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Bilheterias do cinema nacional cresceram em 2011, diz Ancine

Ingressos vendidos no País chegaram a 143,9 milhões e a renda bruta totalizou R$ 1,44 bilhão

Luiz Carlos Merten - O Estado de S.Paulo,

01 de fevereiro de 2012 | 21h00

Na recente Mostra Aurora, em Tiradentes, o que esteve em discussão foi o cinema brasileiro de autor - não apenas os diretores e seus temas, mas os métodos de produção que estão dando forma a um cinema alternativo, de nicho. Observadores internacionais, de festivais como Cannes, San Sebastián e Veneza, analisaram a repercussão desse cinema, que tende a ser o preferido dos curadores europeus, nas mostras paralelas dos maiores eventos fílmicos do mundo. O papo agora é outro. Manoel Rangel, diretor presidente da Ancine, a Agência Nacional de Cinema, entra em cena para falar do mercado.

E para comemorar - os números finais das bilheterias em 2011 confirmam a tendência de alta verificada desde o começo de 2010. O mercado, como um todo, aqueceu-se. Os ingressos vendidos no País chegaram a 143,9 milhões e a renda bruta nos cinemas totalizou R$ 1,44 bilhão. O Brasil consolidou-se como um dos maiores mercados do mundo. Intuitivamente, você deve ter percebido isso. Não foi por acaso que Tom Cruise, Michael Bay, Vin Diesel, Antonio Banderas e Salma Hayek estiveram no Rio para lançar seus filmes ao longo do ano.

Dentro desse quadro, qual o papel da produção brasileira? Os filmes nacionais venderam quase 18 milhões de ingressos, com mais de R$ 163 milhões de renda bruta. Esse desempenho foi um dos três melhores do cinema brasileiro, no próprio mercado, nos últimos dez anos. O número de longas brasileiros lançados nos cinemas - 99 - foi o maior do mesmo período. E há mais - "Sete filmes brasileiros venderam mais de 1 milhão de ingressos e isso equivale a uma concentração menor do público em poucos títulos", avalia Rangel. Em 2010, só para lembrar, Tropa de Elite 2, de José Padilha, fez sozinho cerca de 11 milhões de espectadores.

Em 2011, a participação dos filmes brasileiros nas salas de exibição - o chamado 'market share' - ficou em 12,4%, ante quase 18% em 2010, mas agora distribuídos em mais filmes. Três deles - De Pernas para o Ar, Cilada.Com e Bruna Surfistinha - ficaram entre as 20 maiores bilheterias do ano, respectivamente em 11.º, 13.º e 19.º lugares. Os campeoníssimos foram, mais uma vez, filmes de Hollywood - A Saga Crepúsculo - Amanhecer, Parte 1, fez 7.020.756 espectadores, seguido de Rio, a animação de Carlos Saldanha, com 6.352.260 espectadores e Harry Potter e as Relíquias da Morte, Parte 2, com 5.577.760 espectadores.

Nos anos 1950, inversamente, as chanchadas, que agradavam ao público, eram execradas pelos críticos, mas hoje não há um que deixe de reconhecer a importância da estética da paródia da Atlântida (e como ela refletia o Brasil da época). Manoel Rangel diz que a Ancine não discrimina a produção brasileira para multidões nem a que se destina a um nicho da sociedade. O Brasil necessita de ambas, como as duas faces de uma moeda. Mas ele acha que o cinema precisa falar para o grande público e essa relevância estimula a manutenção e o desenvolvimento das políticas públicas para o setor. O share foi maior, e distribuído entre muitos filmes, não ligado a um fenômeno, como Tropa de Elite 2. O milagre, em 2011, foi um filme que transitou nas duas fronteiras - O Palhaço, de Selton Mello, com 1,4 milhão de espectadores.

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