Berlinale abre bem, mas sem estrelas

Nicole Kidman e Jude Law não apareceram para a abertura do 54.º Festival Internacional de Cinema de Berlim, que começou hoje e se estenderá até o próximo dia 15. No lugar do par romantico de Cold Mountain, o produtor Harvey Weisntein, da Miramax, e o diretor Anthony Minghella trouxeram Brendan Gleeson e Philip Seymour Hoffman. Os jornalistas e críticos não esconderam a frustração pela ausência dos dois astros, muito embora o filme esteja sendo exibido na condição de hors concours.Harvey Weinstein explicou a ausência dos protagonistas. Segundo o produtor, Jude Law está no set de Closer, sob a direção de Mike Nichols, e Nicole Kidman está resolvendo problemas familiares na Austrália. ?Fizemos de tudo para trazer Jude, inclusive tentamos comprar alguns dias da produção do filme, mas não foi impossível por causa do calendário deles, que estava muito apertado?, disse Weinstein. E acrescentou: ?E vocês sabem que se eu não consegui trazê-lo, ninguém mais conseguiria.? Mesmo sem os atores principais, a exibição de Cold Mountain mobilizou a imprensa. O filme concorre ao Oscar em sete categorias, das quais apenas duas artísticas: melhor ator (Jude Law) e melhor atriz coadjuvante (Renée Zellweger). E logo depois do festival, entrará em cartaz na Europa. A principal questão levantada durante a entrevista coletiva foi com relação a um possível boicote feito pela indústria americana de cinema, que teria considerado ofensivo um filme sobre a Guerra Civil ter sido filmado na Romênia e não nos Estados Unidos.Mais uma vez, Weinstein se adiantou para explicar que não se tratava exatamente de um boicote, mas de uma tentativa dos membros da Academia de ignorar o filme na distribuição de prêmios do Oscar. ?Isso acabou não acontecendo?, disse ele. ?E quanto ao fato de fazer filmes na Romênia, nós vamos continuar produzindo lá e em outros lugares do mundo. Não vamos aceitar ser patrulhados com relação a isso.? Anthony Minghella justificou a escolha da Romênia para filmar Cold Mountain dizendo que o país do leste europeu oferecia cenários muito melhores para a ambientação do filme do que os Estados Unidos. ?A paisagem da Guerra Civil Americana não existe mais, assim como a da Carolina do Norte daquela época?, raciocinou o diretor. ?E na Romênia econtramos condições muito melhores de recriar essas paisagens. Essa é a magia do cinema: poder recriar um cenário ou um período de tempo em qualquer parte do mundo.?Minghella disse ter economizado US$ 30 milhões com essa decisão e insinuou que a indústria Americana deveria ser mais generosa, já que seus filmes são distribuídos no mundo inteiro e lucram bastante com a ocupação de outros mercados. ?Eu entendo que os sindicatos queiram que seu pessoal trabalhe?, argumentou ele. ?Mas não e possível que não vejam com bons olhos realizar uma produção fora do país.?Ao ser questionado sobre a essência antibelicista de Cold Mountain, Minghella respondeu fazendo uma crítica aberta aos Estados Unidos. Chamou atenção para o fato de que o filme começa num campo de batalha e termina ao redor de uma mesa, com uma família reunida. ?Acho que a mensagem está clara?, falou o diretor. ?Devemos resolver as coisas de maneira calma e conciliadora e não de uma forma violenta e brutal, como vem acontecendo hoje em dia.?

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