MIKE BLAKE/REUTERS
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'Birdman' supera 'Boyhood' e leva o prêmio de melhor filme do ano no Oscar 2015

Longa de Alejandro Iñarritu levou ao todo 4 estatuetas, incluindo o de diretor; 'O Grande Hotel Budapeste' conquistou outros 4 prêmios

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

23 de fevereiro de 2015 | 02h51

Eddie Redmayne confirmou seu favoritismo e levou o Oscar de melhor ator por sua criação como Stephen Hawking em A Teoria de Tudo. Julianne Moore também confirmou a dela e, finalmente, depois de várias indicações, foi melhor atriz por Para Sempre Alice, no papel de uma mulher que sofre de Alzheimer. Pelo segundo ano consecutivo, os mexicanos ditaram as cartas na festa do Oscar - por produções em língua inglesa, é verdade.

Alejandro González-Iñárritu, foi melhor diretor por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância). No ano passado, Alfonso Cuarón recebera o prêmio da categoria por Gravidade, mas não o de melhor filme (que foi para 12 Anos de Escravidão). Iñárritu foi além e ficou também com a estatueta de melhor filme. Venceu Birdman.

Patricia Arquette virou heroína na festa de premiação do Oscar de 2015. Premiada como melhor coadjuvante por seu papel em Boyhood - Da Infância à Juventude, de Richard Linklater, fez um discurso por igualdade para as mulheres. Meryl Streep e Jennifer Lopez deliraram na plateia do Dolby Theatre, em Los Angeles. A reação de Meryl virou memê e, na cobertura online do Estado, disparou com o maior número de acessos. Houve momentos da mais pura emoção. Assim como o discurso de Patricia, o de John Stephens e Lonnie Lynn, compositores da melhor canção - Glory, do filme Selma -, tornou-se viral, uma veemente defesa dos direitos individuais e da liberdade de expressão. Mas foi Lady Gaga, na homenagem aos 50 anos de A Noviça Rebelde, que levantou o público. Foi aplaudida de pé na sua recriação de The Sound of Music - "I go to the hills/when my heart is lonely..."

Entrou a própria noviça, Julie Andrews, para apresentar o Oscar de trilha, que foi para Alexander Desplat por Grande Hotel Budapeste, um dos quatro prêmios que recebeu a comédia de Wes Anderson. Os demais, todos merecidos, foram melhor figurino, maquiagem e desenho de produção. Birdman somou também melhor fotografia - um tour de force técnico de Emmanuel Lubezki, com todos aqueles planos-sequência - e coassinado pelo diretor Alejandro González Iñárritu. Neil Patrick Harris fez história na festa aparecendo de cueca, numa referência justamente ao longa do diretor mexicano - mas sua ousadia não se compara à nudez relâmpago daquele cara que passou correndo pelo palco enquanto aquela falsa índia, Sacheen Littlefeather, recusava o Oscar de Marlon Brando por O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, em 1972.

Logo na abertura da festa, o apresentador provocou - bem-vindos à plateia mais branca, ops, brilhante de Hollywood. Ele não ia perder a oportunidade de alfinetar. Pela primeira vez em muitos (quase 20) anos, não houve um só afro-americano ou afro-americana entre os 20 indicados nas quatro categorias de interpretação. Damien Chazelle levou três prêmios por seu Whiplash - melhor ator coadjuvante (J.K. Simmons, umas das barbadas da noite), melhor mixagem de som e montagem. Chazelle é cria de Stanley Kubrick, Whiplash é o Nascido para Matar da música. Kubrick dizia que, no cinema, a mais importante é a montagem. Um prêmio mais que merecido para o filme de Chazelle. Veio uma (quase) zebra. Todo mundo apostava no Oscar de filme estrangeiro para o russo Leviatã. A Academia preferiu o polonês Ida, de Pawel Pawlikovski.

Momento de emoção - o compacto de outra festa, a dos premiados honorários. A atriz fordiana Maureen O'Hara, o animador japonês Hayao Miyazaki e o ator, cantor e ativista Harry Belafonte. Maureen recebeu seu Oscar de cadeira de rodas. Miyazaki disse que era um privilégio, ele que está se despedindo do cinema. Estava lá toda a Hollywood black, de Chris Rock a Sidney Poitier e Danny Glover, para a homenagem a Belafonte. Ele, por sua vez, apareceu ao lado de Martin Luther King naquela marcha histórica por direitos que originou o filme Selma, um dos oito indicados. Como a Academia prefere os filmes 'sérios' (artísticos) aos blockbusters, Interestelar, de Christopher Nolan, teve direito somente ao Oscar de efeitos visuais.

A melhor animação do ano foi Operação Big Hero, de Don Hall, inspirado na série de quadrinhos da Marvel. A melhor animação de curta-metragem foi Banquete, que passou nos cinemas brasileiros justamente como complemento de... Big Hero. Com toda sua classe, Meryl Streep conduziu a homenagem aos mortos do ano. "Viverão para sempre na nossa lembrança, como uma inspiração para todos nós." Na sua voz, ficou ainda mais emocionante.

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