanos básicos.

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Pai de Britney Spears é investigado pelo FBI por abuso em tutela

‘Apavorante e excessiva invasão da privacidade de sua filha adulta’, declara advogado da cantora

Bárbara Correa*, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2021 | 11h14

O pai de Britney Spears, Jamie, é alvo de uma investigação do FBI. A informação foi dada pelo site norte-americano Deadline nesta segunda-feira, 27. 

O processo é motivado por suposto abuso do poder. A investigação é consequência das descobertas do documentário Controlling Britney Spears, que foi lançado na semana passada. 

A produção do FX e uma reportagem do The New York Times alegam que Jamie havia criado um detalhado sistema de vigilância. Com o intuito de monitorar cada movimento e conversa da cantora, ele utilizou escutas no quarto dela nos últimos anos.

Diante disso, o advogado de Britney, Matthew Rosengart, reforçou, na manhã desta terça-feira, 28, a petição para remover o pai imediatamente do comando da tutela judicial. No documento, ele caracterizou o comportamento como "uma apavorante e excessiva invasão da privacidade de sua filha adulta".

A petição de Rosengart reconhece que o documentário não apresenta provas definitivas das alegações, mas argumenta que "independente de para onde vão essas acusações, o que é impossível de negar é o quanto elas são alarmantes para a Srta. Spears, e o quanto elas magnificam a urgência de remover o Sr. Spears [da tutela] imediatamente".

Apesar de Jamie e a equipe de segurança negarem a suposta rede de vigilância, denunciada em Controlling Britney Spears, o Deadline apurou que as autoridades federais estão examinando as alegações para iniciar uma possível investigação criminal. 

A agência governamental não comentou sobre o caso, como é de praxe com investigações em curso. A tutela judicial em questão foi estabelecida em 2008, após internação de Britney em clínica de reabilitação devido aos problemas psicológicos enfrentados pela artista.

Recentemente, após longa batalha judicial, Jamie Spears aceitou renunciar, embora somente após um "período de transição". Em resposta, Britney já fez o advogado pedir que a tutela seja completamente revogada até o final do ano.

*Estagiária sob supervisão de Charlise Morais

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Audiência de Britney Spears pode marcar fim definitivo da tutela do pai

Juíza do Tribunal Superior de Los Angeles comanda audiência que pode ser crucial

AFP, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2021 | 07h35

Depois de semanas de turbulência, as tentativas da pop star Britney Spears de acabar com a tutela de seu pai podem ser concluídas com uma audiência na quarta-feira, 29.

O pai de Britney controlou sua vida nos últimos 13 anos, sob um polêmico acordo legal que a cantora criticou como "abusivo", e que seus advogados estão exigindo que seja removido.

Jamie Spears "deve ser suspenso em 29 de setembro, seguido pela rápida anulação da tutela", escreveu o advogado do artista, Mathew Rosengart, em um documento apresentado ao tribunal esta semana. “Cada dia que passa com ele como tutor, cada dia e cada hora (...) causa angústia e dor para a filha”, afirma a carta.

Suas opiniões encontraram apoio em um documentário do New York Times lançado na sexta-feira, segundo o qual Jamie Spears instalou dispositivos secretos de vigilância no quarto de Britney para escutar suas conversas.

"Isso realmente me lembra alguém na prisão", disse o ex-funcionário de uma empresa de segurança aos autores do documentário Controlling Britney Spears.

Os advogados da popstar disseram esta semana que o documentário revela "uma invasão chocante e inconcebível da privacidade de sua filha adulta" por Jamie Spears.

O pai nega que tenha feito vigilância ilegal. Mas outro documentário, Britney vs. Spears, da Netflix, lançado na terça-feira, observa que Britney tentou duas vezes contratar seu próprio advogado no início da tutela, mas foi negado.

Britney finalmente conseguiu nomear Rosengart como seu advogado em julho, e em agosto seu pai entrou com uma petição para encerrar a tutela da cantora.

Mas, mesmo admitindo que sua filha "acha que pode cuidar da própria vida", ele continua como seu tutor.

Em seu briefing esta semana, os advogados de Britney acusaram Jamie Spears de tentar adiar o fim da tutela para seus próprios interesses financeiros.

Seus esforços são "um subterfúgio projetado para evitar o estigma de ser suspenso e suas consequências", disse o documento.

Representantes e apoiadores de Britney acusaram seu pai de se beneficiar da tutela, estabelecida após um colapso nervoso em 2007, quando a estrela de cabeça raspada atacou o veículo de um fotógrafo em um posto de gasolina.

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Britney Spears diz que pai está tentando extorquir dinheiro para deixar tutela

Jamie Spears pede 2 milhões de dólares e advogado da cantora alega: ‘Ela não será intimidada pelo pai’

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2021 | 13h56

Britney Spears revelou que o pai, Jamie Spears, está tentando extorquir dinheiro dela como condição para deixar o cargo de tutor. A informação foi divulgada nesta terça-feira, 31, pelo TMZ, que teve acesso a documentos legais.

No início do mês, os fãs da cantora comemoraram a notícia de que o patriarca tinha concordado em renunciar a tutela. Porém, a equipe jurídica de Britney afirma que Jamie está pedindo 2 milhões de dólares para isso.

O valor seria utilizado para pagar os ex-advogados e a Tri Star Sports & Entertainment Group, antiga empresa que gerenciava os negócios da artista. "Independentemente do passado, o Sr. Spears e seu advogado estão agora em alerta: isso não é mais tolerável, e Britney Spears não será extorquida", disse Matthew Rosengart, advogado da cantora. 

Ela exige que o pai não seja mais seu tutor, enquanto Jamie pede para a Justiça uma “transição ordenada”. Mas Britney acredita que as autoridades vão atender aos seus pedidos em breve, levando em consideração que têm uma audiência marcada para o dia 29 de setembro. 

“O mundo ouviu o testemunho corajoso e convincente da Sra. Spears. A vida de Britney Spears é importante. Seu bem-estar é importante. Todos os dias são importantes. Não há base para esperar”, alegou o advogado nos documentos.

Matt Rosengart também conversou com o TMZ a respeito da tentativa de extorsão. “Britney Spears não será intimidada ou extorquida por seu pai. Nem o Sr. Spears tem o direito de tentar manter sua filha como refém estabelecendo os termos de sua remoção da tutela”, afirmou. 

“Isso não é sobre ele, é sobre o melhor interesse de sua filha, que por uma questão de lei, determina sua remoção. Mesmo deixando de lado as questões legais que exigem sua remoção imediata, se ele ama sua filha, o Sr. Spears deveria renunciar agora, hoje, antes de ser suspenso. Seria a coisa certa e decente a fazer”, explicou.

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Jamie Spears afirma que ‘vício e saúde mental’ de Britney são ‘piores do que o público sabe'

Após renunciar à tutoria da filha, o pai da artista diz que ele deveria ser elogiado pelo o que fez por ela

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2021 | 18h37

Dez dias após Jamie Spears renunciar à tutela de sua filha Britney Spears, veio à público mais um trecho do documento judicial de 15 páginas, onde o pai da cantora garante que a salvou de um desastre. Segundo o depoimento registrado no Tribunal do Condado de Los Angeles pela advogada Vivien Thoreen, “os problemas de vício e saúde mental são piores do que o público sabe" e diz que seu cliente deveria ser "elogiado" por tudo o que fez.

Jamie, 69, foi tutor da filha e controlou suas finanças por 13 anos. No dia 12, ele desistiu da tutela após Britney iniciar procedimentos legais para revogar a polêmica condição, que gerou até um movimento de protesto dos fãs, Free Britney, que existe desde 2007.

No documento, em resposta à petição de sua filha, a advogada diz: "Se o público conhecesse todos os fatos da vida pessoal da Sra. Spears, não apenas seus altos, mas também seus baixos, todos os vícios e problemas de saúde mental que ela tem lutado com todos os desafios da tutela, eles elogiariam o Sr. Spears pelo trabalho que ele fez, e não o difamariam. Mas o público não conhece todos os fatos, e eles não têm o direito de saber, então não haverá redenção pública para o Sr. Spears." 

Tratamento 

Thoreen explicou ainda que, embora Jamie tenha iniciado o plano de tratamento com sua filha, foi a tutora pessoal da cantora, Jodi Montgomery, quem supervisionou a ingestão de medicamentos prescritos nos últimos anos.

Ele afirma que, em junho deste ano, Britney tomou lítio (antidepressivo) “do nada”. O tratamento foi aceito por Montgomery, bem como pelo falecido psiquiatra de Britney, Dr. Benson, e seu ex-advogado Sam Ingham III, juntamente com outros especialistas médicos.

No documento, Jamie ainda afirma que Montgomery recebeu 10 mil dólares para custear o tratamento, mas as despesas médicas muitas vezes "ultrapassavam essa quantia". 

Jamie diz que entende que a filha se sentiu "constrangida", mas insiste que o plano de tratamento foi estabelecido para "protegê-la de se machucar". 

"Não há dúvida de que a tutela salvou a Sra. Spears do desastre, apoiou quando ela mais precisava, protegeu ela e sua reputação de danos e facilitou a restauração de sua carreira", afirma o documento legal. As informações do site The U.S. Sun

Jamie disse que está disposto a deixar seu cargo na tutela porque uma "rixa pública" não seria o melhor para Britney.

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10 revelações sobre a tutela de Britney Spears

Através de entrevistas e documentos sigilosos, três documentários contam detalhes da tutela em que a cantora vive desde 2008

João Ker, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2021 | 08h57

Em 23 de junho, Britney Spears falou publicamente pela primeira vez e em detalhes sobre algumas das privações e os muitos abusos que sofreu nos últimos 13 anos, desde que foi colocada sob uma tutela que garante ao pai poder sobre sua vida pessoal, profissional e suas finanças. Durante um longo e emocionado depoimento à Corte de Los Angeles, a Princesa do Pop se autodeclarou uma “vítima de tráfico humano” e disse que era impedida sequer de remover o DIU e tentar engravidar. Três documentários lançados nos últimos dias ajudam a entender um pouco melhor como essa armadilha judicial foi possível e até que ponto ela chegou.

No sábado, 25, a equipe do The New York Times lançou Controlling Britney Spears, a continuação do filme de março, Framing Britney Spears, com novas entrevistas, documentos e um olhar mais aprofundado sobre a tutela, tão pouco explorada no primeiro filme. No dia seguinte, a CNN dos Estados Unidos exibiu um especial de uma hora sobre o tema, no qual traz relatos de fontes próximas à artista que falam pela primeira vez sobre como ela se sente e quem ela culpa pela prisão em que vive. 

Já nesta terça-feira, 28, a Netflix lançou o documentário Britney vs Spears, o mais recente a vasculhar a vida pessoal e profissional da artista desde 2007, trazendo também uma série de detalhes e episódios ainda obscuros sobre os últimos 13 anos. Abaixo, confira as principais revelações feitas pelas três produções:

Medicação alterada: a equipe de Britney vs Spears teve acesso a documentos sigilosos e até então inéditos sobre as prescrições médicas e os remédios psiquiátricos que a popstar era obrigada a tomar por seus tutores. Em 2009, quando se preparava para a turnê mundial de divulgação do álbum Circus, Britney tomava estimulantes para dar conta da rotina intensa de shows, viagens e divulgação. Já em 2013, durante sua participação como jurada no The X Factor, a dose dos remédios foi aumentada já que ela se sentia sob a “pressão indevida” de um programa ao vivo. 

Em seu próprio depoimento ao tribunal, Britney disse que quando se recusou a continuar trabalhando, em 2019, sua equipe a dopou com lítio, um antidepressivo que a deixava “bêbada” e incapaz de “ter uma conversa com a minha mãe ou meus filhos sobre qualquer coisa”. 

Vigilância 24 horas: desde que entrou para a tutela, Britney é seguida 24 horas por dia pelos seguranças contratados com seu próprio dinheiro. Mais do que mantê-la segura, eles vigiam qualquer interação da popstar com amigos, familiares, colegas de trabalho e namorados. Uma equipe também está sempre posicionada dentro de sua casa, mesmo que ela esteja sozinha.

Gravadores escondidos: uma das principais revelações de Controlling Britney Spears foi feita por Alex Vlasov, que trabalhava na equipe de segurança da empresa Black Box no monitoramento de Britney. Segundo ele, a casa da popstar era repleta de gravadores escondidos, inclusive seu quarto, que registravam desde conversas que ela tinha com os filhos até suas reuniões com o próprio advogado, que teoricamente teriam o privilégio do segredo garantido pela justiça da Califórnia. Ao todo, Vlasov diz que mais de 180 horas foram capturadas na casa da artista sem que ela soubesse ou tivesse consentido.

Grampeada: além dos gravadores escondidos e da vigilância de seguranças, o telefone de Britney foi grampeado pela mesma empresa, que tinha acesso a todas as ligações que ela fazia ou recebia, mensagens que trocava, sites que visitava e fotos que tirava. 

Lucro de terceiros: os três documentários deixam claro que o pai de Britney, Jamie Spears, ganha uma mesada fixa de U$ 16 mil, além das porcentagens para cada negócio que ela fechasse, show que vendesse ou música que gravasse. Em Controlling Britney Spears e Britney vs Spears, vários profissionais que trabalharam com a popstar em shows e programas ao longo do ano relataram que ela se sentia cansada do excesso de trabalho e precisava de uma pausa, mas era forçada a continuar se apresentando para que as pessoas envolvidas não deixassem de lucrar.

Restrição financeira: apesar de ser uma das artistas mais lucrativas das últimas décadas, Britney não podia almoçar sushi, comprar roupas ou sequer um celular. Tish Yates, responsável pelo figurino da turnê do “Circus”, conta em Controlling que a artista foi proibida de comprar um tênis e ela acabou tirando o dinheiro do próprio orçamento de figurino e dando-o de presente à popstar. 

Tentativas de socorro: Britney vs Spears traz depoimentos de pessoas que receberam cartas da popstar pedindo ajuda. Uma delas foi o fotógrafo Andrew Gallery, que filmou o documentário For The Record, em 2008. Além de entregar-lhe uma carta escrita de próprio punho, Britney pediu que ele a lesse na televisão para esclarecer o episódio em que se trancou no banheiro com os filhos. Ela também pediria ocasionalmente para usar o telefone pessoal do amigo e ligar para advogados ou conhecidos em busca de ajuda.

Outro episódio narrado no documentário conta uma tentativa frustrada de Britney contratar seu próprio advogado já em 2009. Ela teria se encontrado escondida com uma jornalista no banheiro do Beverly Hills Hotel e assinado um documento no qual afirmava que não tinha como confiar no advogado Sam Ingham, apontado pela corte, e que era vítima de abuso da tutela.

 

Exploração: a CEO da companhia TriStar finalmente recebeu papel de destaque em todos os três documentários, que apontaram como ela foi uma das principais responsáveis por adiantar e idealizar o processo de tutela através de Jamie Spears. Mais do que isso, ela também teria recebido uma grande porcentagem dos lucros da popstar e uma segunda funcionária, Robin Greenhill, tinha como função isolar a artista de qualquer contato pessoal, assim como manter uma agenda de trabalho que incluía dias úteis até em seu aniversário.

Lou Taylor: fontes próximas a Britney e ouvidas pela CNN afirmam que a popstar culpa Lou Taylor pela tutela e por muitos dos problemas que se seguiram. “Britney está ciente e com raiva do poder exercido sobre ela por Lou Taylor e sua empresa, que arrancaram milhares de dólares da sua fortuna.”

Violência doméstica: desde 2019, há muita especulação sobre o que teria motivado Britney a lutar novamente para sair da tutela e qual teria sido a gota d’água para que ela se revoltasse contra o pai. Em Britney vs Spears, o advogado de Kevin Federline, ex-marido da artista e pai de seus filhos, finalmente confirma que Jamie Spears teria colocado os dois meninos em um situação que eles “temiam pela própria segurança”, após uma briga em que ele teria tentado agredir um dos rapazes. Outros documentos apontam que a própria Britney tentou contestar a capacidade do pai de ser tutor, uma vez que ele estaria se embriagando regularmente. “E quem é ela para cobrar isso de alguém?”, respondeu a juíza.

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