Björk e Pollock são destaques do NY Festival

Björk como uma cantora que perde a visão, Val Kilmer como Willem de Kooning e Michelle Yeoh como uma guerreira chinesa. Estas são algumas das atuações que vão poder ser vistas entre 22 de setembro e 9 de outubro na 38ª edição do New York Film Festival. Dancer in the Dark, de Lars Von Trier, que conquistou o Festival Internacional de Cinema de Cannes, na França, em maio, é a atração de abertura do evento, enquanto Pollock, dirigido por Ed Harris, é o filme central e Crouching Tiger, Hidden Dragon, de Ang Lee, encerra a programação.O festival de Nova York (que não é uma mostra competitiva) apresenta 25 produções representando 15 países, além de retrospectivas e um programa paralelo. As sessões (à tarde e à noite, no Walter Reade Theater e no Alice Tully Hall, no complexo do Lincoln Center) são abertas para o público e os ingressos já estão sendo vendidos (informações pelo telefone 212-875-5050 ou no endereço http://www.filmlinc.com).Dancer in the Dark (http://www.dancerinthedarkmovie.com), que ganhou a Palma de Ouro e deu o prêmio de melhor atriz a Björk, em Cannes, tem a pop star como uma mulher que sofre de uma doença que causa a perda da visão. O dramalhão musical - que causou polêmica na França - também tem a participação de Catherine Deneuve. A produção chamou atenção por conta dos atritos entre Von Trier (de Os Idiotas e Ondas do Destino) e Björk (ela prometeu que nunca mais vai atuar em sua vida).Pollock marca a estréia de Ed Harris na direção. O ator de filmes como Apollo 13, Nixon e O Show de Truman conta a trajetória do pintor expressionista com a ajuda de um elenco de peso, incluindo Val Kilmer, Jeffrey Tambor e Marcia Gay Harden. O próprio Harris faz o papel do artista, cujo dia-a-dia atormentado inspirou as famosas pinturas de respingos.O filme ainda corre o risco de não ser exibido por conta de um processo que uma ex-amante de Pollock, Ruth Kliman, está movendo contra os produtores. Ela alega que o roteiro foi baseado em seu livro Love Affair, publicado em 1974, e que ela não recebeu nada pelos direitos autorais. Kliman namorou o artista por nove meses e sobreviveu ao acidente de carro que acabou com a vida dele, em 1956. Ela já havia negado os direitos de sua história para Willem Dafoe e Al Pacino.Ang Lee, que abriu o festival há dois anos com A Tempestade de Gelo, volta com Crouching Tiger, Hidden Dragon, estrelado por Chow Yun-Fat (de Anna e o Rei) e Michelle Yeoh (de O Amanhã Nunca Morre). Depois de retratar a Guerrra Civil Americana, Lee volta a suas raízes ao contar a história de dois guerreiros ancestrais que nutrem um amor secreto mútuo.Outros destaques da programação são Before Night Falls, de Julien Schnabel (de Basquiat), estrelado por Johnny Depp; Krapp´s Last Tape, de Atom Egoyan (de O Doce Amanhã), adaptação da peça de Samuel Beckett; Brother, do japonês Takeshi Kitano; e Kippur, do israelense Amos Gitai.O New York Film Festival tem também as retrospectivas Seven Men From Now, que Budd Boetticher dirigiu em 1956; Body and Soul, de Oscar Micheaux, de 1925 (que vai ser apresentado com uma nova trilha sonora ao vivo tocada pela Lincoln Center Jazz Orchestra com Wynton Marsalis); e a série Passion and Defiance: Silent Divas of Italian Cinema, uma homenagem às grandes atrizes italianas do cinema mudo.O Brasil está representado na mostra por Cronicamente Inviável, de Sérgio Bianchi, que estreou no país em maio. O filme, que narra histórias episódicas e discute aspectos das crises social e política do Brasil, é o primeiro longa brasileiro a ser exibido no New York Film Festival em quatro anos. O último filme nacional a participar do evento foi Dezesseis Zero Sessenta, de Vinicius Mainardi.

Agencia Estado,

04 de setembro de 2000 | 13h44

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