Bom elenco de "O Enviado" não salva fraca trama

O Enviado, drama dirigido por Nick Hamm, que estréia hoje pertence à categoria dos filmes ruins, mas tão ruins, que conseguem, eventualmente, ser divertidos. No elenco, estão artistas como Robert De Niro, Rebecca Romijin-Stamos e Greg Kinnear. O filme parece que vai seguir a trilha de A.I. - Inteligência Artificial, de Steven Spielberg, mas logo mostra que sua vocação é ser um clone de A Profecia , de Richard Donner. Logo na abertura, Rebecca vive uma das mais cruéis experiências que podem ser oferecidas a um ser humano - como mãe, ela vê o próprio filho, um garoto de 8 anos, ser esmagado por um carro. O que se segue é prostração e dor. Eis que surge De Niro no papel de médico. Ele trabalha numa clínica de infertilidade e acena com a possibilidade de clonar o garoto morto. Rebecca e o marido topam, mas De Niro exige que eles se mudem para a pequena cidade na qual realiza suas experiências. Nasce um garoto lindo, a vida de subúrbio é encantadora. Tudo segue na santa paz até que o menino completa 8 anos e aí tudo se complica. O garoto plácido começa a ter visões mórbidas e surtos agressivos.Instala-se o clima meio Profecia, com o novo Demian, renascido (ou enviado) do inferno. Como sempre nesse tipo de filme, há uma explicação para o fato de a experiência ter dado errado. Ela passa pelo médico De Niro, que, como a maioria dos cientistas da tela, é louco de carteirinha e ainda desafia Deus, o que o condena, moralisticamente, a arder nas chamas. Filmes de fantástico ou terror que discutem a ética da ciência em geral caem no mais deslavado moralismo. Nem David Cronenberg escapou disso em A Mosca. Mais do que um clone dos filmes citados, Nick Hamm fez o seu O Médico e o Monstro. É ruim, mas tão ruim, que você talvez se divirta com a demência de De Niro.

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