Borat é vítima de violações dos direitos humanos, diz EUA

O repórter fictício da TV do Cazaquistão Borat, interpretado pelo comediante britânico Sacha Baron Cohen, tem uma inesperada participação de figurante num relatório importante sobre direitos humanos publicado anualmente pelo Departamento de Estado norte-americano, em que é citado como vítima da censura. O relatório de 2006, divulgado em Washington na terça-feira, 6, pela secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, faz críticas ao Cazaquistão real, um grande país produtor de petróleo na Ásia central, por ter intensificado as restrições à liberdade de expressão, além de outras violações. O Departamento de Estado, que afirma que o Cazaquistão não possui Judiciário independente, também citou o assassinato, no ano passado, do político oposicionista cazaque Altynbeck Sarsenbaiuly, seu motorista e seu guarda-costas, como sendo "privação de vida ilegal." O relatório citou a perda por Borat, personagem do filme Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América, de seu site cazaque, (www.borat.kz), no final de 2005, lado a lado com processos na Justiça e restrições à liberdade de expressão enfrentadas pelas poucas organizações de mídia cazaques que fazem críticas ao presidente Nursultan Nazarbayev, que ocupa seu cargo há muitos anos. "O governo considerou ofensivo o conteúdo de um site satírico controlado pelo humorista britânico Sacha Baron Cohen e revogou o domínio kz", disse o relatório. Sacha Baron Cohen, que depois disso transferiu seu site para o endereço www.borat.tv, vem sendo uma espécie de pedra no sapato do governo do Cazaquistão, que num primeiro momento reagiu com ira ao retrato que ele pinta do país como sendo habitado por misóginos e racistas. Ameaças Pouco antes do fechamento do site, um representante do Ministério cazaque das Relações Exteriores ameaçou adotar "medidas legais" contra Baron Cohen. Este, que é judeu, respondeu dentro do personagem Borat, declarando: "Apoio integralmente a decisão de meu governo de processar esse judeu." Não houve processo na Justiça, e as autoridades adotaram uma postura mais comedida contra Borat, cujo filme arrecadou 248 milhões no ano passado. Mais tarde, durante coletiva de imprensa concedida ao lado do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, o presidente Nazarbayev disse que entendeu a piada. Nas declarações que fez sobre a morte de Sarsenbaiuly, o Departamento de Estado criticou um tribunal do Cazaquistão por "não investigar indícios de que outras partes e funcionários governamentais de alto escalão podem ter estado envolvidos em instigar essas mortes". O relatório também citou como fontes de preocupação casos de assédio militar, tortura policial, condições insalubres nos presídios, prisões arbitrárias, restrições à liberdade de reunião, violência doméstica contra mulheres e tráfico de pessoas como sendo "restrições graves ao direito dos cidadãos de mudar seu governo".

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