Bertolucci revê o Maio de 68 em "Os Sonhadores"

Homenagem aos heróicos tempos da revolução estudantil e da militância dos anos 1960, Os Sonhadores, que estréia hoje, põe o diretor italiano Bernardo Bertolucci refletindo sobre o seu próprio passado como estudante e louco por cinema. Essa reflexão se dá por meio da relação entre um jovem americano, que estuda francês em Paris, e um casal de tresloucados irmãos franceses. O trio se conhece na Cinemateca Francesa, exatamente no momento em que Henri Langlois está sendo demitido da direção pelo governo e os cineastas e fãs se mobilizam contra essa atitude arbitrária. Esse foi, na verdade, o estopim da revolução estudantil de maio de 1968, na França, e de muitos outros que se seguiram pela Europa. Era um clima propício para a rebeldia. Matthew (Michael Pitt) se identifica com os irmãos Isabelle (Eva Green) e Theo (Louis Garrel). Todos têm sede pelo conhecimento, uma paixão pelo cinema e o desejo da descoberta. Não têm em comum o sentido de liberdade. O americano se surpreende com o convívio familiar dos amigos franceses, em especial com a relação de confronto que mantêm com o pai, escritor e poeta famoso, e com o carinho que dão à mãe, uma professora que criou os filhos na base do entendimento. Bertolucci estabelece uma relação de forças entre esses três personagens, medida enquanto habitam o belo apartamento dos franceses, deixado ao seu dispor quando os adultos viajam. As discussões intelectuais, a maior parte delas sobre cinema, dominam o ambiente. Mas o sexo vem logo em seguida, como se isso não fosse previsível em um grupo com esse perfil e em um filme do diretor de O Último Tango em Paris.

Agencia Estado,

10 de dezembro de 2004 | 12h34

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