Bill Murray redescobre veia dramática

Se na mostra principal do Festival de Veneza, as apostas continuam em aberto, na seção chamada Contracorrente despontam alguns favoritos, pelo menos até agora. Em termos de simpatia, nenhum bate Lost in Translation, segundo longa da talentosa Sofia Coppola, filha do capo Francis Ford Coppola. Nesse filme terno e surpreendente, ela consegue a proeza de resgatar a veia dramática de Bill Murray que, aqui em Veneza, se disse condenado ao estereótipo dos papéis cômicos. Ele interpreta um ator contratado para rodar comerciais no Japão.Entediado, sem conseguir dormir, divertir-se ou mesmo se adaptar à impessoalidade de um grande hotel de Tóquio, conhece uma garota (Scarlet Johansson) em situação mais ou menos parecida. Ela foi ao Japão acompanhando o marido, um fotógrafo de celebridades, e também não acha o que fazer na cidade. Uma se apóia no outro e Sofia revela mão levíssima ao apenas sugerir um romance possível entre esses dois seres solitários. O filme tem graça, tem humor e tem sensibilidade - o que já faz de Sofia uma estranha no ninho no cinema que se faz em seu país.

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