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Bem cotadas ao Oscar, Lady Gaga estrela ‘Nasce uma Estrela’ e Viola Davis, ‘As Viúvas’

Gaga fez pela primeira vez uma personagem principal; Viola, sua concorrente, chega arrasando e dirigida por Steve McQueen

Mariane Morisawa , ESPECIAL PARA O ESTADO / TORONTO

11 Setembro 2018 | 06h00

Lady Gaga pode ter vendido mais de 25 milhões de álbuns, mas no cinema é quase uma estreante. “Sou muito sortuda de estar aqui”, disse a cantora em entrevista coletiva no Festival de Toronto. Aqui, no caso, é o filme 'Nasce uma Estrela', em que pela primeira vez ela faz uma personagem principal, depois de pequenas participações em Machete Mata e Sin City – A Dama Fatal e um papel na série American Horror Story. “Sou uma ítalo-americana de Nova York que sonhava em ser atriz, não conseguiu, desistiu, acabou virando cantora. E aqui estou eu hoje porque este homem acreditou em mim”, disse a atriz sobre o seu diretor, o também ator Bradley Cooper, que estreia como cineasta.

Nasce uma Estrela é a quarta versão da mesma história, contada anteriormente em 1937, estrelada por Janet Gaynor e Fredric March, em 1954, com Judy Garland e James Mason, e em 1976, com Barbra Streisand e Kris Kristofferson. Gaga é Ally, uma aspirante a cantora que trabalha num restaurante. Numa noite, fazendo um show numa boate, topa com o astro da música Jackson Maine (Bradley Cooper), que se encanta por sua voz e decide ajudá-la. Os dois se apaixonam. À medida que a carreira de Ally decola, a de Jackson descamba, por causa do alcoolismo. O filme é apontado como provável concorrente ao Oscar em diversas categorias, inclusive atriz. 

Na coletiva em Toronto, Gaga, chamada por seu nome de batismo, Stefani, pelo diretor e elenco, disse que fazer o filme foi transformador. “Nunca tinha tido uma experiência artística como esta. Estou empolgada de poder atuar mais, mas não estou interessada em estabelecer uma carreira.” 

Se como cantora ela ficou famosa pelos figurinos extravagantes, no filme ela precisou se despir. “Amo maquiagem, moda, figurinos. A amizade que Bradley e eu desenvolvemos fez com que eu confiasse nele para me expor como nunca tinha feito antes.” O diretor queria que ela evitasse a maquiagem. “Tentei enganá-lo com uma maquiagem leve, mas ele percebeu e me pediu para tirar. Pintei meu cabelo na sua cor natural, bem antes de começarmos a filmar, porque queria entrar na personagem. Foi um desafio, mas também muito libertador. Por ser a primeira protagonista de seu primeiro filme, queria dar tudo, até a última gota de sangue. Todo o meu medo, toda a minha vergonha, toda a minha dor, todo o meu amor, toda a minha bondade. Queria dar tudo para ele.”

Cooper, que dá a seu Jackson um ar de Jeff Bridges em Coração Louco (pelo qual ele levou o Oscar), contou que começou a ter vontade de fazer o filme ao assistir a um show da banda Metallica de trás da bateria. “Queria fazer cenas de show que nunca saíssem do palco”, contou. Sua experiência como diretor, segundo ele, não poderia ser melhor – e está pronto para repetir a dose. “Se tiver oportunidade, é tudo o que quero. Nunca fiquei tão realizado com um trabalho”, afirmou ainda. 

As Viúvas. Na corrida pelo Oscar, Lady Gaga vai enfrentar pelo menos uma concorrente de peso: Viola Davis, que, como de costume, arrasa em As Viúvas, dirigido por Steve McQueen (12 Anos de Escravidão, Shame) e com roteiro dele com Gillian Flynn (de Garota Exemplar e Objetos Cortantes). O longa, baseado numa série de TV britânica dos anos 1980, é bem diferente dos anteriores do cineasta, contando com mais cenas de ação. “A série fez parte da minha vida porque a vi quando foi exibida, em 1983. E ela foi muito importante para este menino negro de Londres”, explicou o diretor em entrevista coletiva na manhã de domingo. “Aquelas mulheres na tela estavam sendo julgadas pelo podiam conquistar, ou pela sua aparência em vez do seu caráter. E naquele momento eu também estava numa escola em Londres. Então é uma jornada pessoal de 35 anos.” 

Na trama, Veronica (Davis) é casada com Harry Rawlings (Liam Neeson), líder de criminosos especializados em grandes golpes. Numa de suas operações, Harry e seu bando são mortos pela polícia, deixando as viúvas em má situação e ameaçadas pelos donos do dinheiro, Jamal (Brian Tyree Henry) e Jatemme (Daniel Kaluuya). É assim que Veronica, Linda (Michelle Rodriguez) e Alice (Elizabeth Debicki) se juntam para fazer um assalto planejado por Harry, com ajuda da babá Belle (Cynthia Erivo). “Com que frequência você vê quatro mulheres na tela, quatro mulheres tão diferentes?”, perguntou Flynn. “Queria mostrar seus cérebros funcionando. São mulheres feridas pelo poder masculino.” 

Apesar de ser um filme de golpe, As Viúvas tem substância de sobra, falando de luto, vingança, machismo, política, raça e violência em Chicago – resta saber se vai ser suficiente para convencer a Academia. Para Viola Davis, era importante fazer uma personagem que tem suas fragilidades, mas também é capaz de liderar um assalto enquanto vive o luto pela perda do marido. “As narrativas de Hollywood agora precisam ser inclusivas e refletir o mundo em transformação. Sempre tenho de honrar aquela menininha que fui. Quero que ela veja imagens que possa guardar, que lhe dê permissão para que se sinta parte, que se sinta vista. Não quero que a pessoa não branca seja o motorista do ônibus, a enfermeira nos filmes. Não é suficiente elas estarem lá, elas têm de participar da história.”

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