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Brad Pitt interpreta o lendário bandido Jesse James

Segundo filme do neozelandês Andrew Dominik passa longe de um faroeste convencional

Neusa Barbosa, da Reuters,

07 de novembro de 2022 | 13h34

Brad Pitt venceu um prêmio no Festival de Veneza 2007 por sua interpretação do lendário bandido norte-americano Jesse James (1847-1882) em O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford. Uma premiação justa, mas que cairia tão bem para Casey Affleck, que vive o papel de Robert Ford, o assassino de Jesse.       Veja também:   Trailer de 'O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford'  O segundo filme do neozelandês Andrew Dominik (que estreou no ultraviolento Chopper,em 2000) passa longe de um faroeste convencional. Partindo do livro homônimo de Ron Hansen, Dominik cria um personagem sensacional para Affleck (irmão de Ben Affleck), especulando como Ford teria tomado a decisão de matar Jesse, depois de tê-lo cultuado como ídolo por toda a vida.   O filme é todo construído em torno dessa expectativa do assassinato - que não é nenhuma surpresa, a partir do título -, mantendo uma tensão entre os personagens. Casey adota uma postura encolhida, um tom de voz baixo e entrecortado, toda uma linguagem corporal que denuncia uma certa timidez.   Jesse (Pitt) é o extremo oposto, o exemplo mais bem-acabado de autoconfiança, o bandido sedutor, a celebridade dos primórdios da mídia. Em sua época, o século XIX, seu mito foi consolidado por folhetos e livretos em que a imaginação quase sempre ultrapassava muito o respeito aos fatos em favor da lenda. A tragédia de Bob Ford não é só a traição a seu ídolo - cuja necessidade, até por sobrevivência, um dia é obrigado a encarar. Muito pior é o que ele irá aprender a chamar de ingratidão. Ford esperava reconhecimento público por ter eliminado o pistoleiro, mas só obtém o desprezo generalizado e, afinal, um fim igualmente violento.   Vivendo uma esplêndida maturidade criativa, Brad Pitt mantém à altura a ambigüidade do bandido instável, capaz de passar em segundos da maior amabilidade a uma explosão da brutalidade mais insana. "Não me diga o que não devo fazer", adverte ferozmente um parceiro de crime no momento em que este lhe pede que não mate uma vítima. O tom distanciado na narração permite que o filme escape aos clichês do gênero faroeste - não há um único duelo.   A atenção está mais voltada aos sentimentos dos personagens, sempre à flor da pele por não estarem sujeitos às convenções sociais. A interpretação refinada do grande elenco masculino, onde se destacam também Sam Rockwell e Sam Shepard, é outra das jóias desta produção. A fotografia sóbria é assinada por Roger Deakins, habitual colaborador dos irmãos Joel e Ethan Coen. A sombria trilha musical é de Nick Cave e Warren Ellis.

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