Brasil concorre ao Oscar com curta-metragem

Na corrida para o Oscar, enquanto todas as antenas estavam voltadas hoje para uma possível indicação de Eu, Tu, Eles, a divertida saga de poligamia sertaneja dirigida por Andrucha Waddington, um filme de 21 minutos, rodado entre Cotia e Santana do Parnaíba, em São Paulo, corria por fora e tornava-se a única esperança de o Brasil finalmente descobrir quanto pesa a famosa estatueta dourada.Uma História de Futebol, primeira experiência de Paulo Machline com uma câmera na mão, foi indicado ao Oscar de melhor curta-metragem.O diretor de 33 anos, que vive em Nova York desde 1998, soube da indicação pela Internet, dez minutos após a revelação dos nomes dos indicados pela televisão. Na tentativa de controlar a tremedeira que se seguiu à notícia, tomou meia garrafa de champanhe, fumou dez cigarros e só então sentiu-se preparado para atender aos inúmeros telefonemas que começavam invariavelmente assim: "Hey, man, you got it! (Cara, você conseguiu!).A indicação para o Oscar representa a consagração de um curta-metragem que já coleciona mais de 30 prêmios em festivais, entre eles o primeiro lugar no prestigiado Shorts Internationl Film Festival de Nova York, onde derrotou mais de mil candidatos em 1999. Apesar desta coleção de troféus, a carreira brasileira de Uma História de Futebol limitou-se apenas a algumas projeções no projeto Curta Às Seis, mantido pelo Espaço Unibanco de Cinema, além de exibições pelo Canal Brasil e TV Cultura."Espero que esta indicação desperte a atenção das tevês comerciais pelo meu filme", disse hoje o diretor. "Só assim poderemos atingir um público maior."Concluído a um custo de US$ 280 mil - "fui um mal produtor e gastei bem mais do que devia", confessa hoje Machline -, Uma História de Futebol é um breve passeio pelas lembranças de Aziz Naufal, que por mais de 30 anos foi funcionário da Sharp, empresa de propriedade da família do diretor. Quando tinha dez anos e vivia em Bauru, Naufal costumava jogar futebol em campinhos de várzea com um garoto impressionantemente talentoso com uma bola no pé, que na época ainda atendia pelo nome de Edison Arantes. "Ao ouvir esta história, percebi que tinha um material riquíssimo para um curta-metragem", diz Machline, que abandonou os negócios da família, nos quais atuava havia quatro anos, para se dedicar ao filme.Narrado por Antonio Fagundes, o curta mostra a final de um campeonato fictício de futebol em que Naufal dividiu o gramado com aquele rapazinho que mais tarde o planeta aprenderia a chamar de Pelé.

Agencia Estado,

13 de fevereiro de 2001 | 15h50

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