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Brasil aposta na sensibilidade com escolha de 'O Palhaço' para Oscar

Filme de Selton Mello irá concorrer a uma vaga entre os melhores filmes estrangeiros em 2013

Roberta Pennafort - O Estado de S. Paulo,

20 de setembro de 2012 | 14h37

RIO - A escolha de O Palhaço para representar o Brasil na disputa para uma vaga entre filmes estrangeiros no Oscar 2013 foi tomada depois de três horas de reunião da comissão de seleção convocada pelo Ministério da Cultura, no Rio. Foi uma conversa mais longa do que a de anos anteriores. Em 2011, por exemplo, Tropa de Elite 2 foi uma unanimidade desde o início da discussão. Acabou não passando para os cinco finalistas escolhidos pela Academia de Hollywood. Desta vez, privilegiou-se a "sensibilidade", disse a secretária do Audiovisual do MinC, Ana Paula Santana.

O produtor Flavio Tambellini, um dos oito integrantes da comissão, lembrou que “é uma novidade no cinema brasileiro um filme autoral de grande público.” O que fez com que o segundo longa dirigido pelo ator Selton Mello chegasse à disputa com grandes chances de ser escolhido. As comoventes atuações de Selton e de Paulo José também o credenciaram.

Ainda surpreso, e se acostumando com a notícia, Selton declarou ao Estado: “'O Palhaço' é um filme luminoso. Causou grande encantamento no público brasileiro. Filme que oferece reflexão em uma estrutura simples, sem querer ser maior do que o tema pedia. E é na simplicidade dele que reside sua grandeza. Recebo com grande alegria a incumbência de representar meu País.”

O diretor da Globo Filmes Carlos Eduardo Rodrigues, na comissão representando a Academia Brasileira de Cinema, acredita que não haja fórmulas para agradar aos eleitores da Academia. Mas O Palhaço “tem a alma brasileira, emociona, é corajoso, retrata bem o nosso espírito. Não é um filme frio, técnico. Tinha a pretensão de ser apenas um filme bem feito e acabou indo muito mais longe do que os produtores e o Selton imaginavam. Se a gente soubesse qual filme tem ‘cara de Oscar’, ganhava todo ano.”

Também integraram a comissão a secretária do audiovisual do MinC, a cineasta Ana Luíza Azevedo, o jornalista José Geraldo Couto, o diretor de fotografia Lauro Escorel, o diplomata George Torquato Firmeza e o distribuidor André Sturm. Sturm não pôde comparecer por estar fora do País e enviou suas preferências por e-mail.

A comissão é trocada todo ano para que os filmes selecionados não tenham sempre o mesmo perfil. Ana Paula Santana declarou que a avaliação este ano foi “mais aprofundada”. “Ano passado o ‘Tropa de Elite 2’ era o fenômeno brasileiro de 12 milhões de espectadores. Era difícil justificar qualquer outro filme depois disso. Haveria um abalo sísmico. Ele se impôs naturalmente. Este ano foi mais difícil. Discutimos mais.” A Secretaria do Audiovisual e o Ministério das Relações Exteriores vão sentar para discutir como será o suporte a ser dado ao longa para sua promoção nos Estados Unidos.

Lauro Escorel e Flavio Tambellini arriscaram dizer que esta é a primeira vez que um filme brasileiro que tem o mesmo diretor e ator protagonista (Selton) concorre a uma vaga no Oscar.

Vânia Catani, produtora de O Palhaço, declarou que ainda não tem planos para a campanha do filme ao Oscar. “Confesso que estamos todos muito surpresos, mas muito felizes e agradecidos. Hoje vamos comemorar. E amanhã, aí sim, começamos a planejar. Tenha certeza que vou fazer tudo que for possível para colocar nosso filme entre os finalistas.”

Colaborou Flavia Guerra

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