'Blindness' tem primeira exibição para jornalistas em Cannes

Filme é bem recebido pela imprensa, mas sem palmas calorosas; Meirelles diz que retrata 'limites da civilização'

Flávia Guerra, enviada especial em Cannes,

08 de maio de 2014 | 09h23

"Este filme não fala somente sobre a cegueira e o processo de perder a visão, ele diz muito sobre os limites da civilização. Nós achamos que somos muito éticos e civilizados, mas basta um dos pilares dessa civilidade cair, que tudo desmorona junto. Este filme fala sobre isso". A afirmação é do diretor Fernando Meirelles, que concedeu entrevista à imprensa que cobre o 61º Festival Internacional de Cannes, o mais importante evento de cinema do mundo, logo após a primeira sessão mundial de seu novo filme Blindness (Ensaio sobre a Cegueira), que abre nesta quarta-feira, 14, às 19 horas na França, a competição.   Veja também:  Confira os filmes da competição principal em Cannes 2008   Acompanhe o evento pelo blog do Merten  Galeria com fotos dos últimos preparativos em Cannes  Teste seus conhecimentos sobre o Festival de Cannes    O filme foi bem recebido pela imprensa internacional, apesar de não tem provocado palmas calorosas logo após o termino da sessão. "Este filme provoca mesmo estranhamento. Em todas as pré-sessões que fizemos até agora, todo mundo saiu um pouco calado e refletindo", comentaram as produtoras Bel Berlinck e Andrea Barata Ribeiro. Para Julianne Moore, este também é um filme que a deixou muito feliz, por ser um caso raro de produção realmente internacional. "Só tinham três americanos na equipe: eu, o Mark Rufallo e o Denny Glover. O resto era brasileiro, mexicano, japonês, canadense, era uma produção global de verdade. Essa é uma tendência que só vai aumentar", disse a atriz, que no filme é a mulher do médico interpretado por Rufallo, a única que não fica cega.   "Este é o meu modelo de cinema ideal. Cada vez mais quero fazer produções assim", afirmou Meirelles. Há grande expectativa por Blindness. O romance do escritor português José Saramago usa a cegueira para tecer uma metáfora sobre o mundo que se recusa a ver a loucura e o caos em que o consumismo e a degradação do meio ambiente estão nos atirando, com conseqüências seríssimas para o futuro da humanidade. É outra espécie de violência, distinta daquela que Fernando Meirelles enfocou em Cidade de Deus, com o qual pisou pela primeira vez no tapete de Cannes.Visualmente, o filme vai surpreender, pois o diretor e seu grande fotógrafo, César Charlone, se valeram da cegueira branca descrita pelo autor do Prêmio Nobel de Literatura para fazer o contrário do que se espera de um filme sobre a cegueira - em vez de áreas de sombras, eles criam imagens saturadas de luz.   Mais do que em qualquer ano recente, o Brasil chega a Cannes com força total. Além de Linha de Passe, que compete pela bandeira do Brasil, a seleção oficial exibe também A Festa da Menina Morta, de Matheus Nachtergaele, na mostra Um Certo Olhar e mais algumas atrações que não deverão passar em branco. O documentário O Mistério do Samba, de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, foi selecionado para a mostra Cinéma à la Plage, que apresenta filmes à noite, ao ar livre, na praia colada ao calçadão conhecido como ''Croisette'', e os curtas Areia, de Caetano Gotardo, e A Espera, de Fernanda Teixeira, integram a programação de outra mostra, a da Semana da Crítica. Um terceiro curta, Muro, de Tião, Leonardo Lacca e Raul Luna, foi selecionado para a Quinzena dos Realizadores e mais um - o quarto - O Som e o Resto, de André Lavaquial, da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, do Rio, compete na mostra da Cinéfondation.   (Com Luiz Carlos Merten, de O Estado de S. Paulo)

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