Brasil tem representantes em diversos projetos do Festival de Cannes

País não concorre à Palma, mas leva à Quinzena dos Realizadores o curta ‘Sem Coração’

Flavia Guerra, O Estado de S. Paulo

11 de maio de 2014 | 21h52

O Brasil mais uma vez ficou de fora da competição oficial do Festival de Cannes 2014. O País, que em anos anteriores tinha filmes competindo ao menos nas mostras paralelas do evento (Un Certain Regard, Quinzena dos Realizadores e Semana da Crítica), desta vez não leva nenhum longa-metragem à Croisette.

A única produção nacional a disputar prêmios em Cannes 2014 é o curta Sem Coração, de Nara Normande e Tião, que integra a competição da Quinzena dos Realizadores.

 

 

Rodado no litoral de Alagoas, nas praias de São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras, conta a história de um garoto que se apaixona por uma garota que usa marca-passo e por isso é chamada de Sem Coração.

Outro representante brasileiro na Croisette é o diretor Walter Salles (que competiu em 2012 com On The Road). Desta vez, o cineasta está à frente da Fábrica dos Cinemas do Mundo, organização que apoia cineastas promissores a realizar seus primeiros projetos. Desta vez, a iniciativa recebe produções de Cuba, Brasil, Venezuela. "Meu desejo é compartilhar, mas também fazer jovens diretores de culturas diferentes trocarem ideias em torno de seus projetos de primeiros filmes", declarou o diretor, que também competiu à Palma de Ouro em 2008 pelo belo Linha de Passe, longa sobre garotos que vivem na periferia de São Paulo. A atuação impecável de Sandra Corveloni garantiu à atriz a Palma de Ouro de melhor atuação feminina naquele ano.

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Quem representa o País na Fábrica desta edição é a dupla paulista Marco Dutra e Caetano Gotardo, diretores de Quando Eu Era Vivo e O que se Move, respectivamente. Os dois já são figuras assíduas na Croisette e Dutra competiu na mostra Un Certain Regard em 2011 com Trabalhar Cansa (com codireção de Juliana Rojas).

O projeto Todos os Mortos, de Gotardo e Dutra integra a Fábrica este ano e também participa na Residénce da Cinéfondation, que auxilia jovens cineastas a desenvolverem seus projetos desde o roteiro até questões de produção. O longa, aliás, tem produção da Dezenove Som e Imagens e produção executiva de Sara Silveira. Todos os Mortes conta a história de um grupo de mulheres de uma família rica, incapazes de se adaptar às mudanças do mundo contemporâneo. Sara, a propósito, ministra palestra para os participantes da Fábrica no dia 17 de maio, às 15h30. Durante a master class, exclusiva para os 12 diretores e produtores 12 selecionados para a Fábrica, a produtora irá tratar da realização de primeiros filmes, área de excelência da Dezenove, casa de produção famosa por descobrir novos talentos do cinena nacional. "Para a Dezenove Som e Imagens, Cannes é um festival muito importante, pois tem um mercado muito grande e é o lugar onde tem a maior concentração do setor cinematográfico no mundo, o que pode facilitar o trabalho de co-produção no cenário internacional", declarou Sara.

De volta às mostras competitivas, ainda que de forma indireta, o País está presente na seção Un Certain Regard com O Sal da Terra, documentário sobre o fotógrafo Sebastião Salgado, dirigido por Wim Wenders e pelo filho de Sebastião, Juliano Ribeiro Salgado.

Para terminar, para o Short Film Corner, mercado de exibições, encontros e projeções paralelo à programação oficial de Cannes, o País leva, entre outros projetos, o curta Os Bons Parceiros, adaptação da obra de Plínio Marcos. Produzido de forma independente por Elder Fraga, o filme conta com os atores Luciano Quirino (Gonzaga de Pai para Filho) e Thogum Teixeira (Tropa de Elipe). "É uma grande conquista para nós. Vamos realizar sessões, fazer reuniões com possíveis compradores e parceiros e também apresentar outros projetos de longas-metragens. Vai ser muito importante esta nossa primeira vez no festival", declarou Fraga.

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