Brasil estará no Festival de Cannes com a Semana da Crítica

O Festival de Cannes realizou, no último domingo, sua noite brasileira, após a estréia do longa-metragem Ana, Sonhos de Peixe, do diretor russo Kirill Mikhanovsky, e o curta Alguma Coisa Assim, de Esmir Filho, ambos na Semana da Crítica.Ana, Sonhos de Peixe, filme que tem como cenário de fundo um povoado do litoral do nordeste e tem como atores habitantes locais, conta o amor de Juscelino, um jovem pescador de lagosta de 17 anos, por Ana, fiel espectadora de telenovelas que a fazem sonhar em "ver coisas novas".O diretor, nascido em Moscou e emigrado aos Estados Unidos com a família, explicou que queria preparar muito mais e durante mais tempo a filmagem, que durou apenas um mês e meio. Segundo o russo, 80% de seu conteúdo foi ditado pelos elementos, pelas circunstâncias, pelas pessoas que podia encontrar. "Foi só na sala de montagem que percebi a possibilidade de uma potência superior" em meu filme, cuja existência é, em si, "um verdadeiro milagre", considerou o diretor.O resultado é uma obra carnal, com um ritmo encantador, na qual o espectador entra sem dificuldade na vida do litoral brasileiro, graças à naturalidade com a qual Mikhanovsky conduz a câmera entre seus atores improvisados.O filme compete pelos prêmios da Semana, mas também à Câmera de Ouro, por ser o primeiro longa-metragem do jovem diretor.Sua obra foi selecionada por ser "formalmente magnífica", estar "carregada da alma latina" e ter momentos de "verdadeiro grande cinema, de cinema de autor inspirado", disse o delegado-geral deste festival paralelo em Cannes, Jean-Christophe Berjon. "É de uma louca sensualidade e denuncia com extrema delicadeza e contundência da sociedade consumista, quase mesquinha. Ao mesmo tempo é uma lição de vida que não tenta dar mensagem. Não é didático em absoluto", declarou Berjon, acrescentando que "está escrito como um poema que acaricia o ouvido".Para Berjon, se trata de "um filme único", que se deixa preceder com perfeição pelo curta de Esmir Filho sobre dois jovens adolescentes de uma grande cidade, filhos de famílias mais ou menos burguesas, que descobrem a vida e descobrem a si mesmos. "Fazemos raramente ´casamentos´ geográficos, mas estes dois filmes são muito ´sensuais e sensitivos´ e falam muito da matéria humana", disse.

Agencia Estado,

22 de maio de 2006 | 16h50

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