Brasil e Argentina avançam na co-produção

Animados pelo sucesso da co-produção Diários de Motocicleta e pela renovação de um acordo de distribuição, profissionais de cinema argentinos e brasileiros estão estudando dezenas de projetos em conjunto. Segundo Eva Piwowarski, secretária técnica da Recam (Reunião Especializada de Autoridades Cinematográficas e Audiovisuais do Mercosul e Países Associados), somente nos dois últimos meses, trinta projetos de co-produções cinematográficas chegaram às suas mãos. A Recam é o órgão oficial do cinema do Mercosul, formado por representantes dos quatro governos do bloco e seus dois sócios ? Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, Chile e Bolívia. Piwowarski disse que três novas co-produções já chegarão às telas dos dois países no ano que vem: La Mala Hora, de Rui Guerra, baseado na obra do colombiano Gabriel García Marquez, com co-produção argentina; Diário de um Novo Mundo, do brasileiro Paulo Nascimento, com co-produção argentina, uruguaia e portuguesa; A Família Rodante, do argentino Pablo Trapero, com co-produção brasileira. ?É a primeira vez que Brasil e Argentina estão cinematograficamente tão próximos. É um momento inédito, uma das melhores notícias do Mercosul e que também vem contagiando outros países vizinhos e sócios do bloco, como Peru, por exemplo?, afirmou. Os projetos incluem roteiros sobre questões sociais nos dois países, documentários e romances. O ?cinema sem fronteira?, como vem sendo chamada essa integração, especialmente entre o Brasil e Argentina, inclui ainda interesses de diretores argentinos em contar com artistas brasileiros nos seus filmes. E vice-versa. Os filmes Central do Brasil, de Walter Salles, Cidade de Deus, dirigido por Fernando Meirelles, Carandiru, de Héctor Babenco, e Madame Satã, de Karim Aïnouz, exibidos no país, despertaram a curiosidade dos argentinos pelo cinema brasileiro, disse Eva Piwowarski. O diretor argentino Marcelo Piñeyro, um dos mais premiados do país e responsável pelos filmes Plata Quemada e Kamchatka, entre outros, disse à BBC Brasil que causaram ?surpresa? a alta presença do público e a aprovação da crítica brasileira ao cinema argentino. ?Não sabíamos que poderíamos ter filmes com tanta repercussão no Brasil?, afirmou ele. Em agosto do ano passado, os governos brasileiro e argentino assinaram convênio, no Itamaraty, assumindo compromisso de distribuição de oito filmes do Brasil na Argentina e oito argentinos nas salas brasileiras. No mês passado, a iniciativa foi renovada, logo após lançamento de um Festival de Cinema Brasileiro, que termina nesta semana. A Ancine (Agência Nacional do Cinema) e o Incaa (Instituto Nacional de Cine e Artes Audiovisuais) destinaram, por ano, R$ 560 mil e 560 mil pesos, respectivamente, para uma licitação que atraiu distribuidoras nos dois países. Para Eva Piwowarski, a integração cinematográfica só está começando. Segundo ela, os resultados serão ainda mais evidentes quando as legislações forem equiparadas e outras medidas saírem do papel. Caso do fundo de apoio ao cinema do Mercosul e seus associados, como Chile, Bolívia, Peru e Venezuela, com recursos oficiais e da iniciativa privada.

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