Barbara Kinney/AP
Barbara Kinney/AP

Ben Affleck retoma plano de ajuda humanitária ao Congo

Ator passou cinco dias no país africano e convenceu milionário a apoiar e financiar iniciativa

Associated Press

22 de março de 2010 | 18h08

NAIRÓBI - O ator americano Ben Affleck lançou nesta segunda, 22, uma nova iniciativa para arrecadar dinheiro e conscientizar o mundo sobre as atrocidades cometidas contra mulheres e crianças durante anos de conflito no Congo, disse nesta segunda-feira, 22, o astro de Hollywood.

 

Na semana passada, o ator e diretor passou cinco dias no país africano, onde se reuniu com crianças que foram escravas sexuais e prisioneiros condenados por violação, com a esperança de compreender melhor os problemas da região. A nova fundação, denominada Iniciativa do Leste do Congo, vai apoiar grupos comunitários congoleses, disse Affleck, pouco depois de realizar sua quinta viagem à nação.

 

"As pessoas destas comunidades que se dedicaram à crise humanitária foram as que mais fizeram, em minha opinião, para resolver o problema, por que entendiam a comunidade, o problema como parte de suas próprias vidas", disse Affleck no fim de semana, no aeroporto internacional de Nairóbi. "Naturalmente estavam melhor equipados para resolver a questão. Seu impedimento foi falta de recursos", acrescentou.

 

A nova iniciativa é financiada em parte pelo fundador da entidade, Howard G. Buffett, filho do investidor e mecenas Warren Buffet, a quem Affleck apresentou sua visão de um novo grupo de ajuda descrevendo a premente situação do Congo. "Quero que saiba que 3,5 milhões de pessoas morreram nos últimos 12 anos, que as mulheres estão sendo violentadas, as crianças usadas como soldados, outras com HIV. Eu falei duas horas com ele e praticamente o convenci", disse Affleck.

 

O ator se negou a revelar quanto dinheiro arrecadou, mas disse que começará a conceder concessões nos próximos meses. Affleck, de 37 anos, viaja ao Congo desde 2007 e antes disso dirigiu um curta-metragem intitulado Gimmi Shelter, sobre a crise humanitária no país africano.

 

O Congo sofre há anos de violência e sua devastadora guerra de 1998-2002 dividiu a vasta nação e envolveu meia dezena de exércitos africanos. Affleck confessou que inicialmente não estava seguro de se envolver, temendo ser visto como um ator arrogante. Por isso visitou o país cinco vezes antes de lançar seu projeto, disse. A Iniciativa do Leste do Congo vai pressionar o governo americano para que desenvolva uma estratégia exaustiva e mostre mais liderança na região.

 

Affleck falou de uma jovem de 19 anos que conheceu na semana passada que foi sequestrada aos 15 por um grupo de rebeldes da vizinha Ruanda e obrigada a servir como escrava sexual de seis homens por dois anos. Escapou e foi recolhida por um grupo de ajuda chamado Laissez L'Afrique Vivre (Deixem a África Viver), que ensina carpintaria e corte e costura.

 

"Uma ex-escrava de seis caras ficou sabendo que estava grávida e queria morrer, mas uma monja da organização cuidou dela e agora estuda Direito para se tornar advogada e se dedicar aos direitos da mulher". Segundo Affleck, "é esse tipo de ajuda que a iniciativa vai apoiar". "Esta gente realmente maravilhosa", disse o ator.

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