Kevork Djansezian/Getty Images/AFP
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'Birdman' é o melhor filme no Independent Spirit Awards

Richard Linklater ficou com o troféu de direção por 'Boyhood' em premiação sem surpresas

Mariane Morisawa, Especial para o O Estado de S. Paulo

21 de fevereiro de 2015 | 23h20

SANTA MONICA - Foi num clima relaxado, à beira-mar, que aconteceu o 30º Independent Spirit Awards, no sábado, 21, com apresentação de Kristen Bell (ultimamente mais conhecida como a voz de Anna em Frozen – Uma Aventura Congelante) e Fred Armisen (da série Portlandia). Enquanto os prêmios eram entregues, grupos de corredores se exercitavam no calçadão de Santa Monica. O clima era tão lá em casa que Jared Leto fez graça e passou na sala de imprensa para dar um “oi” para os jornalistas. Apesar de ser o primo mais moderninho do Oscar, com a banda de rock Silversun Pickups tocando ao vivo e discursos menos formais, o Independent Spirit Awards seguiu sem surpresas. No Brasil, a premiação foi exibida no último domingo, 22, no Paramount Channel

A grande dúvida da disputa deste ano – Boyhood ou Birdman – foi resolvida com um prêmio para cada um: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância, de Alejandro González Iñárritu, levou o troféu de melhor filme, enquanto Richard Linklater ganhou na categoria direção por Boyhood. Ethan Hawke recebeu o troféu pelo diretor, que não compareceu à festa.

No mais, foi o esperado. Julianne Moore como melhor atriz. Michael Keaton como ator (seu principal rival, Eddie Redmayne, não concorria). Patricia Arquette, atriz coadjuvante. J.K. Simmons, vencedor na categoria ator coadjuvante.


Moore se definiu como sortuda por ter dois projetos tão importantes num ano – além de Para Sempre Alice, de Richard Glatzer e Wash Westmoreland, fez Mapas para as Estrelas com David Cronenberg. “Para ser corajosa, você precisa ter medo. Mas não tenho medo de atuar. Tenho medo de mergulhar, de andar muito rápido num carro, até de festas”, disse em entrevista após a cerimônia. Seu desejo para o fim da temporada de prêmios: “Comer!”. Michael Keaton contou que se relacionou com seu personagem em Birdman – um ator famoso por uma franquia de super-heróis que está em crise. “Sou um ser humano, então me identifico muito”, disse. Também afirmou que se inspirou pela “paixão” dos mexicanos da equipe. Piadista, disse que agora esperava ser pago pelo trabalho em Birdman.

Segundo Patricia Arquette, o que atraiu em Boyhood foi “a possibilidade de filmar experiências da vida, com pessoas que normalmente não vemos nos filmes”. J.K. Simmons, um ator pouco reconhecido em sua longa carreira, já percebeu que a temporada de premiações por Whiplash – Em Busca da Perfeição fez diferença. “Os prêmios com certeza afetaram o volume de roteiros que me oferecem, tanto filmes independentes quanto de estúdio”, afirmou.

O semibrasileiro O Sal da Terra, dirigido por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, sobre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, perdeu o troféu na categoria documentário para o favorito Citizenfour, de Laura Poitras, sobre Edward Snowden.

O polonês Ida, de Pawel Pawlikowski, venceu na categoria filme internacional, mesmo concorrendo com pesos-pesados como Força Maior, de Ruben Östlund, Leviathan, de Andrey Zvyagintsev, Mommy, de Xavier Dolan, Norte, O Fim da História, de Lav Diaz, e Sob a Pele, de Jonathan Glazer. “Obrigado aos meus competidores por perderem desta vez”, disse Pawlikowski.

Tom Cross ganhou pela montagem de Whiplash – Em Busca da Perfeição, de Damien Chazelle, e Emmanuel Lubezki, pela fotografia de Birdman.

O Abutre, de Dan Gilroy, levou o prêmio de melhor longa de estreia e melhor roteiro. O brasileiro Maurício Zacharias, coautor do roteiro de O Amor é Estranho com Ira Sachs, concorria na categoria.

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