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Bressane estreia seu 'Educação Sentimental' no Festival de Locarno

Mostra suíça dedicada a filmes de autor tem ainda outro brasileiro em competição, o curta 'Tremor'

Rui Martins - Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2013 | 19h46

Com Denzel Washington e Mark Wahlberg, o filme americano Dose Dupla (2 Guns), dirigido pelo islandês Baltasar Kormákur, abriu na quarta, 7/8, o 66.º Festival Internacional de Locarno. No dia 15, será a estreia do longa-metragem brasileiro Educação Sentimental, de Julio Bressane, no Pavilhão Fevi, que tem 3 mil lugares.

Com um jovem novo diretor italiano, um programa ambicioso de inovação dentro da tradição, com bons filmes e a atração da presença de cineastas e atores, a direção da mostra, que vai até o dia 17, quer manter-se no ranking mundial, logo depois de Cannes, Veneza e Berlim.

Nesta edição estará presente, aos 91 anos, o ator Christopher Lee que, nos seus 70 anos de cinema, já foi Sherlock Holmes, Drácula, Scaramanga (em 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro), Saruman (em Senhor dos Anéis) e Count Dooku (em Guerra nas Estrelas).

Vai também a Locarno, o cineasta especialista em efeitos especiais Douglas Trumbull, conhecido por sua participação no clássico de Stanley Kubrick 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968); por ter colaborado com Steven Spielberg em Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977); e pela direção de Corrida Silenciosa, de 1972. Essas três produções serão exibidas nesta edição.

Também estão confirmadas as participações dos convidados de honra Werner Herzog, Jacqueline Bisset, Anna Karina, Faye Dunaway, Otar Iosseliani e Victoria Abril, todas em contato direto com o público e respondendo às suas perguntas, numa versão interativa do tapete vermelho de Cannes.

Este ano, dois filmes brasileiros estarão na competição internacional, com a presença de seus diretores – Educação Sentimental, último longa-metragem de Julio Bressane, ainda inédito no Brasil, disputa o Leopardo de Ouro com outros 19 trabalhos; e Tremor, de Ricardo Alves Jr, curta de 14 minutos de duração.

A atração especial será a Retrospectiva de George Cukor (1899-1983), na qual serão exibidos 49 filmes do mestre da época áurea do cinema clássico de Hollywood. E, durante as noites quentes do verão suíço, oito mil espectadores poderão ver sentados e ao ar livre, num telão de quase 300 m², algumas estreias mundiais ou o filme chileno Glória, sensação na competição do 63.º Festival de Berlim, em fevereiro, cuja atriz (presente em Locarno), Paulina Garcia, ganhou o Urso de Prata de melhor interpretação feminina.

Conhecido por ser um festival do cinema independente, sempre surgem filmes de conteúdo político em Locarno. Desta vez, aguardado com grande expectativa pela imprensa suíça, haverá A Experiência Blocher, no telão da Piazza Grande.

Trata-se de um documentário sobre o líder do Partido do Povo Suíço, Christoph Blocher, populista nacionalista de extrema direita, cuja presença no colegiado do governo suíço foi de pouca duração, embora dirija o maior partido suíço em número de eleitores.

Nessa mesma praça, será exibida no telão ao ar livre, em estreia mundial, a versão em 3D de O Mágico de Oz, remasterizado e em cores mais vivas.

Depois de um diretor suíço, Frederic Maire, e um francês, Olivier Père, o Festival Internacional de Cinema de Locarno volta a escolher um italiano para a função de diretor artístico, como foram seus antigos diretores Marco Mueller, atual diretor do Festival de Roma, e Irene Bignardi, crítica de cinema no jornal La Republica.

Trata-se do jovem crítico de cinema Carlo Chatrian, apreciador e bom conhecedor do cinema brasileiro. Foi ele mesmo quem escolheu o filme Educação Sentimental para participar da competição internacional do evento, pois viu os últimos filmes do cineasta brasileiro Julio Bressane, com quem se encontrou recentemente.

Para Chatrian, o cinema brasileiro vive atualmente uma boa fase, o mesmo acontecendo com a produção latino-americana de forma geral. Tanto que participa também da competição internacional uma coprodução de Peru, França e México, El Mudo, dirigida pelos irmãos peruanos Daniel e Diego Vega.

E há ainda dois filmes argentinos na competição de curtas-metragens, dentro da mostra Leopardos de Amanhã, La Quietude, de Inés Maria Barrionuevo, e Los Palidos, de Martins Kalina.

Fazendo justiça aos esquecidos

Com orçamento de 10 milhões de euros (US$ 13,2 milhões), dos quais 44% financiados por instituições públicas, o Festival de Locarno recebe, durante 11 dias, cerca de 250 filmes de mais de 40 países, que serão exibidos em três competições oficiais. A mostra tem o objetivo de resgatar filmes e diretores esquecidos.

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